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MAR DE MAIO

Livros, viagens e tudo o que nos acrescenta

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Estou viva, estou viva, estou viva de Maggie O'Farrell

Inês, 02.04.19

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Em «Estou viva, estou viva, estou viva» Maggie O’Farrell escreve sobre 17 experiências de quase-morte. Em cada capítulo, Maggie abre-nos uma janela de um momento da sua vida e partilha uma doença de infância, um encontro assustador num local isolado, um parto arriscado, entre outras experiências.

“Não há nada de único ou especial em experiências de quase-morte. Não são raras; toda a gente, diria eu, já as teve, a dado momento das suas vidas, talvez sem sequer se aperceberem. (…) Estamos, todos nós, a deambular num estado de ignorância inocente, a pedir tempo emprestado, a aproveitar os dias, a escapar aos destinos, a escapar por uma nesga, sem saber quando será dado o golpe. Como escreve Thomas Hardy: «Havia outra data… a  da sua própria morte; um dia que se ocultava, invisível, entre todos os outros dias do ano, sem dar sinal ou fazer som quando ela passava por ele, a cada ano; e ainda assim estava inteiramente presente. Quando seria?»”

Além de ser um livro fluido que dá muito gosto ler, esta edição da Elsinore tem uma capa maravilhosa. Cada capítulo é introduzido por uma ilustração anatómica da parte do corpo relacionada com aquela experiência em particular. Gostei tanto de o ler que a única crítica que tenho é que não o consegui largar e estas 250 páginas passaram completamente a voar pelas minhas mãos.

 

Acho que é difícil não nos relacionarmos com este livro. Todos nós já passámos por um mergulho no mar que poderia ter corrido muito pior ou um acidente de carro que ainda hoje nem sabemos como não acabou mal… Podemos ter passado por mais ou menos experiências assim e ler este livro é, não só relacionarmo-nos com algumas das experiências de Maggie, mas também revivermos as nossas. O ponto comum é que somos todos humanos. Mortais. Pessoas que, de uma forma ou de outra, não passam pela vida sem ter de lidar com a sua própria mortalidade. E, sempre que uma experiência destas nos atinge e saímos ilesos sabemos que tivemos uma sorte do caraças. Estamos vivos, estamos vivos, estamos vivos.

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