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O perigo de não querer terminar um livro

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Praia dona Ana

Estava na meia-praia, em Lagos, a ler «A biblioteca da meia-noite» de Matt Haig descansada da vida. Faltavam dez páginas para acabar o livro e não o queria terminar. Não é um livro extraordinário mas estou a passar por uma fase difícil e há meses que não lia um livro até ao fim.

Enquanto ouvia os vendedores de bolas de Berlim a decidir quem tinha vendido mais, decidi ir dar um mergulho e terminar o livro depois. E fui. A certa altura pus o pé na areia e senti que tinha pisado uma agulha. "Deve ser uma concha", pensei. Continuei a nadar e comecei a sentir-me desconfortável. Fui para a toalha e o pé começou a doer-me. A dor foi aumentando gradualmente. E eu já só pensava que se continuasse a aumentar àquele ritmo, não ia conseguir andar até um nadador-salvador. Portanto, resignei-me e lá fui.

Os dois nadadores-salvadores (muito simpáticos e prestáveis) fizeram um diagnóstico rápido.

"Peixe-Aranha".

Fiquei à espera uns 5 minutos (que me pareceram três horas porque aí sim, a dor estava muito intensa) que me trouxessem um recipiente com água muito quente.

peixe-aranha.jpeg

Pois que o peixe-aranha é este bicho (que neste desenho parece muito mais bonito do que é na realidade) que fica por baixo da areia só com os olhos e aqueles espinhos pontiagudos dorsais de fora. Quando há pressão naquela zona (como uma pisadela), as glândulas libertam veneno que vai para a zona da picada e que é neutralizado por água quente (tão quente quanto a pessoa consiga tolerar sem se queimar).

Ao fim de poucas horas, a dor passou (pelo menos, a maior parte) e fiquei só com dificuldade em andar (e conduzir) durante uns bons dias. Isso e um certo trauma da meia-praia. Para a próxima, termino e livro e acabou-se a conversa.

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