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MAR DE MAIO

Livros, viagens e tudo o que nos acrescenta

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A cultura pop tem de ter opinião política?

Inês, 08.05.18

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A questão vem de trás mas ganhou novo fôlego à medida que a política norte-americana parece cada vez mais perdida (desde a eleição de Trump à falta de controlo das armas de fogo, passando por quase tudo o resto). Mas, será que os cantores têm obrigação de ter uma opinião política pública? Ter não têm. E muitos (como Taylor Swift, por exemplo) não o fazem, seja por medo de perder público ou simplesmente porque não querem. É pena. O legado de músicas que marcaram quem as ouve porque cantam aquilo que muita gente pensa e poucos têm coragem de dizer em voz alta é longo. Desde as músicas de Jonhy Cash até ao Imagine de John Lennon e, mais recentemente, ao vídeo genial «This is America» de Childish Gambino que está tão bem feito que é preciso ver uma e outra vez para dar atenção aos detalhes.

 

Estas músicas (e vídeos) podem não ter mudado o mundo (infelizmente) mas são um ato de coragem por parte de quem as escreve. Mesmo quando não concordo inteiramente, ganho sempre respeito por um artista que põe as vendas de lado e reconhece que há coisas mais importantes (quando é algo feito com pés e cabeça e não sobre a forma de rant no twitter como fez Kanye West).

 

Além disso, não podemos esquecer a inspiração que um cantor pode levar ao seu público (quase sempre jovem), incentivado-o a votar e a ser politicamente ativo. A March for our lives fez algo extraordinário. Mostrou que adolescentes com uma posição ativa na sociedade podem, talvez não mover montanhas mas pelo menos abrir portas e fazer pressão para que outros as movam. Os cantores têm esse poder sem esforço. E é sempre bom quando decidem fazer uso dele.

Músicas que nos marcam

Inês, 14.11.17

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Medicine, law, business, engineering, these are noble pursuits and necessary to sustain life. But poetry, beauty, romance, love - these are what we stay alive for.

Só falta a música para esta frase do filme o «Clube dos poetas mortos» ser perfeita. A arte é infinitamente importante e talvez a música seja a mais acessível e consensual. A música salva-nos todos os dias. Torna os momentos bons melhores e os maus menos duros.

 

Na sequência deste post sobre os livros que me marcam, aqui ficam 4 músicas importantes na minha vida e as histórias que lhes associo. 

 

Let it be dos Beatles

Foi a ver o filme «I am Sam» pela primeira vez numa aula qualquer no secundário que ganhei curiosidade pelos Beatles. O filme (que vale muito a pena) está cheio de referências à banda. Começei por «Lucy in the sky with diamonds» mas a minha preferida é mesmo a «Let it be».

 

Iris dos Goo Goo Dolls

Verão, Grécia, 2013.

Foi a minha primeira vez no país mas estava longe de ser a última. Estava a fazer voluntariado num centro de reabilitação de tartarugas marinhas (falei sobre isso aqui). A melhor parte (além das tartarugas) foi fazer amigos que ficaram até hoje. A pior foi chegar ao fim e vê-los ir embora, um a um. Esta música tocava sempre, sempre nesses momentos.

 

Free dos Rudimental

Era Verão mas estava um vento gelado que mais fazia parecer Inverno. É assim o mês de Agosto no norte da Holanda. Estava a viver numa casa partilhada com mais 15 voluntários num projeto ligado a focas. Por um motivo que não sei explicar, os voluntários eram quase todos espanhóis. Naquele Verão gelado aprendi as maravilhas de comer chocolate ao pequeno-almoço (com os holandeses) e de comer muito e bem ao jantar (com os espanhóis). Esta música ecoava muitas vezes pela casa cheia de gente, entre conversas em espanhol misturado com português e inglês, e fazia-me sempre lembrar as focas em liberdade.

 

Drops of Jupiter dos Train

Não sei quando ouvi esta música pela primeira vez mas tive um daqueles momentos de "Como é que eu não conhecia isto?". Até hoje, é a minha música preferida. A única que sempre que começa a tocar no carro, tenho de cantar até ao último verso, mesmo que já tenha chegado ao destino.