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MAR DE MAIO

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Ter | 27.02.18

The Handmaid's Tale: a série e o livro

Inês

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Sou uma pessoa de palavras escritas em primeiro lugar. Quando vi a primeira temporada desta série fiquei sem palavras. Devorei os episódios todos em dois dias. Foi um erro, não façam isso. Vejam com tempo. Tentei escrever sobre ela durante dias e não consegui. Não conseguia parar de ver mas ao mesmo tempo sentia-me nauseada com toda a história, uma distopia que parece tão longe da realidade mas, ainda assim, não longe o suficiente.


Acabei a série e não conseguia parar de pensar nela. Suponho que é assim que a qualidade se revela ou, pelo menos, a marca que uma série (um filme, um livro) deixa em nós. Comprei o livro, em inglês, porque a edição tem ilustrações lindas na capa. Li num instante.


«The Handmaid’s tale» é uma distopia sobre uma sociedade em que, depois de décadas com natalidades muito reduzidas, o governo norte-americano é derrubado, a constituição queimada e as mulheres férteis são desprovidas de todos os direitos e forçadas a conceber filhos para a elite estéril. O livro conta a história de uma dessas servas, Ofrred, sendo um registo do que viveu durante esse período histórico.


We thought we could do better.
Better? I say, in a small voice. How can he think this is better?
Better never means better for everyone, he says. It always means worse, for some.


As palavras têm poder. Não é por acaso que uma das mais importantes regras do novo governo é que as servas não estão autorizadas a escrever (ou a ler). Na série, a resistência escondida faz uso delas para tentar contar o que está a acontecer. Quão diferente seria, por exemplo, a nossa perspetiva da segunda Guerra se o diário de Anne Frank nunca tivesse sido publicado? No fundo, este livro é um registo semelhante, mas de uma sociedade distópica e imaginária (mas infelizmente com muitos traços da sociedade atual).


O livro e a série complementam-se. Há aspetos que estão melhor descritos no livro e vice-versa. Não gostei do final aberto (em ambos) mas há sempre os finais que imaginamos para as personagens. De qualquer forma, há também a consolação de que a série vai voltar para uma segunda temporada (que estreia no final de Abril).

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