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MAR DE MAIO

Livros, viagens e tudo o que nos acrescenta

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Seneca e a brevidade da vida: palavras para guardar para a vida toda

19.06.18 | Inês

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Eu não sei porquê que eu estou rindo à toa,

Quem diria que a vida era assim tão boa

Eu não sei explicar porquê mas esta letra dos fala-mansa ecoa na minha cabeça desde que comecei a ler este livro. Se já viram o discurso de J. K. Rowling para a Universidade de Harvard é provável que este livro vos seja familiar. Se não viram, vejam porque vale muito a pena. No discurso, J. K. Rowling fala bastante sobre os ensaios do filósofo romano Seneca e, como a penguin tem uma edição recente do livro, acabei por ler.

 

O livro está dividido em três ensaios, sendo que o primeiro «On the shortness of life» é o referido por J. K. Rowling e o mais interessante. Faz lembrar a ideia do Carpe diem do «Clube dos poetas mortos» e que inspirou tantos outros filmes e livros ao longo dos tempos. Sim, porque este ensaio foi escrito 49 anos depois de cristo.

 

Sobre o uso que fazemos do tempo que a vida nos dá:

It is not that we have a short time to live, i tis that we waste a lot of it. Life is long enough. (…) life is long if you know how to use it. (...) But putting things off is the biggest waste of life: it snatches away each day as it comes, and denies us the present by promising the future. The greatest obstacle to living is expectancy, which hangs upon tomorrow and loses today.

 

Sobre existir versus viver:

So you must not think a man has lived long because he has white hair and wrinkles: he has not lived long, just existed long.

 

Na verdade, acho que a música dos fala-mansa, de que não gosto particularmente mas que ouvi vezes sem conta no Brasil, me veio à cabeça enquanto lia este livro porque os brasileiros têm um jeito mais despreocupado de viver a vida, que tem tudo a ver com a filosofia de Seneca.

No activity can be successfully pursued by an individual who is preoccupied … since the mind when distracted absorbs nothing deeply (…). Living is the least important activity of the preoccupied man; yet there is nothing which is harder to learn (…) Learning how to live takes a whole life, and, which may surprise you more, it takes a whole life to learn how to die.

 

Também me lembrei de um rapaz que conheci há uns tempos e que tinha nascido em França, crescido no Quénia e estava a viver em Paris. Ele dizia que o que faltava aos quenianos em desenvolvimento, faltava aos parisienses em capacidade de aproveitar a vida de todos os dias. Talvez tenha razão.