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MAR DE MAIO

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Wild wild country: quando a realidade supera a ficção

01.05.18 | Inês

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Não sabia no que me estava a meter quando comecei a ver “Wild wild country”. Não conhecia a história mas o trailer pareceu suficientemente interessante para ver o primeiro episódio. Dois dias e mais de seis horas de episódios depois, esta é uma das melhores séries que já vi. Conta uma história real tão boa que se fosse ficcionada jamais teria sido tão bem.

 

A série da netflix conta a história de um culto criado por um guru indiano, Bhagwan Rajneesh, que decide criar uma cidade utópica junto à cidadezinha de Antelope, no deserto de Oregon, nos Estados Unidos. Estamos em 1981. Agora imaginem um grupo de alguns milhares de seguidores de um culto que promove a libertação sexual e a fuga ao mundo capitalista, a mudar-se para uma comunidade de pessoas reformadas. O resultado não é pacífico e dá início a uma guerra entre os Rajneesh e a comunidade local. Juntem a isto o facto deste culto surgir poucos anos depois de Jonestown (um culto do final dos anos 70 onde o líder convenceu os seus seguidores a ingerirem veneno matando mais de 900 pessoas) e a desconfiança natural que os Estados Unidos criaram em relação a estes grupos religiosos.

 

O melhor de “Wild wild country” são os diferentes ângulos que explora, com imagens e vídeos da época, reportagens e entrevistas a ex-membros do culto e vizinhos de Antelope, mostrando os muitos lados da história. No final, fiquei com a sensação de que raramente tive sentimentos tão contrários em relação a uma história, o que tornou difícil escrever este post. Tanto achei que a razão pendia mais para o lado dos Rajneesh, como para o lado da comunidade, como para o lado do governo, como achei que tinham perdido todos a cabeça e que a razão não pendia para lado nenhum. É assim que uma série boa se torna soberba, quando consegue fazer desaparecer aquelas linhas invisíveis que tendemos a ver em todo o lado e que separam o certo e o errado, o legal e o ilegal, a liberdade e a submissão. Esta é mesmo a não perder.

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