Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

MAR DE MAIO

Livros, viagens e tudo o que nos acrescenta

MAR DE MAIO

Livros, viagens e tudo o que nos acrescenta

O Vimeiro e um bom livro: Call me by your name

18.09.18 | Inês

call-me-by-your-name-vimeiro.JPG

Não tinha vontade de ler este livro antes de ver o filme, nem depois para ser sincera. Gostei do filme, mas não adorei. Achei um filme perfeito de Verão, com uma paixão que se acende numa vila italiana. A vontade de ler este livro foi crescendo com as opiniões que li (aqui, aqui e aqui) com a procura de um livro para ler nas férias, nomeadamente na piscina do Vimeiro. Não sei como é que, tendo passado tantos Verões na zona do Oeste, ainda não conhecia a piscina do Vimeiro. Já tinha visto fotografias e quando cheguei reconheci logo a paisagem verde das montanhas ao redor. O cenário que rodeia a piscina vale bem a pena a visita. A piscina em si é de água mineral, ou seja, não arde nos olhos e é bem mais agradável do que qualquer piscina onde tenha estado. Só peca por ser pequena e por estar num sítio ventoso (ou não ficasse em pleno Oeste).

 

Mas, este livro. A história é simples e fácil de explicar. Élio é um rapaz de 17 anos que passa o Verão na casa de férias de família no norte de Itália. Todos os anos os pais hospedam um estudante estrangeiro que, durante esse ano é Oliver, um americano de 24 anos por quem Élio se apaixona.

 

O ambiente do livro, no entanto, é mais difícil de explicar. Os pais de Élio têm uma educação e cultura acima da média, que passaram ao filho, que gosta de ler autores clássicos e de tocar piano. Oliver escreve, durante o Verão, um livro sobre Heráclio (um filósofo grego) e todo o livro é uma homenagem (bem bonita) aos autores clássicos, à filosofia, ao valor do conhecimento e da reflexão. E o que é mais maravilhoso ainda é que uma história com tudo isto e que, ao mesmo tempo, é subtil e poética tenha conseguido cativar tantos leitores jovens pelo mundo inteiro.

But I also knew that I was circling wagons around my life with try again laters, and that months, seasons, entire years, a lifetime could go by with nothing but Saint Try-again-later stamped on every day. Try again later worked for people like Oliver. If not later, when? Was my shibboleth.

Subtil é mesmo a palavra certa para descrever este livro. Não há muita ação. Aliás, uma boa parte da narrativa passa por acompanharmos os pensamentos confusos de Élio à medida que se apaixona por Oliver. Convém ainda dizer que o livro (e o filme) se passam em 1983, uma altura em que estes pensamentos e desejos era ainda mais tabu do que hoje em dia.

 

Numa entrevista, o autor André Aciman explica que gostou tanto do filme que ele próprio já não conseguia pensar nos personagens que criara sem imaginar os autores que os interpretaram. O livro e o filme completam-se na perfeição. O primeiro ganha por mostrar tudo o que passa na cabeça de Élio e que o filme não consegue mostrar. O segundo mostra-nos os cenários daquele Verão idílico passado em Itália e acrescenta-lhe uma banda sonora que nos transporta para lá. Vale muito a pena, por isso, explorar os dois.

 

2 comentários

Comentar post