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Ler, escrever e viver

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Diani beach no Quénia: praia e vida selvagem

Normalmente, quem vai para a zona de Quénia e Tanzânia e quer fazer praia acaba em Zanzibar, mas honestamente não sei porquê. É que Diani beach é este paraíso:

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Além de um oceano índico maravilhoso com água a 25 graus, Diani alberga várias espécies de macacos, que podem ver no centro de conservação dos Colobus, mas também a atravessar a estrada em pontes aéreas, ou a comer um iogurte roubado no pequeno-almoço do hotel à porta do vosso quarto...

Colobus conservation center

O centro de conservação dos Colobus foi criado para conservar os colobus e o seu habitat na costa do Quénia, depois das suas populações terem diminuído muito por causa da perda de habitat e dos atropelamentos na estrada.

Além de fazerem reabilitação e educação ambiental, também constroem pontes aéreas nas estradas de Diani para os macacos poderem atravessar a estrada sem correrem o risco de ser atropelados pelos carros ou electrocutados nos fios eléctricos.

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O mar em Diani beach tem zonas de coral, que atraem todo o tipo de vida marinha, pelo que o snorkeling e o mergulho são muito praticados na região. Assim, acabámos por fazer uma viagem num barco tradicional, até uma língua de areia para fazer snorkeling.

Acontece que, na maré baixa, a altura do mar fica mesmo muito baixa (é difícil, por exemplo, conseguir mergulhar no mar porque temos de andar muito até ficarmos sem pé). Do barco, como a água é transparente, conseguimos ver imensas estrelas do mar, ouriços, anémonas, enfim, todo o tipo de vida marinha.

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Nos barcos, isto significa que ficam encalhados na areia várias vezes e, pior, nos corais e em toda a vida marinha, por onde vão arrastando o barco de cada vez que encalha. É doloroso de ver para quem entende que, por um lado, tudo aquilo que estão a destruir, vai demorar décadas a recuperar (se alguma vez recuperar…), por outro, porque aquilo é o ganha pão deles. Quem faz dinheiro a levar os turistas a ver vida marinha, vai daqui a 10 ou 20 anos arrepender-se de ter destruído a vida marinha que lhes dava dinheiro… Só que aí já pode ser tarde.

E é claro que isto não é o único problema daquela (e de tantas outras zonas marinhas pelo mundo), nem será sequer o mais problemático, há a pesca e a extracção de areia para construção civil, por exemplo.

Mas a verdade é que nós (turistas) também estamos a ser parte do problema, porque estamos a destruir aquilo que vamos ver, o que não faz qualquer sentido. Se voltasse a Diani, não faria esta viagem na maré baixa porque, de resto, o passeio é muito bonito e consegue-se ver muitos peixes a fazer snorkelling.

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Diani turtle watch

No caminho de volta, encontrámos uma tartaruga marinha… morta, que foi levada para o Diani Turtle Watch, um projecto de conservação de tartarugas marinhas na zona de Diani. Era uma tartaruga verde (lindíssima) que, provavelmente, terá levado uma pancada de um barco na cabeça, o que não é surpreendente porque até motas de água a alta velocidade se vê em zonas onde há corais e onde, consequentemente, há tartarugas.

O centro pode ser visitado e, entre outras coisas, faz protecção dos ninhos de tartaruga marinha naquela zona e faz escavações públicas (algo que eu também já fiz na Grécia).

Basicamente, uma escavação é feita alguns dias depois do ninho ter eclodido e o objectivo é encontrar o ninho, retirar todos os ovos e contar quantos eclodiram de forma bem sucedida e quantos não o fizeram. Por exemplo, apesar de ser proibido por lei, nalgumas praias da Grécia há pessoas a usar moto 4. O problema é que, ao passar por cima de um ninho, as rodas compactam a areia e pode ficar de tal forma compacta que as tartarugas bebés não conseguem sair e ficam presas. Fazer escavações permite-nos perceber se os esforços de conservação estão a resultar ou se temos algum problema para resolver naquela zona.

No dia em que visitámos o centro, havia uma escavação que acabámos por ver. Nem sempre se vêem tartarugas marinhas nestes eventos, às vezes, só vemos mesmo ovos. Mas, é muito frequente haver, pelo menos, uma ou duas tartarugas que, por qualquer razão, não saíram do ninho com todas as outras. Neste caso, vimos 5 e foi muito bom, principalmente depois de termos começado o dia a encontrar uma tartaruga morta.

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Já vi este processo muitas vezes mas nunca deixa de me surpreender a determinação com que aquelas tartarugas minúsculas vão em direcção ao mar. E depois batem em pedras e ficam viradas e de carapaça na areia e viram-se outra vez. E, quando chegam ao mar, levam com ondas que as empurram para a areia, e elas insistem e continuam a tentar até desaparecerem a nadar a uma velocidade impressionante.

A estatística que vão ouvir sempre é que só um ou dois em cada 1000 vão chegar à idade adulta. Isto pode parecer derrotista, mas só torna estes projectos mais importantes, principalmente quando eles existem em países como o Quénia, onde já há tanta gente a viver na pobreza e a precisar de ajuda que apoiar a vida selvagem nunca é prioridade (e as pessoas, infelizmente, também não são).

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