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MAR DE MAIO

Livros, viagens e tudo o que nos acrescenta

MAR DE MAIO

Livros, viagens e tudo o que nos acrescenta

Lista de leituras para 2020

Inês, 14.01.20

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A minha lista de leituras para 2020 é muito simples: ler os livros que tenho na estante. Não penso ler todos este ano, mas gostava de ler uma boa parte deles.

 

Ler os clássicos

Tenho uma série de clássicos à espera na estante que gostava de ler este ano, como «A campânula de vidro» de Sylvia Plath, «Mataram a cotovia» de Harper Lee, «A cor púrpura» de Alice Walker e «O grande meaulnes» de Alain-Fournier. Também gostava muito de ler «O calafrio» de Henry James (nalgumas edições aparece como «A última volta do parafuso») porque vai ser adaptado a um filme que quero ver.

 

Ler mais autores brasileiros

Nos últimos tempos começei a interessar-me mais por autores brasileiros e tenho alguns para ler na estante. Um deles é «Olhai os lírios do campo» de Érico Veríssimo. Também quero ler algum livro de Jorge Amado (ainda só li «Os capitães da areia) e de Lygia Fagundes Telles.

 

Ler mais não ficção

Muitos dos meus livros preferidos dos últimos anos têm sido livros de não ficção, por isso, quero continuar a apostar em livros autobiográficos/de memórias. Quero ler o «Ler Lolita em Teerão» de Azar Nafisi que foi dificílimo de encontrar à venda. É a história de uma professora iraniana que se encontra em segredo com um grupo de alunas para discutir livros proibidos pelo governo. Outros que gostava de ler são «Sei porque canta o pássaro na gaiola» de Maya Angelou e a autobiografia de Michelle Obama.

 

Ler os livros que já devia ter lido o ano passado

Nomeadamente «O quarto de Marte» de Rachel Kushner com o qual estou muito curiosa e «O pintassilgo» de Donna Tart, uma autora de que toda a gente fala mas de quem ainda não li nada. Além disso, a adaptação ao cinema deste livro saiu o ano passado e gostava de ler o livro e depois ver o filme (trailer aqui).

 

E desse lado? Que livros gostavam mesmo de ler este ano?

Os melhores livros que li este ano

Inês, 17.12.19

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Este ano li bastante mais do que nos anos anteriores  (38). A razão foi ter usado e abusado da biblioteca durante o Verão e não ter insistido em leituras pouco proveitosas. Dos livros que li este ano ficam aqui aqueles de que gostei mais:

 

Livros que me deixaram a pensar neles muito depois de os ter terminado: 

Razões para viver de Matt Haig: Um livro extraordinário e muito honesto sobre a depressão. Recomendo muito. // ★★★★★

Canção doce de Leila Slimani (post no blog): Um thriller sobre uma ama que mata as duas crianças de que tomava conta. Um livro arrebatador e muito bem escrito. // ★★★★☆

The friend de Sigrid Nunez (post no blog): A história de uma escritora que perde o melhor amigo para um suicídio e que fica a tomar conta do seu cão (um dogue alemão). É divertido e tem um final surpreendente. // ★★★★☆

 

É nacional e é bom:

A vida no campo: os anos da maturidade de Joel Neto (post no blog): As crónicas do escritor Joel Neto sobre a vida nos Açores. // ★★★★☆

O pintor debaixo do lava-loiças de Afonso Cruz (post no blog): A história de um pintor eslovaco que nasceu no final do séc. XIX e acabou escondido debaixo do lava-loiças para fugir do nazismo. Um livro maravilhoso baseado na história real dos avós do autor. // ★★★★★

 

A ficção no seu melhor:

Pessoas normais de Sally Rooney (post no blog): Uma história moderna sobre a relação de dois amigos e namorados ao longo de vários anos. Um livro maravilhoso e, ainda assim, absolutamente banal. // ★★★★☆

Lá, onde o vento chora de Delia Owens (post no blog): A história de Kya, uma miúda que vive isolada no pantanal e que, em adulta, é acusada de cometer um crime. Um dos meus livros preferidos de sempre. //  ★★★★★

 

Como é que eu nunca tinha lido isto antes?

Anne dos cabelos ruivos (post no blog): Um clássico maravilhoso sobre uma miúda orfã que é adoptada por dos irmãos. A série também vale muito a pena. //  ★★★★★

 

Livros de não ficção:

Estou viva, estou viva, estou viva de Maggie O'Farrell (post no blog): Um livro autobiográfico em que a autora explora uma série de experiências de quase-morte.//  ★★★★★

Desaparecer na escuridão de Michelle McNamara (post no blog): A saga da autora em busca do Golden State Killer, responsável por uma onda de assassinatos e violações na Califórnia durante mais de 10 anos.//  ★★★★★

O custo de vida de Deborah Levy: Um dos três livros da autobiografia de Deborah Levy. O único defeito é ser tão curto (cento e poucas páginas). // ★★★★★

 

Para ler de luzes acesas:

My sister, the serial killer de Oyinkan Braithwaite (post no blog): Um livro divertido de uma autora nigeriana sobre duas irmãs, sendo que uma delas tem o hábito de matar os namorados. // ★★★★☆

Sempre vivemos no castelo de Shirley Jackson (post no blog): Um thriller psicológico sobre duas irmãs que vivem sozinhas depois de toda a família ter morrido e que são temidas pelos aldeões. //  ★★★★★

 

E vocês, quais foram os livros que mais gostaram de ler este ano? 

Homens imprudentemente poéticos de Valter Hugo Mãe

Inês, 10.12.19

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De Valter Hugo Mãe só tinha lido «O Apocalipse dos trabalhadores» e não gostei nada. Não gostei da história, nem dos personagens e achei que a escrita poética transformada em prosa do autor não se enquadrava naquele livro. Anos volvidos, deparei-me com esta capa (do ilustrador Júlio Dolbeth) na biblioteca e decidi dar uma segunda oportunidade ao autor. E ainda bem. Este livro é absolutamente maravilhoso.

«Homens imprudentemente poéticos» conta a história do artesão Itaro e do oleiro Saburo que são vizinhos e inimigos num Japão antigo. Esta é uma história feita de bons personagens cujo carácter vai sendo testado à medida que os capítulos avançam. E é também uma história de lendas, de sentidos e emoções. Ao contrário do outro livro que já tinha lido do autor, nesta história a prosa poética de Valter Hugo Mãe encaixa na perfeição.

Um pormenor importante que traz densidade a esta história é que o autor a faz acontecer no limiar da floresta de Aokigahara, uma floresta lindíssima que ganhou fama pelo alto número de suicídios que lá ocorrem. O problema começou, segundo consta, com um livro publicado nos anos 60 em que o casal da história escolhia o local para se suicidar.

Enfim, com duas experiências de leitura tão díspares deste autor, fico na dúvida sobre em que livro de Valter Hugo Mãe devo apostar a seguir. Se tiverem sugestões/opiniões sobre este ou outros livros do autor deixem nos comentários :)

O sentido do fim de Julian Barnes

Inês, 03.12.19

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Estou um bocadinho zangada com este livro, se é que podemos pôr as coisas nesses termos. Trouxe-o da biblioteca porque era pequeno (150 páginas), tinha um título chamativo e uma capa bonita. Queria uma leitura rápida e uma boa história. Senti-me enganada. A história é boa, sim, mas também é crua, visceral, brutalmente honesta de uma forma que me obrigou a pousar o livro várias vezes para assimilar as páginas.

...Adrian também dominou a própria vida, comandou-a, tomou-a nas mãos (...) Quão poucos de nós podem dizer que fizeram o mesmo? Vamo-nos safando, deixando a vida acontecer-nos, acumulamos sucessivamente uma provisão de memórias. Há a questão da acumulação (...) só o simples adicionar e acrescentar de vida. E, como indicou o poeta, há uma diferença entre soma e desenvolvimento.

«O sentido do fim» conta-nos a história de um grupo de amigos de liceu. O narrador é Tony que está agora na última fase da sua vida e se vai confrontar com as memórias da sua amizade com Adrian e o rumo drástico da vida deste amigo.

Mas o tempo... o tempo primeiro fixa-nos e depois confunde-nos. Pensávamos que estávamos a ser adultos quando estávamos só a ser prudentes. Imaginávamos que estávamos a ser responsáveis, mas estávamos só a ser cobardes. Aquilo a que chamávamos realismo acabava por ser uma maneira de evitar as coisas e de não as enfrentar. Tempo... deem-nos tempo suficiente e as nossas  decisões mais fundamentadas parecerão instáveis e as nossas certezas... bizarras.

Não quero revelar muito mais até porque, só mesmo no finalzinho é que a história faz todo o sentido. Acredito que muitos de vós já tenham lido este livro (já foi editado em 2011) e até já foi adaptado a filme (que ainda não vi). Mas, se não leram, recomendo muito.

Está esgotado nas livrarias, mas há sempre a biblioteca, os alfarrabistas, o olx, o custojusto, o coisas.com, a bibliofeira e os grupos de troca e venda de livros em segunda mão no facebook.

Numa casca de noz de Ian McEwan

Inês, 19.11.19

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Este foi o primeiro livro que li de Ian McEwan que tem alguns livros bem mais conhecidos como «Expiação» e «Na praia de Chesil», ambos adaptados (e muito bem) ao cinema. «Numa casca de noz» era, além do único livro do autor que havia na biblioteca, o que tem uma premissa mais estranha. Se não vejamos, este livro conta a história de uma mulher grávida (Trudy) que pretende, em conjunto com o amante (e cunhado) Claude matar o marido e pai da criança. O narrador é, nada mais nada menos, do que o feto. Além de narrar este mundo de adultos complicados ao qual está prestes a juntar-se, o narrador também tece considerações sobre o mundo e as notícias da atualidade.

Quem sabe o que é a verdade? É difícil reunir indícios por mim próprio. Cada premissa é acompanhada ou anulada por outra. Como todas as pessoas, aceitarei o que quiser, o que me convier.

É certo que a história é dramática, o narrador é invulgar mas, de alguma forma, resulta. É um livro pequeno (tem menos de 200 páginas) que se lê rapidamente e que nos prende até ao fim da história, sem sabermos muito bem de que lado devemos ficar ou por quem torcer. Há momentos em que parece um drama, outros em que parece uma tragédia, outros em que parece que estamos a ler uma peça de teatro (qualquer semelhança com Hamlet não é pura coincidência).

Resumindo, é um livro bom (muito bom) que recomendo se quiserem fugir às leituras habituais e experimentar algo mais "fora da caixa".