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O orfanato de elefantes do Quénia

Nairóbi é uma cidade absolutamente caótica. Não há descrição possível para aquele caos e não tenho fotografias, porque estava sempre mais preocupada em 1) não cair nas centenas de buracos que existem nas ruas; 2) tentar atravessar a estrada sem ser atropelada; 3) ignorar todas as pessoas que nos tentam vender qualquer coisa o tempo todo, em todo o lado.

Mas, tem algumas coisas muito boas. E uma delas é o orfanato de elefantes que pertence ao Sheldrick Wildlife Trust.

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Este projecto tem unidades veterinárias móveis que procuram animais que precisem de ajuda e, se necessário, os levam para o orfanato. Lá, cuidam de elefantes que são encontrados órfãos, seja por as mães terem sido vítimas de armadilhas e caça, do conflito entre os humanos e os animais, ou por terem algum problema de saúde (um dos elefantes de que cuidam, por exemplo, tem epilepsia).

Uma vez no orfanato, os elefantes passam por um período de luto e são cuidados pelos tratadores durante 24h por dia (inclusivé os tratadores dormem com eles para não ficarem sozinhos) e são alimentados com leite a cada 3 horas.

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A partir dos 3 anos, os elefantes estão prontos para serem reintegrados, o que acontece no parque do Tsavo, também no Quénia. Todos os elefantes têm de ser integrados numa família, por isso, todos os dias, os elefantes saem da unidade de manhã, andam pelo parque (seguidos de perto pelos tratadores), contactam com os outros elefantes e aprendem como se comportar nesta sociedade matriarcal e, à noite, voltam para a segurança da unidade. Isto acontece até o elefante estar integrado e decidir não regressar, o que pode demorar uma década.

Uma das coisas mais incríveis deste processo é que os elefantes voltam, de tempos a tempos, à unidade. As fêmeas voltam para mostrar as suas novas crias e os elefantes feridos voltam para pedir ajuda.

Ainda assim, talvez o mais incrível de todo este processo não sejam os elefantes, mas a relação que eles desenvolvem com os seus tratadores.

A visita guiada ao centro dura uma hora e, durante esse período, vemos dois grupos de elefantes (de um total de 32), vir a correr para beber leite e para se encher de terra. Pelo meio, brincam uns com os outros, há um mais velho que tenta roubar o leite a um mais novo e se, por um lado, se nota que têm muito respeito aos tratadores, por outro é aos tratadores que vão pedir mimos e brincadeira.

É uma infelicidade que seja preciso haver um projecto como este (derivado, como sempre, de problemas que nós criámos), mas é maravilhoso que exista quem esteja disposto a ter uma dedicação completamente fora de série (de décadas!) a estes animais.

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