O fim da tetralogia de Elena Ferrante
«Se o livro que estamos a ler não nos acorda como se fosse um punho a bater no nosso crânio, para quê lê-lo?»
Kafka

Acabei de ler os dois últimos livros da tetralogia de Elena Ferrante há semanas e já tenho saudades do ambiente de Nápoles. Estes livros são a continuação da vida das personagens Lila e Lenú pela idade adulta e depois pela velhice. Curiosamente, o que mais me marcou nestes dois últimos livros não foi a história mas a componente social. As lutas dos operários por condições melhores, o aparecimento da pílula, o papel das mulheres que ficam em casa a tratar dos filhos versus os homens que podem continuar a subir na carreira.
Algumas frases favoritas dos livros:
Cada opção que fazemos tem a sua história, quantos momentos da nossa vida estão recalcados num canto à espera de uma saída, e a saída acaba por chegar.
História de Quem Vai e de Quem Fica
Em que desordem vivíamos, quantos fragmentos de nós saltavam para longe, como se viver fosse explodir em estilhaços.
«Não é loucura, Dede, é dor.»
«Nunca deitou uma lágrima.»
«As lágrimas não são a dor.»
«Sim, mas sem as lágrimas, quem é que te garante que a dor existe?»
«Existe, e por vezes é uma dor ainda maior.»
História da Menina Perdida
Ao contrário do que acontece nas histórias, a vida real, quando é passado, não se debruça sobre a claridade mas sim sobre a obscuridade.
História da Menina Perdida