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MAR DE MAIO

Livros, viagens e tudo o que nos acrescenta

MAR DE MAIO

Livros, viagens e tudo o que nos acrescenta

Os livros que comprei este Verão

Inês, 24.09.19

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Zorba, o grego de Nikos Kazantzaki (esgotado)
As meninas de Lygia Fagundes Telles (esgotado)
Ciranda de Pedra de Lygia Fagundes Telles (esgotado)
Os velhos marinheiros ou o capitão de longo curso de Jorge Amado (esgotado)
A cor púrpura de Alice Walker
Frankenstein de Mary Shelley
Olhai os lírios do campo de Érico Veríssimo (esgotado)
Tão veloz como o desejo de Laura Esquivel
O grande meaulnes de Alain-Fournier

Uma das melhores coisas do Verão é poder comprar livros em segunda mão pelas muitas feirinhas que vão havendo por aí. Já escrevi aqui no blog sobre a feira da bagageira que há todo o ano. Este Verão aproveitei uma feirinha de Verão mais do que o normal e comprei os livros mencionados neste post e mais alguns que já emprestei ou que já apareceram em posts de review por aqui.

Alguns já queria ler há algum tempo (como «A cor púrpura» e o «Frankenstein») e aproveitei a oportunidade e o preço (custaram entre 0,5 e 3 euros cada um). Outros estão infelizmente esgotados nas edições portuguesas (como os de Lygia Fagundes Telles e Érico Veríssimo que procurei, sem sucesso, na feira do livro deste ano e nos alfarrabistas).

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Nossa senhora de Paris de Victor Hugo | Oliver Twist de Charles Dickens

Estes dois foram a minha perdição. Custaram 5 euros o conjunto e são edições lindíssimas e antigas (o Nossa senhora de Paris é de 1986 e o Oliver Twist de 1991). Fiquei encantada. Já tinha procurado o "Nossa senhora de Paris" no olx e no custo justo mas os preços eram absurdos para um livro em segunda mão. Além disso, o livro é ilustrado e tem uma dedicatória na primeira página (de um pai para um filho).

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Enfim, isto tudo para vos dizer que, se gostam de ler e tiverem a oportunidade de ir a uma feira de velharias, vejam as bancas de livros com atenção. Nunca se sabe o que podem encontrar...

Se já tiverem lido algum destes livros, deixem a opinião nos comentários que eu agradeço para saber por qual começar :)

P.S - A Helena Magalhães tem um post que recomendo muito sobre como e onde comprar livros em segunda mão e, já agora, se não seguem a conta de instagram dela sobre livros (@hmbookgang) não sabem o que andam a perder :)

Cabines de leitura: Deixar um livro, levar um livro

Inês, 20.08.19

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Foi uma boa surpresa ver na praia da areia branca, na Lourinhã, uma antiga cabine telefónica transformada numa mini-biblioteca. A ideia é simples, partilhar a literatura de uma forma acessível a todos. A regra é a de deixar um livro para levar um livro. Troca por troca. Neste site conseguem ver as localizações destas cabines. Além disso, também há nesta praia (e noutras provavelmente) mini-bibliotecas de praia.

Outro projeto igualmente interessante são as "Little free library" que são pequenas casinhas de madeira que funcionam como pequenas bibliotecas nos mesmos moldes (deixar um livro para levar um livro). Em Lisboa, há uma junto ao CCB, outra na quinta das conchas e nos nirvana estudios. Há também uma em Óbidos, outra no Porto e várias nos Açores. Podem saber mais sobre este projeto aqui.

Se conhecerem mais projetos interessantes deste género ou souberem de mais localizações destes espaços partilhem nos comentários :)

Drácula de Bram Stoker

Inês, 13.08.19

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Drácula de Bram Stoker começa com a viagem de Jonathan Harker até à Transilvânia para o ajudar a adquirir uma propriedade em Londres. Nas semanas que passa no castelo de drácula, Jonathan começa a estranhar algumas coisas como o facto de nunca conseguir perceber a idade do conde, não haver espelhos em lado nenhum, nunca ver o conde almoçar ou jantar ou o facto deste desaparecer sempre durante o dia.

- Seja bem-vindo a minha casa - repetiu (o conde drácula) - entre nela livremente, volte a partir são e salvo e deixe nela um pouco da felicidade que aqui traz.

A partir daqui a história vai-se desenvolvendo sempre sobre a forma de diários de várias personagens, de telegramas e cartas e de notícias de jornais. Além da estadia de Jonathan com o drácula, há o mistério de um navio naufragado, de um paciente num asilo que come animais vivos e de uma rapariga com uma doença estranha. Estas histórias vão-se encaixando como as peças de um puzzle nos capítulos finais.

Confesso que não dava nada por este clássico publicado em 1897 mas fiquei muito surpreendida pela positiva. É um livro fácil de ler, fluido, com uma história cheia de personagens interessantes que se desenrola com o ritmo de um policial. Além disso, apesar de ser considerado um clássico do horror, acho que se enquadra mais no gótico porque não há aqui nada de assustador. Recomendo vivamente.

The friend de Sigrid Nunez

Inês, 06.08.19

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Decidi que queria ler «The friend» por causa da sinopse. É a história de uma mulher que perde um amigo para o suicídio e que se vê obrigada a tomar conta do cão que ele deixou para trás, um dogue alemão chamado Apollo.

É um livro escrito na primeira pessoa em que acompanhamos o processo de luto desta mulher e também de Apollo que se vê, sem perceber como nem porquê, com um dono diferente, a viver numa casa diferente. É, pelo tema, um livro um bocadinho triste mas Apollo acaba por funcionar muito bem como um elemento cómico na história. Além de ser um livro sobre o luto (da dona e do cão) e sobre como estes dois personagens se apoiam mutuamente para o ultrapassar, é também um livro sobre escrita e sobre livros uma vez que a narradora é escritora.

E é também um livro sobre cães (e um bocadinho sobre gatos) e sobre o que significa tê-los como animais de companhia:

He wags his tail, and for the thousandth time I think how frustrating it must be for a dog: the endless trouble of making yourself understood to a human.

Este tema das pessoas se apoiarem em animais para ultrapassar momentos difíceis não é novidade. Aliás, no livro a autora faz referência a vários livros que envolvem animais. A mim lembrou-me, por exemplo, «A educação de Eleanor» que li no início deste ano em que a personagem principal, a certa altura, arranja uma gata que acaba por ser um elemento importante na vida da Eleanor.

Gostei muito do livro mas achei-o algo inconsistente, com alguns capítulos muito bons (que se focavam mais em Apollo) intercalados com outros que não acrescentam muito ao enredo. Ainda assim, recomendo a quem goste de animais (principalmente de cães) porque é uma história que merece ser lida e partilhada.

P.S. - Este livro foi lido para o tema do "Uma dúzia de livros" de Agosto - um livro escrito na primeira pessoa.

A vida no campo: os anos da maturidade de Joel Neto

Inês, 30.07.19

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Se tivesse de descrever este livro numa palavra seria serenidade. Já tinha lido o primeiro volume destas crónicas (que se chama simplesmente "A vida no campo") e adorei. Mas acho que ainda gosto mais deste segundo volume, não se se por os textos (ou a maioria) serem maiores, se pela forma como está organizado (por estações do ano).

O certo é que fui conquistada logo nas primeiras páginas com o texto sobre a Jasmim, a cadela do autor:

A Jasmim defende, conforta, alerta, apazigua. É a melhor de nós os quatro cá em casa. Sabe sempre qual a necessidade da pessoa (ou do animal) ao lado e faz dessa necessidade a dela - tudo em nome da concórdia. Custa conceber que um bicho possa ter adquirido tanta sabedoria em tão pouco tempo.

A Jasmim salvaria o mundo, se lhe dessem a oportunidade. Às vezes salva-nos a nós.

Joel Neto é açoriano e regressou aos Açores depois de muitos anos a viver em Lisboa. É desse regresso à vida nos Açores e às pessoas dos Açores que resultaram estas crónicas. Tenho gostado muito de ler os livros do Joel Neto nos últimos anos, a começar pelo «Arquipélago» que se tornou num dos meus livros preferidos de autores portugueses, passando pelos dois volumes destas crónicas. Se ainda não leram nada deste autor, estão a perder qualquer coisa de muito bom.