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Pensei que o meu pai era Deus de Paul Auster

Histórias da América profunda

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Foi neste post aqui do blog que a autora do blog «Livros que são amigos» deixou a sugestão de um livro de Paul Auster «Pensei que o meu pai era Deus».

Em 1999, enquanto fazia um programa de rádio, Paul Auster pediu aos ouvintes que enviassem histórias da sua vida, podiam ser curtas ou longas, podiam ser sérias ou cómicas, não tinham de ter um estilo literário, só tinham de ser honestas. Das mais de 4 mil que recebeu, selecionou 179 para fazer parte deste livro.

Este livro incrível está dividido em vários temas, que são animais, objectos, famílias, burlesco, desconhecidos, guerra, amor, morte, sonhos e meditações.

No fundo, é um relato da América profunda. Há histórias de veteranos da Guerra do Vietname, histórias de quem sobreviveu à II Guerra Mundial, histórias de quem passou pela Grande Depressão, histórias da Klu Klux Klan. Uma delas particularmente engraçada em que os indivíduos marcham com aquelas vestes típicas para não serem identificados, mas um cão reconhece o dono no meio do grupo e vai ter com ele a pedir atenção... como toda a gente reconhece o cão e sabe quem é o dono, ficam assim a saber que o veterinário da aldeia pertence à organização e, como o cão não desiste de chamar a atenção do dono, a família inteira mete-se no desfile para o ir buscar para gargalhada de todos os presentes naquele que devia ser um momento sério.

Há histórias que nos fazem rir e outras que nos fazem chorar.

Da secção família:

«Estou tão preocupada com a Martha...», disse-me a minha mãe quando nos sentámos no banco do corredor do hospital à espera que o médico examinasse o meu pai. «Deixámo-la a brincar no jardim e não lhe dissemos aonde íamos. Espero que não se tenha metido num canto a chorar.»

Limpei as lágrimas que me corriam pelo rosto. «Mas eu sou a Martha, mãe. Eu estou aqui consigo», disse-lhe procurando acalmá-la.

«Não, eu não estava a falar de si», respondeu-me a minha mãe. «Estava a falar da minha pequenina, da minha Martha.»

Da secção desconhecidos:

Preciso da aprovação deste homem e acabo de lhe matar o cão (num atropelamento)! (...) Quando me encaminhava para o gabinete de Rick, vi-o no corredor. Estava com cara de poucos amigos. Porém, quando se abeirou de mim, abraçou-me com toda a sua força e disse-me bem alto: «Fizeste-nos um grande favor, Jerry. O nosso cão estava velho e cego e tinha cancro e nem eu nem a minha mulher tínhamos coragem para o pôr a dormir. Estou-te muito grato pelo que fizeste.»

É um livro muito bonito que encontrei na biblioteca. Agradeço muito a sugestão (uma das vantagens de ter um blog) e agora passo-a para vocês.