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MAR DE MAIO

Livros, viagens e tudo o que nos acrescenta

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Frankenstein de Mary Shelley

Inês, 29.10.19

mary-shelley.jpgAntes de ler «Frankenstein» vi o filme sobre a vida de Mary Shelley (trailer aqui). Não estava preocupada com spoilers porque acho que não há ninguém que não conheça, pelo menos, por alto a história deste livro. O filme, no entanto, quase não se preocupa com Frankenstein. Conta simplesmente a história da vida de Mary Shelley. Mary nasceu na Inglaterra do séc. XIX. A mãe morreu pouco tempo depois do seu nascimento e Mary fica a viver com o pai, e irmã e uma madrasta. Com 16 anos, apaixona-se pelo poeta Percy Shelley com quem vive uma dramática (no mínimo) história de amor. Tudo isto vai contribuir e inspirar o seu livro mais conhecido «Frankenstein». 

O filme, além de ser muito bom, é uma boa introdução a esta história pouco convencional. Até ler o livro pensava que Frankenstein fosse o nome do monstro mas é, afinal, o nome do seu criador. Um jovem que se apaixona pela ciência e que através de experiências cada vez mais complexas acaba por criar um monstro. Este ser quer interagir com os humanos que, no entanto, reagem à sua presença com medo e repudio o que leva a viver isolado e a sentir o peso da solidão. É esta a história de Frankenstein.

Apesar de ter ficado muito surpreendida com a história, muito diferente daquilo que imaginava, a leitura ficou aquém das expectativas que tinha criado depois de ver o filme sobre Mary Shelley. Ainda assim, é surpreendente pensar que a autora escreveu esta história com apenas 19 anos e impressiona a forma como as pessoas e os acontecimentos da sua vida moldaram a história de Frankenstein. Recomendo o livro (mas ainda mais o filme).

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Rosemary's baby: o livro e o filme

Inês, 22.10.19

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Não sei se há alguém que não tenha ouvido falar desta história, se não pelo livro, pelo menos pelo filme de Roman Polanski (de 1968). Eu nunca tinha visto o filme e tinha apenas uma leve ideia da história, por isso, quando vi este livro numa versão bem velhinha à venda numa feira decidi comprar. É uma edição do final dos anos 60 e traz fotografias do filme pelo meio.

«Rosemary's baby» (em Portugal traduzido para «A semente do diabo») conta-nos a história de Rosemary e Guy, um casal que decide mudar-se, nos anos 60, para um apartamento no Bramford. Este edifício seria, na altura, um dos prédios mais famosos e antigos para se viver e o autor do livro (Ira Levin) deu-lhe este nome como homenagem ao autor de «Drácula» (Bram Stoker).

O casal muda-se então, feliz e contente da vida, para o Bramford e, pouco tempo depois, conhece os vizinhos do lado. Minnie e Roman são um casal de meia idade e são pessoas... peculiares. Ela é metediça e ele é reservado mas rapidamente formam uma amizade com Rosemary mas, principalmente, com Guy. A partir daqui, e como em qualquer boa história de terror, coisas estranhas começam a acontecer. Guy, que é um actor (até ao momento falhado) começa a conseguir bons papéis. Minnie oferece a Rosemary um pendente com raiz de tannis e insiste que ela o use sempre, mas a raiz tem um cheiro horrível. E, o mais estranho de tudo, Guy que até ao momento tinha manifestado pouco interesse em ter filhos, decide que está na hora de terem um.

Rosemary engravida e Minnie toma praticamente conta da vida deles (decide o médico que ela deve ter, dá-lhe uma bebida com vitaminas para tomar...). Ao longo do tempo, Rosemary vai suspeitando disto e daquilo e, apesar de no início me ter parecido uma personagem um bocadinho tosca, a verdade é que ela vai guardando todas as informações suspeitas para ela e montando as peças do puzzle.

O que acontece depois do bebé nascer... bom, vão ter de ler o livro (ou ver o filme para descobrir). Achei o livro muito bom, fluido, com muitos diálogos e muito direito ao assunto (não há ali nenhum capítulo, diálogo ou informação que não seja relevante para a história). O filme, que vi então pela primeira vez, é simplesmente fenomenal. Podem ver o trailer do filme aqui. Recomendo vivamente os dois.

Mais tarde, em 1997, Ira Levin escreveu uma continuação para esta história que se chama «Son of Rosemary». Este livro nunca foi traduzido em português e, sinceramente, pelas críticas que li acho que prefiro ficar somente pela história original e dispensar a sequela.

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As novas séries que ando a ver

Inês, 17.09.19

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As séries andam, na minha opinião, a superar em larga medida os filmes. Aliás, tenho alguma dificuldade em lembrar-me do último filme que vi que me encheu as medidas. Já nas séries, isso tem acontecido com bastante frequência. Se andam à procura de recomendações de boas séries para ver, aqui ficam algumas que fogem às séries populares do costume (La casa de papel, Stranger things, Euphoria...).

Years and years: a realidade em esteróides (BBC)

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Years and Years é uma série genial que tem sido muito subvalorizada. Seguimos a vida de uma família em Manchester ao longo de 15 anos, começando pelo anos de 2019 quando Viv Rook (brilhantemente interpretada pela Emma Thompson) se envolve na vida política do Reino Unido. Como temos visto em vários países, Viv dá voz a esta onda de políticos que fogem ao politicamente correto.

São 6 episódios de cerca de uma hora cada um e é uma série dramática que aborda temas tão sérios como a inteligência artificial, a crise dos refugiados, o poder do voto, mas também aborda temas comuns como a família, a doença e a morte. É muitíssimo bem escrita e causou-me alguma ansiedade em vários momentos. Espero sinceramente que não estejamos a caminhar para onde esta série nos leva...

trailer aqui

 

The cry: um rapto mal explicado (BBC)

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Uma série de 4 episódios de uma hora que se vê de uma vez só. Basicamente, um casal viaja para uma cidade pequena da Austrália com o filho bebé que desaparece logo de seguida. A partir daí, entram numa espiral em que têm de lidar com a sua família, com a polícia, com a opinião pública e com eles próprios. É daquelas séries que traz uma reviravolta inesperada a cada episódio.

trailer aqui

 

Dead to me: uma surpresa inesperada (netflix)

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De todas as séries referidas, esta foi a que mais me surpreendeu. Não dava nada por ela depois de ter visto o trailer (que não faz jus à série) e fiquei agarrada do primeiro ao último episódio. Ainda só temos a primeira temporada (com 10 episódios de 25-30 minutos) mas já foi renovada para segunda temporada.

Basicamente, segue a historia de uma amizade entre duas mulheres que estão a passar por momentos difíceis, uma acabou de perder o marido e a outra de sair de uma relação longa e complexa. É uma comédia com momentos de drama pelo meio. Se procuram uma série mais levezinha, apostem nesta que vale muito a pena.

trailer aqui

 

In the dark: o drama-comédia no seu melhor (CW)

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Acho que este é um daqueles casos em que primeiro se estranha, depois se entranha e depois se adora. Esta série conta a história de uma mulher cega que está a tentar resolver o assassinato do seu melhor amigo. É uma comédia/drama com alguns personagens interessantes (principalmente a personagem principal), outros mais cliché e um final que, pelo menos para mim, foi surpreendente. Tem 13 episódios de 40 minutos e vai continuar para segunda temporada no próximo ano.

trailer aqui

 

This way up: uma comédia sobre a depressão (Hulu)

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Esta série é uma comédia sobre uma irlandesa que está a recuperar de uma depressão. Está bem escrita, tem personagens interessantes e um humor inteligente. Para além disso, tem a grande vantagem de falar sobre a ansiedade e a depressão como ela é na realidade, com uma personagem que mantém um emprego e que vai lutando para se manter acima da água. Recomendo muito. A grande desvantagem é que são apenas 6 episódios de 25 minutos (a sério, se os episódios são tão curtos, uma temporada devia ter, pelo menos, 10 episódios, certo?). Enfim, há rumores de que vai haver mais temporadas mas parece-me que ainda não é certo.

trailer aqui

O fim de Orange is the New Black

Inês, 27.08.19

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Tenho duas regras para este blog. A primeira é tentar escrever sempre um post por semana. Gostava de escrever mais mas nunca consegui. A segunda é a de só escrever sobre coisas que acho mesmo que merecem a partilha. Por isso, num Verão que se encheu de séries fantásticas como as novas temporadas de "La casa de papel" e de " Stranger things", eu não podia deixar passar a última de Orange is the new black.

Falei sobre o livro que originou a séria aqui no blog há uns anos atrás e continuo a recomendar vivamente a leitura.

A sétima e última temporada, não só não perdeu qualidade em relação às anteriores, como acrescentou um elemento muito interessante: o ICE e a política que os Estados Unidos têm praticado com os imigrantes.

OITNB é das melhores séries que já vi. Porque é real. É uma série sobre a experiência de vida de uma série de mulheres que, por circunstâncias mais ou menos compreensíveis, acabaram detidas em algum momento da sua vida. É uma história de sobrevivência, de empatia e resiliência. E não me parece que haja alguma coisa mais fundamental no momento político atual do que isto.

P.S - Fica aqui o trailer da sétima temporada e uma entrevista ao Daily Show (com o Trevor Noah) que recomendo muito com a Diane Guerrero, uma das atrizes e ela própria uma imigrante a viver nos Estados Unidos.

Os Durrells são só a minha série favorita de sempre

Inês, 22.05.19

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Já não sei onde descobri os Durrells mas sei que bastaram dois ou três episódios para se tornarem na minha série preferida de sempre. Não, não estou a exagerar. Os Durrells conta a história de uma família britânica nos anos 30 que, perante a sua desilusão com a vida em Inglaterra, se muda para a ilha de Corfu, na Grécia. A partir daqui, seguimos as aventuras da mãe (Louisa) e dos seus quatro filhos: o Larry que quer ser escritor, o Leslie que tem azar na vida, a Margo que não é muito inteligente e o Gerry que tem uma obsessão por animais que rapidamente transforma a casa num mini jardim zoológico.

Já estive várias vezes na Grécia e tenho sempre muitas saudades da Gécia (principalmente quando chga o Verão) mas nunca tive tantas saudades como a ver os Durrells porque esta série capta na perfeição o país, as pessoas, a cultura, a língua, o calor sufocante, a comida (maravilhosa), as paisagens.

O mais extraordinário é que a história é verídica e baseada no livro "A trilogia de Corfu" escrita pelo filho mais novo, o Gerry. Quando cresceu tornou-se conservacionista, criou um jardim zoológico (verdadeiro) e um fundo para a conservação da biodiversidade em Inglattera (o Durrell conservaion found) que perdura até hoje. A família viveu cinco anos em Corfu que estão representados nas 5 temporadas da série. Na última, o tom leve, de comédia dá lugar a um tom mais pesado à medida que a 2ª Guerra Mundial adensa. A família acabou por ter de fugir para Inglaterra quando a Itália invadiu a Albânia em 1939. 

Trailer aqui.