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Manual de sobrevivência de um escritor de João Tordo

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Este foi o primeiro livro que li de João Tordo e admito que isso não tenha sido ideal. Acho que quem já tiver lido alguns livros do autor vai tirar mais partido desta leitura, uma vez que há várias referências ao processo criativo de outros livros. Fiquei muito curiosa para ler «O luto de Elias Gro.»

Este é, como o título indica, um manual para quem quer ser escritor ou simplesmente para leitores curiosos com a arte da escrita. Aborda desde o processo criativo, à técnica, ao dinheiro (pouco) ganho com os livros, à edição, a como lidar com as críticas, enfim, um pouco de tudo. 

Gostei muito de ler alguns capítulos, como as residências literárias (só tenho pena que essa parte não tenha ocupado mais páginas), o arco narrativo (algo que aparece com mais detalhe no livro de Mário de Carvalho sobre a escrita) e as reflexões do autor sobre a escrita e sobre o que é um escritor.

Enquanto leitor, a sensação com que fico, depois de ler um bom livro, é que entrei numa aventura que já estava em andamento e que continuará depois de fecharmos as suas páginas.

Não concordei com tudo e alguns assuntos irritaram-me um bocadinho. O cliché do vício dos escritores por álcool ou drogas (e a história de como o Stephen King não se lembra de alguns livros que escreveu), da depressão dos escritores (e do suicídio da Sylvia Plath e de tantos outros) assim como as divagações sobre o que é um escritor literário são temas repetidos ad nauseum em livros de ficção e não ficção. E podcasts. E entrevistas. E encontros literários. Enfim, se calhar já mudávamos de assunto, não? Além de que muitas vezes sinto que há uma romantização da depressão pela escrita e para a escrita, que me enerva bastante. Não acho que tenha sido tanto o caso deste livro, mas surge, por exemplo, no «The friend» de Sigrid Nunez.

Pronto, já desabafei. De resto, há muitas referências a livros e fiquei com curiosidade de ler alguns, nomeadamente o livro de Carol Joyce Oates sobre a escrita e o de Stephen King.

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