urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:mardemaioMAR DE MAIOLivros, viagens e tudo o que nos acrescentaLiveJournal / SAPO Blogsmardemaio2019-03-30T11:53:44Zurn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:mardemaio:67036Inês2019-04-02T10:12:00Estou viva, estou viva, estou viva de Maggie O'Farrell2019-03-04T18:13:03Z2019-03-30T11:53:44Z<p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" title="estou-viva.JPG" src="https://c2.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Gcb171fe7/21379142_qKiaT.jpeg" alt="estou-viva.JPG" width="1024" height="672" /></p>
<p style="text-align: justify;">Em «<a href="https://www.wook.pt/livro/estou-viva-estou-viva-estou-viva-maggie-o-farrell/21825408?a_aid=5a99d245ccdba" target="_blank" rel="noopener">Estou viva, estou viva, estou viva</a>» Maggie O’Farrell escreve sobre 17 experiências de quase-morte. Em cada capítulo, Maggie abre-nos uma janela de um momento da sua vida e partilha uma doença de infância, um encontro assustador num local isolado, um parto arriscado, entre outras experiências.</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: arial, helvetica, sans-serif;">“Não há nada de único ou especial em experiências de quase-morte. Não são raras; toda a gente, diria eu, já as teve, a dado momento das suas vidas, talvez sem sequer se aperceberem. (…) Estamos, todos nós, a deambular num estado de ignorância inocente, a pedir tempo emprestado, a aproveitar os dias, a escapar aos destinos, a escapar por uma nesga, sem saber quando será dado o golpe. Como escreve Thomas Hardy: «Havia outra data… a da sua própria morte; um dia que se ocultava, invisível, entre todos os outros dias do ano, sem dar sinal ou fazer som quando ela passava por ele, a cada ano; e ainda assim estava inteiramente presente. Quando seria?»”</span></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">Além de ser um livro fluido que dá muito gosto ler, esta edição da Elsinore tem uma capa maravilhosa. Cada capítulo é introduzido por uma ilustração anatómica da parte do corpo relacionada com aquela experiência em particular. Gostei tanto de o ler que a única crítica que tenho é que não o consegui largar e estas 250 páginas passaram completamente a voar pelas minhas mãos.</p>
<p> </p>
<p style="text-align: justify;">Acho que é difícil não nos relacionarmos com este livro. Todos nós já passámos por um mergulho no mar que poderia ter corrido muito pior ou um acidente de carro que ainda hoje nem sabemos como não acabou mal… Podemos ter passado por mais ou menos experiências assim e ler este livro é, não só relacionarmo-nos com algumas das experiências de Maggie, mas também revivermos as nossas. O ponto comum é que somos todos humanos. Mortais. Pessoas que, de uma forma ou de outra, não passam pela vida sem ter de lidar com a sua própria mortalidade. E, sempre que uma experiência destas nos atinge e saímos ilesos sabemos que tivemos uma sorte do caraças. Estamos vivos, estamos vivos, estamos vivos.</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:mardemaio:68274Inês2019-03-26T10:50:00Photoark: a exposição de Joel Sartore2019-03-09T14:51:39Z2019-03-15T18:17:47Z<p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" title="photoark.jpeg" src="https://c6.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/G5b1773d3/21379753_GYRWW.jpeg" alt="photoark.jpeg" width="900" height="600" /></p>
<p style="text-align: justify;">Photoark é o projeto fotográfico de Joel Sartore que tem como objetivo fotografar todas as espécies animais num estúdio para alertar para a importância da sua conservação. Um dos objetivos é mostrar que, apesar de haver espécies de que gostamos mais (como os felinos ou os pandas) todas as espécies merecem ser conservadas.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">É uma exposição pequena mas vale a apena, não só pelas fotografias, como também pelo documentário que é exibido numa das salas e pelos pequenos filmes que vão passando em alguns ecrãs. Algumas expressões que Joel conseguiu captar nestas fotografias fazem-nos sorrir, outras fazem-nos pensar. Os vídeos mostram as tentativas (muitas vezes frustradas e sempre engraçadas) de tentar manter animais selvagens parados num estúdio para as fotografias.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Esta exposição da National Geographic está em Lisboa, na Cordoaria Nacional, até dia 5 de Maio. Mais informação <a href="https://www.natgeo.pt/photoark" target="_blank" rel="noopener">aqui</a>.</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:mardemaio:67817Inês2019-03-19T10:50:00Tudo o que ficou por dizer de Celeste Ng2019-03-06T12:50:36Z2019-03-16T21:01:43Z<p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" title="celeste-ng-tudo.JPG" src="https://c7.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Gb1186677/21379141_OOl32.jpeg" alt="celeste-ng-tudo.JPG" width="1024" height="688" /></p>
<p style="text-align: justify;">«<a href="https://www.wook.pt/livro/tudo-o-que-ficou-por-dizer-celeste-ng/17651861?a_aid=5a99d245ccdba" target="_blank" rel="noopener">Tudo o que ficou por dizer</a>» é o primeiro livro de Celeste Ng, autora de «<a href="https://mardemaio.blogs.sapo.pt/pequenos-fogos-em-todo-o-lado-de-54647" target="_blank" rel="noopener">Pequenos fogos em todo o lado</a>», um livro de que gostei muito. Tal como no pequenos fogos, demorei algum tempo a acostumar-me com a história e com os personagens e, a partir daí, li o livro em poucos dias.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Celeste Ng tem uma escrita de que gosto muito. É fluida mas pensada, racional, cheia de detalhes e pormenores. Escreve sem pressa, construindo as personagens e a história aos poucos. Afinal, não há motivo para pressa porque, tal como no pequenos fogos, este livro também começa pelo fim. Desde o primeiro capítulo que sabemos que Lydia morreu. Os seus pais e irmãos estão perdidos, e querem saber como e porquê.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Talvez as comparações sejam um bocadinho injustas e talvez seja mais injusto ainda ter pensado que este livro, por ser bem menos conhecido que o pequenos fogos, seria menos interessante. Mas, na verdade, achei o contrário. Gostei muito de pequenos fogos mas fiquei rendida a este livro. Ao longo dos capítulos, a autora vai tecendo uma teia para explicar a morte de Lydia. Uma teia que passa por todos os personagens e que vai revelando aquilo que têm de mais humano– as suas falhas, as expetativas que os outros têm sobre eles, os seus medos, os sonhos abandonados e os desejos que todos temos de ser aceites, compreendidos, valorizados.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Este é um livro sobre uma família que tal como diria Tólstoi é infeliz à sua maneira. Mas é também verdade que cada família tem as suas próprias complexidades e é isso que este livro traz à tona e que há de comum entre todos nós.</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:mardemaio:68893Inês2019-03-12T10:44:00Saudades de um banho quente2019-03-10T17:05:50Z2019-03-11T15:24:55Z<p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" title="sylvia-plath.jpg" src="https://c6.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Gfa183d25/21380878_FFcCz.jpeg" alt="sylvia-plath.jpg" width="826" height="557" /></p>
<p><span style="text-align: justify; font-size: 12pt;">Estou a ler «<a href="https://www.wook.pt/livro/a-campanula-de-vidro-sylvia-plath/18498253?a_aid=5a99d245ccdba" target="_blank" rel="noopener">A campânula de vidro</a>» de Sylvia Plath e identifiquei-me muito com isto:</span></p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: arial, helvetica, sans-serif;">Deve haver certamente algumas coisas que um banho quente não seja capaz de curar, mas eu não conheço muitas. Sempre que estou profundamente triste, ou tão nervosa que não consigo adormecer, ou apaixonada por alguém que não irei ver durante uma semana, colapso e digo a mim própria: «Vou tomar um banho quente.»</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: arial, helvetica, sans-serif;">No banho, medito. A água tem de estar muito quente, a ponto de ser quase impossível meter o pé lá dentro. (...) Não acredito no batismo das águas do Jordão ou em coisas semelhantes, mas acho que o banho quente deve estar para mim como a água benta para os crentes.</span></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">Também não conheço nenhuma forma melhor de recuperar de um dia demasiado longo (ou demasiado mau) do que tomar um banho quente. A personagem também descreve que se lembra de todas as banheiras onde já tomou banho. Também é o meu caso. Aliás, quando penso em férias lembro-me logo da banheira do sítio onde fiquei alojada (quando existia uma).</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" title="new-girl.jpg" src="https://c5.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/G89182ce9/21379789_BAIaC.jpeg" alt="new-girl.jpg" width="600" height="323" /></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="text-align: justify; font-size: 12pt;">A casa onde moro neste momento, por muitas qualidades que tenha, não tem banheira o que para mim é um grande defeito. Há um episódio da New Girl onde Jess, cansada de estar num apartamento sem banheira, decide comprar uma para meter no terraço. A coisa não corre propriamente bem uma vez que a água acaba por escorrer para a casa e inundar o apartamento. Mas juro que quando vi esse episódio pensei "Se ao menos eu tivesse um terraço...". Enfim, já sei que quando me mudar até pode ser para uma casa pior e mais pequena mas... tem de ter banheira.</span></p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:mardemaio:66527Inês2019-03-04T10:14:00A amiga genial: a série da HBO2019-02-24T17:54:19Z2019-03-02T20:37:31Z<p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" title="my_brilliant_friend.jpg" src="https://c3.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/G3918725e/21364836_yY1Uw.jpeg" alt="my_brilliant_friend.jpg" width="768" height="433" /></p>
<p style="text-align: justify;">Acho que é sempre um trabalho ingrato dar vida a um livro ou uma série no grande ecrã. Quem leu os livros, quem se envolveu com as personagens e se emocionou com as suas histórias não consegue ver uma adaptação sem prestar atenção às diferenças e fazer zoom aos defeitos.</p>
<p> </p>
<p style="text-align: justify;">Foi, por isso, que andei a adiar ver a adaptação da «Amiga genial» feita pela HBO. Esforcei-me para largar os livros e me focar só na série, mas não consegui. Reparei nos defeitos e apontei as diferenças. Mesmo assim, gostei muito. Gostei de rever as personagens e, apesar de algumas diferenças, não as achei muito desfasadas da imagem que criei delas. Mais importante do que isso, Nápoles e o espírito bairrista que Elena Ferrante construiu ao longo da série está lá. Com toda a sua decadência, todas as suas regras e os seus dramas familiares. O dialeto napolitano está lá. As (mais que muitas) voltas e reviravoltas da vida dos personagens estão lá. Os seus defeitos e contradições estão lá.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">O The Guardian escreveu uma <a href="https://www.theguardian.com/tv-and-radio/2018/nov/19/my-brilliant-friend-review-elena-ferrante-neapolitan-novel" target="_blank" rel="noopener">review </a>maravilhosa sobre a série que, entre outras coisas, diz isto:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: arial, helvetica, sans-serif;">There are moments that should be small, because the events are small, but they are made weighty and beautiful: Lenù stepping forward to hand Lila the perfect stone with which to counterattack the boys who are after her; the moment they hold hands at the door of the local bogeyman, Don Achille, who, in this episode, is a faceless spectre made up of stories and rumours. It does a lot with a little.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: arial, helvetica, sans-serif;">Lenù and Lila are different from those around them, in their energy and their brightness. (...) There is love and rivalry, a desire to embody the other person and to better them at the same time. It is a period piece, but it is timeless, and it is a more honest and vivid portrait of the lives of young girls than I can recall seeing on TV.</span></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Está uma série muito bem conseguida e muito fiel ao livro e aos seus personagens. Aliás, a Elena Ferrante esteve envolvida no processo de criação e acho que não iria concordar com algo diferente. São 8 episódios de cerca de uma hora que se referem ao primeiro livro. A segunda temporada já foi confirmada e vai sair, em princípio, algures no final deste ano.</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:mardemaio:66563Inês2019-02-25T10:31:00My sister, the serial killer de Oyinkan Braithwaite2019-02-24T12:31:14Z2019-03-17T13:39:45Z<p style="text-align: justify;">Este livro começa com a personagem principal, Korede, a ser chamada pela irmã para limpar uma cena de crime. A irmã, Ayoola, matou o namorado. Já é a terceira vez que isso acontece o que faz dela oficialmente uma serial killer.</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: arial, helvetica, sans-serif;">Femi makes three you know. Three and they label you a serial killer.</span></p>
</blockquote>
<p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" title="my-sister-serial-killer.jpg" src="https://c2.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Gdb1758f2/21379734_1jQzt.jpeg" alt="my-sister-serial-killer.jpg" width="1024" height="605" /></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="text-align: justify; font-size: 12pt;">A história passa-se na Nigéria onde Korede é enfermeira e divide os seus dias entre os pacientes do hospital onde trabalha e a vida familiar. Depois da morte do pai, Korede vive com a mãe e a irmã numa dinâmica onde a família está acima de tudo. É, por isso, que ao longo do livro vamos acompanhando o dilema de Korede: deve ou não denunciar a irmã pelos crimes que cometeu (e que poderá continuar a cometer)? </span></p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Gostei muito deste livro que, apesar de ter um tema algo sério e de se focar na relação complicada entre as duas irmãs, me fez rir em muitos momentos. É uma mistura de crime/drama com comédia que se lê muito bem. Além disso, dá-nos a conhecer a dinâmica familiar rígida da cultura nigeriana. Não é um livro extraordinário, ou não fosse o primeiro desta autora, mas é um ótimo começo e vou certamente querer ler os próximos livros que venha a publicar.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">P.S. - Infelizmente, não está traduzido em Portugal, mas a <a href="https://www.wook.pt/livro/my-sister-the-serial-killer-oyinkan-braithwaite/22276463?a_aid=5a99d245ccdba" target="_blank" rel="noopener">versão em inglês de capa dura está na wook</a>. Este livro foi a minha escolha de Fevereiro para o projeto literário da Rita da nova "<a href="https://ritadanova.blogs.sapo.pt/uma-duzia-de-livros-o-que-e-110172" target="_blank" rel="noopener">Uma dúzia de livros</a>". O tema era sobre famílias.</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:mardemaio:64378Inês2019-02-19T10:08:00Anne with an E: a série e o livro2019-01-26T16:21:22Z2019-02-16T12:51:20Z<p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" title="anne-with-an-E.jpg" src="https://c7.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Gc418fbb0/21330301_ilOT1.jpeg" alt="anne-with-an-E.jpg" width="768" height="433" /></p>
<p style="text-align: justify;">Há umas semanas vi este <a href="https://www.youtube.com/watch?v=eq_4bSViHxk" target="_blank" rel="noopener">vídeo</a> sobre Harry Potter que toca num ponto sensível para muita gente. E se Hogwarts não passou de um produto da imaginação de Harry? E se, na verdade, Harry nunca deixou aquele quarto minúsculo na casa dos tios? O vídeo mostra uma entrevista com J.K.Rowling onde ela confessa que pensou muitas vezes nisso. Enquanto o via, também me lembrei daquele momento no último filme, em que Harry pergunta a Dumbledore se o sonho que está a ter é produto da sua imaginação. A resposta: <em>Of course it is happening inside your head, Harry, but why on earth should that mean that it is not real?</em></p>
<p> </p>
<p style="text-align: justify;">Como é que isto nos leva até "<a href="https://www.youtube.com/watch?v=S5qJXYNNINo" target="_blank" rel="noopener">Anne with an E</a>"? Muito simples. Esta série da netflix, adaptada dos livros de Lucy Maud Montgomery, é uma ode à imaginação. A personagem principal, Anne, é uma orfã adoptada por dois irmãos de Green Gables, para onde vai viver. Anne vive no mundo real, mas também nos inúmeros mundos imaginários que existem dentro da sua cabeça.</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: arial, helvetica, sans-serif;">Tinha estado a ler, mas o livro escorregara-lhe para o chão, e agora sonhava, com um sorriso nos lábios entreabertos. A sua imaginação viva arquitetava castelos no ar; no seu mundo imaginário decorriam aventuras maravilhosas e deliciosas, aventuras que terminavam sempre triunfalmente e nunca a envolviam em complicações, como as da vida real.</span></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">Sei que muita gente não gosta que se mude a ordem natural das coisas mas tal como já fiz para Orange is the new black e The handmaid's tale, começei por ver a série e só depois li o livro. Quando acabamos de ver uma série de que gostamos muito há uma sensação agridoce. A minha solução passa por continuar a explorar aquela história no livro (se existir). Até agora, só me tenho surpreendido pela positiva. E "Anne with an E" (ou "<a href="https://www.wook.pt/livro/anne-das-empenas-verdes-l-m-montgomery/19311241?a_aid=5a99d245ccdba" target="_blank" rel="noopener">Anne das empenas verdes</a>" na tradução da Relógio d'Água) não foi exceção.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Adorei a série, que tem personagens bem construídos, cenários maravilhosas e é uma adaptação muito bem conseguida da história original. Mas gostei ainda mais do livro. Começei por dar 4 estrelas no goodreads mas, como acontece com os bons livros, percebi que algumas semanas depois de o ter terminado ainda estava a pensar nele. E mudei para 5 estrelas. No final reli todas as passagens que marquei e deixo aqui duas preferidas:</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Sobre a(s) pessoa(s) que somos:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: arial, helvetica, sans-serif;">Há em mim uma porção de Anne distintas. Às vezes penso que é por isso mesmo que sou uma pessoa tão difícil. Se houvesse uma Anne só, seria muito mais cómodo, embora não tivesse metade da graça.</span></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">Sobre o luto:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: arial, helvetica, sans-serif;">Hoje (...) dei comigo a rir. Quando aquilo aconteceu julguei que nunca mais fosse capaz de rir. E, não sei porquê, tenho a impressão de que não devia. Desagrada-nos o pensamento de que qualquer coisa nos possa agradar quando alguém a quem amámos já não está connosco para partilhar esse prazer, e sentimo-nos quase que infiéis à nossa dor quando descobrimos que voltamos a ter interesse pela vida.</span></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p>Recomendo muito. Este é um daqueles livros que vou guardar porque sei que vou querer reler.</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:mardemaio:65146Inês2019-02-13T10:35:00A quem abandonou a minha gata2019-01-28T00:35:54Z2019-02-12T17:01:07Z<p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" title="gata.jpg" src="https://c10.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Gf618e739/21350436_KSaZk.jpeg" alt="gata.jpg" width="1024" height="648" /></p>
<p style="text-align: justify;">Já foi há uns anos que estava a subir a rua para chegar a casa, depois da faculdade, e vi uma transportadora de gatos no meio do passeio. Parei e espreitei. Lá dentro estava uma gata preta, adulta, com os olhos amarelos esbugalhados para mim. Aproximei a mão e pôs logo a cabeça a jeito para receber festas. A transportadora estava aberta. Olhei à volta e não vi ninguém. Fui a uma papelaria próxima (que tinha vários gatos) e tentei convencer o senhor a ficar com ela. Não quis. Levei-a para minha casa. Não quis sair da transportadora por nada e lá ficou durante uns dias, com água e comida. Depois, aos poucos, foi saindo. Ficou tão assustada com tantas mudanças que lhe caiu uma boa parte do pêlo.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Olhando para ela acho que não mudou muito. Continua a não se entusiasmar demasiado com a minha presença. A manter o seu meio-termo de gostar de festas mas não de colo. Continua preta com uns pêlos brancos no queixo como se tivesse barba. Continua com aqueles olhos meio amarelos meio verdes que já me pregaram alguns sustos quando olha para mim <span style="font-size: 18.6667px;">no escuro.</span></p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Chamei-lhe Petra, um trocadilho com preta, a esta gata que alguém abandonou numa transportadora no meio do passeio e que me tem feito muita companhia ao longo dos anos. Gostava que tivesse havido, ao menos, um bilhete. De saber se veio da rua, se já tinha tido doenças, se estava esterilizada (não estava mas demorámos a descobrir), se tinha nome… Talvez tenham pensado que ninguém ia ficar com uma gata adulta e que ela ia ficar pela rua. Ou talvez não tenham querido saber. Não sei. O que sei é que, no fim de contas, eu ganhei uma boa companhia nesse dia e aquelas pessoas (quem quer que sejam) perderam muito mais do que imaginam.</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:mardemaio:64244Inês2019-02-05T10:29:00Capas de livros: Portugal vs Brasil2019-01-26T15:51:27Z2019-02-04T19:38:04Z<p style="text-align: justify;">Há algumas semanas fiquei encantada com <a href="https://cupofjo.com/2019/01/book-covers-us-vs-uk/" target="_blank" rel="noopener">este</a> post do blog Cup of Jo que compara capas de livros entre o Reino Unido e os Estados Unidos. Acabei por pesquisar diferentes capas para edições de Portugal e do Brasil e reuni algumas das minhas preferidas neste post.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" title="elena-ferrante.png" src="https://c5.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Gce170204/21330281_MQPCU.png" alt="elena-ferrante.png" width="1024" height="757" /></p>
<p style="text-align: justify;">Esta é capaz de ser uma das diferenças mais engraçadas. A capa brasileira, à esquerda, dá aos livros da Ferrante um ar de leveza e de novela. Enquanto a capa portuguesa lhe dá um ar de seriedade. Neste caso, gosto mais das capas portuguesas (tanto deste volume como dos restantes).</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" title="grace.png" src="https://c6.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Gbf177f8f/21330271_dLGsZ.png" alt="grace.png" width="1024" height="755" /></p>
<p style="text-align: justify;">Gosto muito das duas capas mas, se tivesse de escolher, optava pela do Brasil, à esquerda. Apesar de não ter lido o livro (só vi a série) acho que está mais adequada ao mistério que Margaret Atwood criou em torno de Grace.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" title="morte-pai-karl-ove.png" src="https://c2.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/G8317ce72/21330292_lc5mp.png" alt="morte-pai-karl-ove.png" width="1024" height="750" /></p>
<p style="text-align: justify;">Mais uma série de livros em que as edições portuguesas e brasileiras têm capas completamente diferentes. Neste caso, gosto mais das do Brasil (podem ver as primeiras três <a href="https://www.rbsdirect.com.br/imagesrc/17651182.jpg?w=700" target="_blank" rel="noopener">aqui</a>).</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" title="svetlana-chernobyl.png" src="https://c9.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/G6518d35d/21330294_b8Zc0.png" alt="svetlana-chernobyl.png" width="1024" height="755" /></p>
<p style="text-align: justify;">Neste caso, nem preciso de pensar no assunto porque acho a edição da Elsinore linda. Tenho <a href="https://mardemaio.blogs.sapo.pt/as-vozes-de-chernobyl-53924" target="_blank" rel="noopener">este livro</a> e é um dos mais bonitos da minha estante. Não só pela capa mas também porque a Elsinore tem sempre muita atenção aos detalhes nos livros que publica.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" title="campanula-vidro-sylvia-plath.png" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/G2918f353/21334843_UBE0a.png" alt="campanula-vidro-sylvia-plath.png" width="1024" height="772" /></p>
<p style="text-align: justify;">Um exemplo de duas edições recentes de um livro clássico. Gosto muito de ambas as edições, mas acho a portuguesa da Relógio d'água mais bonita (à direita na imagem).</p>
<p> </p>
<p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" title="tara-westover-educação.png" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/G2518b413/21330266_ZZYy3.png" alt="tara-westover-educação.png" width="1024" height="765" /></p>
<p style="text-align: justify;">Neste caso, o título em português ("<a href="https://mardemaio.blogs.sapo.pt/uma-educacao-de-tara-westover-62070" target="_blank" rel="noopener">Uma educação</a>") é muito semelhante ao original ("Educated") e o do Brasil foge um bocadinho ao original. Confesso que, apesar de preferir a capa portuguesa (à direita na imagem), acho que nenhuma delas se aproxima da minha preferida (<a href="https://www.penguinrandomhouse.com/books/550168/educated-by-tara-westover/9780399590504/" target="_blank" rel="noopener">esta</a>) que é só uma das capas mais bonitas que já vi.</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:mardemaio:65361Inês2019-01-29T10:00:00Sex education: a experiência social da netflix2019-01-27T17:55:28Z2019-01-27T18:12:20Z<p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" title="sex-education-netflix.jpg" src="https://c6.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/G0118a37a/21331150_70kyz.jpeg" alt="sex-education-netflix.jpg" width="1020" height="680" /></p>
<p style="text-align: justify;">No geral, acho que o ser humano é muito dogmático. Muito convencido das suas próprias certezas. Bom, só posso falar por mim. Eu sou assim. Mesmo que não queira e mesmo que depois tenha de engolir o orgulho para desdizer o que disse. Foi assim quando depois de anos a dizer que de-tes-ta-va tartes de maçã decidi provar a do Macdonald’s. Convencidíssima de que ia detestar. E, claro, adorei. É só mergulhar num sundae de caramelo e torna-se numa das melhores coisas da vida. A sério, é mesmo bom.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Mas, adiante. Estava convencidíssima de que não ia gostar desta série depois de ver o <a href="https://www.youtube.com/watch?v=o308rJlWKUc&t=2s" target="_blank" rel="noopener">trailer</a>. Vi o primeiro episódio só porque tenho gostado de tantas coisas na netflix que se torna difícil dizer que não. E, claro, adorei. Esta série conseguiu pegar em todos os clichés da adolescência e das relações (amorosas e não só) e dar-lhes honestidade e humor. É uma espécie de experiência social. Criaram uma série em que os personagens se atrevem a dizer tudo aquilo que pensamos e não temos coragem de dizer em voz alta. Sobre nós, sobre os outros, sobre a vida.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Junte-se a isto uma banda sonora dos anos 80, diálogos muito bem escritos, personagens bem construídas e umas paisagens de sonho. A sério, <a href="https://www.atlasofwonders.com/2019/01/sex-education-filming-locations.html" target="_blank" rel="noopener">quão bonito é o sítio onde filmaram a série</a>? Chama-se Wye valley e fica na fronteira entre a Inglaterra e o País de Gales.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">A única coisa de que não gostei foi do final. Está tão inacabado que pede claramente uma segunda temporada (que ainda não foi confirmada) pelo que, quando acaba, uma pessoa se sente um bocadinho abandonada. Resta-me a consolação de que há muito para explorar nestas personagens pelo que acho muito provável que uma (ou mais) temporadas venham mesmo a acontecer. E ainda bem. Esta história merece mais do que aqueles oito episódios. </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:mardemaio:63909Inês2019-01-26T19:00:00A menina que sorria contas de Clemantine Wamariya2019-01-03T15:49:41Z2019-01-26T17:00:43Z<p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" title="menina-que-sorria-contas-ruanda.jpg" src="https://c3.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/G29184b23/21330318_vakZM.jpeg" alt="menina-que-sorria-contas-ruanda.jpg" width="1024" height="859" /></p>
<p style="text-align: justify;">Se houver uma lista dos filmes aos quais é impossível ficar indiferente, o hotel Ruanda deve estar no topo. Para Clemantine, aquele era o hotel onde costumava ir nadar. Clemantine viveu na pele o genocídio e fugiu, com a irmã, para se tornar refugiada. Muitos anos depois, acabou a viver nos Estados Unidos e a participar num <a href="https://www.youtube.com/watch?v=atqh0p0Ckl8" target="_blank" rel="noopener">programa da Oprah</a>. O vídeo correu o mundo pelas melhores razões. 12 anos depois de fugirem do Ruanda, Clemantine a irmã reencontram os pais que achavam mortos no genocídio.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Na realidade, a história de Clemantine é muito mais longa do que estes parágrafos. Quando foge do Ruanda com a irmã e se torna refugiada, passa por vários países africanos e vários campos de refugiados com condições péssimas. A irmã Claire está determinada a não se conformar e tenta sempre arranjar uma saída para um sítio um bocadinho melhor. Foi essa determinação que fez com que acabassem nos Estados Unidos.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Para mim, o melhor deste livro não são estas vivências que se vão tornando um bocadinho repetitivas, mas sim a parte em que Clemantine chega aos Estados Unidos. A forma como se tenta adaptar a um país e cultura completamente diferentes da realidade onde cresceu. E depois daquele programa da Oprah, onde reencontra os pais, a forma como tenta recuperar com eles uma relação que ficou parada durante décadas.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Este é um livro que é difícil ler nalguns momentos porque é duro, crú. Mas é um livro necessário porque a história de Clemantine é apenas uma de muitas e porque o tema dos refugiados é (infelizmente) muito atual.</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: arial, helvetica, sans-serif;">É estranho como se começa por ser uma pessoa longe de casa e se passa a ser uma pessoa sem casa. O lugar que, supostamente, nos devia receber expulsa-nos. Nenhum outro lugar nos acolhe. É-se indesejado, por toda a gente. É-se um refugiado.</span></p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">P.S. - Este post faz parte do projeto literário da Rita da nova "<a href="https://ritadanova.blogs.sapo.pt/uma-duzia-de-livros-o-que-e-110172" target="_blank" rel="noopener">Uma dúzia de livros</a>".</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:mardemaio:60904Inês2019-01-15T10:29:00Para 2019: um ano de clássicos2018-09-09T10:09:30Z2019-01-04T20:34:41Z<p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" title="clássicos.jpg" src="https://c7.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Gf3131e6b/21163934_dPa7L.jpeg" alt="clássicos.jpg" width="803" height="535" /></p>
<p style="text-align: justify;">Este post também se poderia chamar: É este ano que vou ler os livros que estão na minha lista há séculos. Alguns já tinha em casa há muito tempo, outros foram sendo adquiridos nos últimos meses e ficando de parte, por uma outra razão.</p>
<p> </p>
<p style="text-align: justify;">Em primeiro lugar, quando estava a escrever este post percebi que não sabia bem o que era um livro clássico. E fui pesquisar. Segundo <a href="http://noticias.universia.com.br/destaque/noticia/2014/02/25/1084259/e-um-livro-classico.html" target="_blank" rel="noopener">esta</a> página, que tem uma definição muito boa, clássicos são livros intemporais, que não perdem valor com o tempo. São livros com um tema universal (como o amor ou a morte) capazes de mexer com pessoas de culturas diferentes. E, por último, são livros que influenciam outros autores.</p>
<p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" title="clássicos.JPG" src="https://c5.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/G2a119d04/21163937_DpLu0.jpeg" alt="clássicos.JPG" width="1024" height="579" /></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 14pt;"><strong> <a href="https://www.wook.pt/livro/laranja-mecanica-anthony-burgess/18910264?a_aid=5a99d245ccdba" target="_blank" rel="noopener"> </a><a href="https://www.wook.pt/livro/laranja-mecanica-anthony-burgess/18910264?a_aid=5a99d245ccdba" target="_blank" rel="noopener">A laranja mecânica</a> de Anthony Burgess</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;">Foi publicado nos anos 60 e conta a história de Alex, um adolescente membro de um gang que é capturado pelo estado e submetido a terapia de condicionamento social. Uma distopia que imagina uma sociedade futurista em que a violência atinge proporções assustadoras e provoca uma resposta igualmente agressiva por parte do governo totalitário.</p>
<p> </p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-size: 14pt; font-family: arial, helvetica, sans-serif;"><strong><a href="https://www.wook.pt/livro/fahrenheit-451-ray-bradbury/21813586?a_aid=5a99d245ccdba" target="_blank" rel="noopener">Fahrenheit 451</a> de Ray Bradbury</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;">Guy Montag é um bombeiro e o seu emprego consiste em destruir livros proibidos e as casas onde esses livros estão escondidos. Ele nunca questiona a destruição causada, e no final do dia regressa para a sua vida apática com a esposa, Mildred, que passa o dia imersa na sua televisão. Um dia, Montag conhece a sua excêntrica vizinha Clarisse ela apresenta-o a um passado onde as pessoas viviam sem medo.</p>
<p> </p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-size: 14pt; font-family: arial, helvetica, sans-serif;"><strong><a href="https://www.wook.pt/livro/admiravel-mundo-novo-aldous-huxley/15294750?a_aid=5a99d245ccdba" target="_blank" rel="noopener">Admirável mundo novo</a> de Aldous Huxley</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;">Um livro que descreve uma sociedade futura em que as pessoas seriam condicionadas em termos genéticos e psicológicos, a fim de se conformarem com as regras sociais dominantes. Tal sociedade dividir-se-ia em castas e desconheceria os conceitos de família e de moral. Bernard Marx, o protagonista, sente-se descontente com esse mundo. Então, numa espécie de reserva histórica em que algumas pessoas continuam a viver de acordo com valores e regras do passado, Bernard encontra um jovem que irá apresentar à sociedade asséptica do seu tempo, como um exemplo de outra forma de ser e de viver.</p>
<p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px; width: 560px; height: 477px;" title="classicos-literatura.JPG" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Gef114e6f/21166456_sTzTa.jpeg" alt="classicos-literatura.JPG" width="706" height="599" /></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 14pt;"><strong><a href="https://www.wook.pt/livro/mrs-dalloway-virginia-woolf/11220000?a_aid=5a99d245ccdba" target="_blank" rel="noopener">Mrs. Dalloway</a> de Virginia Wolf</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;">Nunca li nada de Virginia Wolf e decidi começar por este livro. Passa-se após a Primeira Guerra quando o Verão se apodera de Londres e Clarissa prepara-se para dar mais uma das suas festas. Mas o aparecimento de Peter Walsh, o seu primeiro amor, vai atiçar o passado, trazendo-lhe à memória os sonhos de juventude. E, de súbito, Clarissa Dalloway toma consciência da força da vida em seu redor.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 14pt;"><strong><a href="https://www.wook.pt/livro/a-campanula-de-vidro-sylvia-plath/18498253?a_aid=5a99d245ccdba" target="_blank" rel="noopener">A Campânula de vidro</a> de Sylvia Plath</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;">Foi publicado em 1963 com autoria atribuída a Victoria Lucas. O motivo que levou Sylvia Plath a recorrer a um pseudónimo foi a óbvia coincidência existente entre personagens, eventos e lugares ali descritos, e a realidade biográfica da autora. O livro é, assim, uma mistura entre realidade e ficção que tem servido, ao longo dos anos, a uma grande variedade de autores.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Já leram algum destes clássicos? Que outros livros sugerem?</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:mardemaio:61337Inês2019-01-04T10:39:009 blogs em português para seguir este ano2018-09-14T12:39:59Z2018-12-26T10:33:13Z<p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" title="blogs.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/G0207853d/21169665_RtjGb.jpeg" alt="blogs.jpg" width="1024" height="681" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><a href="http://bobbypinss.blogspot.com" target="_blank" rel="noopener">Bobby pins</a></strong> – A Inês tem um dos blogs mais cheios de vida da blogosfera. Escreve sobre tudo, desde sugestões de livros e filmes, a lugares que visitou e experiências que viveu.</p>
<p style="text-align: justify;"><br /><strong><a href="https://thirteen.pt" target="_blank" rel="noopener">Thirteen</a> </strong>– A Carolina escreveu há que tempos um post sobre o Mar de Maio que me deixou muito feliz. E, tem um dos meus blogs preferidos. O ano passado partilhou muito sobre o <a href="https://www.thirteen.pt/search/label/Viagens" target="_blank" rel="noopener">interrail</a> que viveu.</p>
<p style="text-align: justify;"><br /><strong><a href="http://entre-parentesis.blogs.sapo.pt" target="_blank" rel="noopener">Entre parêntesis</a></strong> – Um dos primeiros blogs que comecei a acompanhar há muitos anos atrás (nem sei quantos) e que continua a ser um dos meus preferidos.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"><strong><a href="http://fuiprocrastinar.blogs.sapo.pt" target="_blank" rel="noopener">Procastinar também é viver</a></strong> - Outro blog do sapo que sigo há alguns anos e que tem sempre textos interessantes sobre livros e textos mais pessoais. Recomendo muito.</p>
<p style="text-align: justify;"><br /><strong><a href="http://ritadanova.blogs.sapo.pt" target="_blank" rel="noopener">Rita da nova</a></strong> – Um blog que fala sobre algumas das minhas coisas preferidas: livros, viagens, gatos e escrita.</p>
<p style="text-align: justify;"><br /><a href="http://insensatez.blogs.sapo.pt" target="_blank" rel="noopener"><strong>Insensatez</strong> </a>– Um blog que também escreve sobre de tudo um pouco (como eu gosto), contando ainda com muitas opiniões sobre temas da atualidade.</p>
<p style="text-align: justify;"><br /><strong><a href="https://viagensasolta.com/" target="_blank" rel="noopener">Viagens à solta</a></strong> – Provavelmente o meu blog de viagens preferido em português.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"><strong><a href="http://amulherqueamalivros.pt" target="_blank" rel="noopener">A mulher que ama livros</a></strong> - Pelas muitas sugestões e opiniões de livros de todos os géneros.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"><strong><a href="https://frascodememorias.com/" target="_blank" rel="noopener">Frasco de memórias</a></strong> - Um blog que descobri este ano (através do <a href="https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt" target="_blank" rel="noopener">Delito de opinião</a>) e onde se escreve sobre memórias e sobre a vida. Se ainda não conhecem, vale muito a pena darem uma espreitadela.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">E desse lado? Que blogs bons descobriram recentemente e vão continuar a seguir este ano?</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:mardemaio:57568Inês2018-12-26T10:27:00O melhor deste ano pelo blog 2018-08-26T17:07:29Z2018-10-27T08:43:23Z<p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" title="mar-maio.jpg" src="https://c9.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/G3f139bfe/21170915_bWbKQ.jpeg" alt="mar-maio.jpg" width="960" height="960" /></p>
<p style="text-align: justify;">À semelhança do que fiz no final de <strong><a href="https://mardemaio.blogs.sapo.pt/o-melhor-deste-ano-pelo-blog-34710" target="_blank">2016</a></strong> e de <strong><a href="https://mardemaio.blogs.sapo.pt/o-melhor-deste-ano-pelo-blog-42136" target="_blank">2017</a></strong> aqui ficam os meus posts preferidos deste ano:</p>
<p> </p>
<p><strong>1.</strong> Não escrevi em Janeiro mas em Fevereiro voltei ao blog com <strong><a href="https://mardemaio.blogs.sapo.pt/porque-voltei-ao-blog-e-espero-voltar-47546" target="_blank">este post</a></strong>.</p>
<p> </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>2.</strong> Fui ao <strong><a href="https://mardemaio.blogs.sapo.pt/as-historias-do-national-geographic-51669" target="_blank">National Geographic Summit</a></strong> pela segunda vez e adorei. Escrevi sobre as palestras e sobre a minha preferida: a <strong><a href="https://mardemaio.blogs.sapo.pt/a-coreia-do-norte-pelo-olhar-de-51385" target="_blank">história de Hyeonseo Lee</a></strong>, refugiada norte-coreana, que escreveu um livro, sobre o qual também escrevi <strong><a href="https://mardemaio.blogs.sapo.pt/a-relatividade-dos-problemas-do-52406" target="_blank">aqui</a></strong>.</p>
<p> </p>
<p><strong>3.</strong> Fiz 25 anos (autch) e escrevi este post: <strong><a href="https://mardemaio.blogs.sapo.pt/7-aprendizagens-em-25-anos-46767" target="_blank">sete aprendizagens em 25 anos</a>.</strong></p>
<p> </p>
<p><strong>4.</strong> Fui ao Porto<strong> <a href="https://mardemaio.blogs.sapo.pt/ser-turista-no-porto-por-um-dia-54962" target="_blank">pela primeira vez</a></strong> para ver a <strong><a href="https://mardemaio.blogs.sapo.pt/frida-kahlo-uma-exposicao-de-fotografia-54505" target="_blank">exposição de fotografia da Frida Kahlo</a>.</strong></p>
<p> </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>5.</strong> Passei um mês no Verão a fazer <strong><a href="https://mardemaio.blogs.sapo.pt/a-peloponnese-grecia-em-12-fotografias-56788" target="_blank">voluntariado com tartarugas marinhas na Peloponnese</a></strong> (Grécia). Começou com um <strong><a href="https://mardemaio.blogs.sapo.pt/um-primeiro-dia-dificil-na-grecia-56443" target="_blank">primeiro dia difícil</a></strong> mas foi uma experiência que me marcou muito pela positiva. Também escrevi um post sobre <strong><a href="https://mardemaio.blogs.sapo.pt/9-coisas-sobre-a-grecia-58148" target="_blank">9 coisas que aprendi sobre a Grécia</a></strong>.</p>
<p> </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>6.</strong> Resolvi escrever sobre memórias e daí resultaram dois dos meus posts preferidos: <strong><a href="https://mardemaio.blogs.sapo.pt/farturas-e-memorias-55165" target="_blank">farturas e memórias</a></strong> e <strong><a href="https://mardemaio.blogs.sapo.pt/as-memorias-que-os-livros-guardam-57298" target="_blank">as memórias que os livros guardam</a>.</strong></p>
<p> </p>
<p><strong>7.</strong> <strong><a href="https://mardemaio.blogs.sapo.pt/temos-de-falar-sobre-a-ansiedade-na-62656" target="_blank">Temos de falar sobre a ansiedade na Universidade</a></strong>.</p>
<p> </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>8.</strong> Fui convidada para escrever um post para o Delito de opinião e escrevi sobre o fecho das livrarias de rua. Podem ler <strong><a href="https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/convidada-ines-lopes-9939593" target="_blank">aqui</a></strong>.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: center;">***</p>
<p style="text-align: justify;">E porque um blog não se faz apenas de quem o escreve, mas também de quem o lê e comenta (obrigada a todos os que fizeram um ou os dois :) ) aqui ficam alguns dos melhores comentários que recebi este ano:</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Da Inês sobre o post: <strong><a href="https://mardemaio.blogs.sapo.pt/eu-tonya-e-a-vantagem-de-querermos-ser-49601" target="_blank">Eu, Tonya e a vantagem de querermos ser muitas coisas</a></strong>:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: arial, helvetica, sans-serif;">Sempre achei que a nossa maior arma é, precisamente, a nossa pluralidade. E desconcerta-me saber que muito pouca gente a explora. Não temos apenas um interesse ou ponto forte, mas insistimos em crer que sim e em investir TUDO num só ponto. E ficamos sem nada. Já me perguntaram muitas vezes se preferia ser extraordinária numa coisa ou só boa em várias e a minha escolha recai sempre para a segunda opção. Porque é incrível sermos bons em várias esferas da nossa vida e da nossa personalidade. É quase como que potenciarmos a nossa existência :)</span></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Da Mafalda sobre o post: <strong><a href="https://mardemaio.blogs.sapo.pt/ser-adulto-e-isto-46499" target="_blank">Ser adulto é isto?</a></strong></p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: arial, helvetica, sans-serif;">Sinceramente acho que a definição dessa série espelha bem o que senti nos últimos meses em relação à adultícia, mas tenho vindo a descobrir que pode ser também o momento de descobrir e ir á aventura e que mesmo esse medo pode ser transformado em algo de mais positivo. Sermos o explorador da vida adulta vs. o personagem que está sempre com medo o filme todo. Entretanto, também tenho outra definição que é "a to-do list que nunca acaba".</span></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;"> </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:mardemaio:55981Inês2018-12-18T10:27:00Os melhores 6 livros que li este ano2018-08-26T17:08:10Z2018-12-18T11:19:49Z<p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" title="melhores-livros-2018.jpeg" src="https://c5.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Gcc182b44/21283827_ZYeHG.jpeg" alt="melhores-livros-2018.jpeg" width="1024" height="946" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><a href="https://mardemaio.blogs.sapo.pt/a-coreia-do-norte-pelo-olhar-de-51385" target="_blank" rel="noopener">A mulher com sete nomes de Hyeonseo Lee</a></strong> – Fui ouvir Hyeonseo Lee ao National Geographic Summit e gostei tanto que perdi a vergonha inicial e lhe fui pedir para autografar o livro que comprei por lá. Foi das histórias mais impressionantes que já li. Todas as histórias sobre fugitivos da Coreia do Norte são impressionantes, é verdade, mas ouvir Hyeonseo a contar a sua história e depois ler o livro imaginando aquela pessoa, aquela voz foi uma das melhores experiências de leitura da minha vida.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"><strong><a href="https://mardemaio.blogs.sapo.pt/as-vozes-de-chernobyl-53924" target="_blank" rel="noopener">Vozes de Chernobyl de Svetlana Alexievich</a> – </strong>Um livro difícil de ler. Às vezes, parece que estamos a ler sobre um passado muito distante (Chernobyl aconteceu em 1986) ou sobre algo muito longe da realidade, que pertence ao mundo da ficção científica (infelizmente, foi bem real). Vale a pena e quero ler os restantes livros da autora mas é um murro no estômago.</p>
<p> </p>
<p style="text-align: justify;"><strong><a href="https://mardemaio.blogs.sapo.pt/trevor-noah-nasceu-um-crime-e-tem-uma-47911" target="_blank" rel="noopener">Born a crime de Trevor Noah</a> – </strong>O Trevor Noah é comediante e é a minha fonte de notícias sobre o que se passa nos Estados Unidos. É demasiado saturante ler tudo o que se passa por lá neste momento (é tanta coisa todos os dias que exaspera qualquer pessoa). Ao mesmo tempo, quero manter-me informada então recorro aos daily shows norte-americanos e o do Trevor é o meu preferido. Sempre inteligente, engraçado e perspicaz. O facto de não ser norte-americano mas viver lá dá-lhe uma perspetiva diferente das coisas. Este livro explica de onde vem essa perspetiva. Trevor cresceu no apartheid, filho de mãe negra e pai branco e no livro reúne as histórias da sua infância e adolescência. Felizmente, já há <a href="https://www.wook.pt/livro/sou-um-crime-trevor-noah/22378093?a_aid=5a99d245ccdba" target="_blank" rel="noopener">uma versão portuguesa</a> e também há um filme a caminho.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"><strong><a href="https://mardemaio.blogs.sapo.pt/handmaids-tale-a-serie-e-o-livro-48415" target="_blank" rel="noopener">The Handmaid’s tale de Margaret Atwood</a> – </strong>Outro livro que também é um murro no estômago. Vi a série antes de ler o livro e acho que, sendo produtos muito diferentes, são os dois igualmente bons. É uma distopia sobre uma sociedade (Gilead) onde as mulheres estão bem no fundo da hierarquia. Infelizmente, tem muitas semelhanças com a realidade.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"><a href="https://mardemaio.blogs.sapo.pt/a-sombra-do-vento-de-carlos-ruiz-zafon-58088" target="_blank" rel="noopener"><strong>A sombra do vento de Carlos Ruiz Záfon</strong> </a>- Um livro extraordinário que se tornou um dos meus preferidos de sempre. Conta a história de um rapaz que tenta desvendar o mistério de um escritor e do homem que anda a queimar todos os seus livros. Mas que, no fundo, é um livro sobre a vida e sobre o amor.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"><strong><a href="https://mardemaio.blogs.sapo.pt/uma-educacao-de-tara-westover-62070" target="_blank" rel="noopener">Uma educação de Tara Westover</a></strong> - A história de uma mulher que cresceu nas montanhas do Idaho numa família pouco convencional. Os pais não acreditavam na medicina nem na educação e desconfiavam do governo. Por isso, Tara e os irmãos foram criados na sucata da família, completamente à margem da sociedade. Aos 17 anos, sem qualquer escolaridade, Tara consegue entrar na univerdade e inicia um percurso brilhante, que a leva até Cambridge. É uma história sobre a complexidade das relações familiares e sobre definirmos a nossa vida nos nossos próprios termos.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Recomendo qualquer um destes livros mas se tivesse de escolher um, acho que seria o "Born a crime". É raro haver um livro que consegue misturar humor com histórias sentidas e muito pessoais sobre um acontecimento como o appartheid.</p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 12pt;">E vocês? Já leram algum destes livros? Quais foram os melhores livros que leram este ano?</span></p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:mardemaio:62885Inês2018-12-04T10:05:00O especial do Trevor Noah na netflix é um bombom2018-11-26T16:07:39Z2018-12-05T12:29:49Z<p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" title="Trevor-Noah-Son-Of-Patricia.jpg" src="https://c3.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/G9817906d/21255590_rLa2G.jpeg" alt="Trevor-Noah-Son-Of-Patricia.jpg" width="960" height="960" /></p>
<p style="text-align: justify;">Quando a vida do dia-a-dia nos atropela temos de ir aproveitando as coisas boas que conseguimos agarrar, por muito pequenas que sejam. Foi assim que vi o especial do Trevor Noah na netflix chamado "son of Patricia". Foi um bombom. Soube bem mas soube a pouco. Foi uma hora que passou a voar.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Já escrevi no blog sobre a biografia de Trevor Noah (<a href="https://mardemaio.blogs.sapo.pt/trevor-noah-nasceu-um-crime-e-tem-uma-47911" target="_blank" rel="noopener">Born a crime</a>) que felizmente já foi traduzida em português pela tinta da China (<a href="https://www.wook.pt/livro/sou-um-crime-trevor-noah/22378093?a_aid=5a99d245ccdba" target="_blank" rel="noopener">Sou um crime</a>). O sucesso do livro foi tal que também já há um filme a caminho.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Neste especial, Trevor começa por contar a sua experiência com cobras numa viagem a Bali, conta a primeiro encontro que teve com Obama, passa por algumas das políticas de Trump, principalmente pelo muro, e termina a falar sobre o racismo nos Estados Unidos (e as suas semelhanças com a África do Sul) ao contar uma história em que explica o título do episódio (son of Patricia). Essencialmente, é isto que Trevor faz melhor. Contar histórias com uma perspetiva que lhe é muito característica. Só gostava que, em vez de um episódio, fosse uma série inteira.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">P.S. - Já agora, recomendo também <a href="https://www.youtube.com/watch?v=1s5iz6ml-qA" target="_blank" rel="noopener">este vídeo</a> do Daily Show onde o Trevor Noah entrevista a avó na África do sul.</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:mardemaio:61668Inês2018-11-27T10:35:00Menina boa, menina má de Ali Land2018-09-24T17:38:08Z2018-11-04T20:19:23Z<p style="text-align: justify;"><img style="padding: 10px 10px;" title="menina-boa-menina-ma.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Gcf17fdc6/21201856_IoyPG.jpeg" alt="menina-boa-menina-ma.jpg" width="1024" height="793" /></p>
<p style="text-align: justify;"> «<a href="https://www.wook.pt/livro/menina-boa-menina-ma-ali-land/19867780?a_aid=5a99d245ccdba" target="_blank">Menina boa, menina má</a>» conta a história de Annie, uma adolescente de quinze anos que tem uma mãe assassina em série e que decide denunciá-la à polícia. No início do livro, Annie começa uma nova vida ao mudar-se para uma família de acolhimento. Vai viver com um psicólogo e a sua família. Pelo meio, muda de nome para Milly e tem de manter a sua identidade em segredo e lidar com o julgamento da mãe. Mas, mais importante do que isso tem de lidar com o quanto a identidade da mãe pode manchar a sua. Será que por a sua mãe ser uma assassina, Annie também se vai tornar assassina?</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: arial, helvetica, sans-serif;">A rainha de um submundo que ninguém quer admitir que existe. Pessoas comuns. Com uma maldade fora do comum dentro delas. O cérebro de um psicopata é diferente dos outros. Ponderei as minhas hipóteses: 80% genética, 20% meio ambiente.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: arial, helvetica, sans-serif;">(…) faz-me pensar sobre o que habita dentro de mim e se é possível escapar-lhe. Traços bem enraizados no meu ADN perseguem-me.</span></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">Não é apenas a genética que poderia influenciar a vida de Annie. Mas também o seu passado. Afinal, e sem querer revelar muito do livro, Annie esteve muito presente nos momentos em que a mãe torturava e matava as suas vítimas.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Confesso que, apesar de ter ficado interessada no livro pela história, houve um pormenor que me fez decidir dar-lhe uma oportunidade. A autora. Ali Land trabalhou durante anos como enfermeira de saúde mental de crianças e adolescentes e essa experiência nota-se muito no livro. Não só na personagem de Annie mas também na relação que desenvolve com a sua irmã da família de acolhimento, a Phoebe. Nunca tinha pensado nisso mas faz muita diferença ler um thriller psicológico escrito por alguém com experiência em saúde mental. Há muitas nuances, pormenores e diálogos que tornam o livro muito rico e que dificilmente poderiam ter sido escritos por alguém sem essa experiência.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Não só é um livro com personagens adolescentes muito bem construídos, como se lê de um só fôlego. É um daqueles livros que não conseguimos largar até chegar ao fim. Não achei o final imprevisível mas acho que encerra muito bem a história. Recomendo a todos os que estão a precisar de ler um bom thriller.</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:mardemaio:60408Inês2018-11-20T10:02:00Loukoumades: uma receita da Grécia2018-09-07T16:11:37Z2018-11-04T20:18:12Z<p><a href="https://www.pinterest.pt/pin/132715520252959805/" target="_blank"><img style="padding: 10px 10px;" title="loukoumades.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Gdf144de2/21163090_klAhD.jpeg" alt="loukoumades.jpg" width="1024" height="682" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Uma das melhores coisas de se repetir o mesmo destino é que, por um lado, se torna uma segunda casa. A língua já não é completamente desconhecida, as rotinas tornam-se familiares, as comidas repetem-se. Por outro, há sempre coisas novas (sítios, sabores, música) a descobrir.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Este ano, na minha quarta viagem à Grécia, descobri as loukoumades. São uma espécie de donuts em forma de pequenas bolas que se comem tradicionalmente com mel. São igualmente boas com açúcar e canela ou com chocolate derretido. Versões mais modernas têm recheios de frutos vermelhos e (claro) nutella!</p>
<p> </p>
<p style="text-align: justify;">Vendem-se em banquinhas à beira da praia ao final do dia ou em festivais de Verão ao lado de banquinhas de souvlaki. A primeira vez que as comi foi mesmo num festival. Estávamos no quiosque da <a href="https://mardemaio.blogs.sapo.pt/voluntariado-na-archelon-perguntas-e-36215" target="_blank">Archelon</a> a informar as pessoas e vender algumas coisas para a associação (que vive de doações e venda de coisas como porta-chaves com tartarugas marinhas ou livros de colorir) quando as pessoas começaram a montar as barraquinhas do festival. Ao nosso lado, uma senhora montou uma banca para vender lençóis.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Vocês podem pensar que: Ninguém vai a um festival de Verão à noite para comprar lençóis. Nós também pensámos. Uma hora depois, havia uma fila enorme para a senhora dos lençóis (que vendeu muito mais do que nós). A única coisas que nos serviu de consolo foram mesmo as loukoumades que comprámos no final do turno.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">No dia seguinte, uma voluntária grega passou a tarde inteira a fazer umas quantas dezenas para toda a gente. E eu, só porque são mesmo boas, escrevi a receita num caderno. Faz-se assim:</p>
<ol>
<li>Pôr 2 copos de água morna numa taça;</li>
<li>Adicionar dois pacotes de levedura e 2 colheres de açúcar para ativar a levedura;</li>
<li>Adicionar farinha até obter a consistência certa (cerca de 1kg);</li>
<li>Mexer;</li>
<li>Adicionar uma colher de sal;</li>
<li>Deixar descansar por 30 minutos;</li>
<li>Fritar numa panela de óleo quente;</li>
<li>Comer com açúcar e canela, mel ou chocolate derretido.</li>
</ol>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:mardemaio:62368Inês2018-11-13T10:41:00O homem em busca de um sentido de Viktor Frankl2018-10-02T12:41:44Z2018-11-04T20:09:08Z<p style="text-align: justify;">É impressionante a quantidade de livros que saem todos os anos relacionados com a 2ª Guerra Mundial. Sem pesquisar, lembro-me de «<a href="https://www.wook.pt/livro/o-tatuador-de-auschwitz-heather-morris/21370406?a_aid=5a99d245ccdba" target="_blank">O tatuador de Awshvitz</a>» e de «<a href="https://www.wook.pt/livro/a-bailarina-de-auschwitz-edith-eger/22169012?a_aid=5a99d245ccdba" target="_blank">A bailarina de Awshvitz</a>». Os dois deste ano e os dois no top de vendas. Isto é bom porque sem dúvida que o maior perigo é esquecer e deixar que estes horrores se repitam.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Apesar disso, acho que este fascínio por ler sobre a Segunda Guerra não me atinge. Li «<a href="https://www.wook.pt/livro/o-diario-de-anne-frank-anne-frank/15328342?a_aid=5a99d245ccdba" target="_blank">O diário de Anne Frank</a>» quando era miúda e marcou-me muito. Ainda hoje, é dos meus livros preferidos. Há uns anos estive em Amesterdão e fui à <a href="https://mardemaio.blogs.sapo.pt/anne-frank-2001" target="_blank">casa de Anne Frank</a> o que foi, de longe, das experiências mais marcantes que vivi em viagem. Tentei ler duas ou três vezes «<a href="https://www.wook.pt/livro/se-isto-e-um-homem-primo-levi/1458686?a_aid=5a99d245ccdba" target="_blank">Se isto é um homem</a>» do Primo Levi e nunca consegui acabar o livro. Depois li «<a href="https://www.wook.pt/livro/noite-elie-wiesel/13044539?a_aid=5a99d245ccdba" target="_blank">A noite</a>» de Elie Wiesel e gostei muito. Mas fiquei-me por aqui. Até este livro.</p>
<p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" title="o-homem-em-busca-de-um-sentido.jpg" src="https://c8.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/G611721e6/21208585_Bv2pd.jpeg" alt="o-homem-em-busca-de-um-sentido.jpg" width="1024" height="722" /></p>
<p style="text-align: justify;"> «<a href="https://www.wook.pt/livro/o-homem-em-busca-de-um-sentido-viktor-e-frankl/14039126?a_aid=5a99d245ccdba" target="_blank">O homem em busca de um sentido</a>» não é um livro sobre a 2ª Guerra. É um livro sobre pessoas. Sobre os judeus nos campos de concentração, sim. Mas também sobre todos nós. É um livro sobre aquilo que faz de nós humanos. Na primeira parte, Viktor conta a sua experiência num campo de concentração pelo seu olhar de psicanalista. Muito pode ser dito sobre esta parte, mas eu gostei particularmente de como os prisioneiros se agarravam à imaginação:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: arial, helvetica, sans-serif;">Quando entregue a si mesma, a imaginação brincava com os acontecimentos do passado, lançando mão, com frequência, não dos mais importantes, mas das pequenas coisas sem importância.</span></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">Frankl foca-se bastante no sentido da vida, ou não fosse esse o título deste livro. Entre outras coisas, refere que todos procuramos uma razão para viver (que pode ser uma pessoa ou uma obra que queremos concluir):</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: arial, helvetica, sans-serif;">Tínhamos de aprender e, mais do que isso, tínhamos de ensinar aos desesperados, que não importava verdadeiramente o que esperávamos da vida, mas antes o que a vida esperava de nós. Precisávamos de deixar de perguntar pelo sentido da vida e tínhamos, em vez disso, de pensar em nós mesmos como aqueles que estavam a ser questionados pela vida – em todas as horas de cada novo dia.</span></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">Na segunda parte Frankl põe de lado o campo de concentração e explica como tudo aquilo que os prisioneiros procuravam nos campos de concentração (uma razão para viver, algo no futuro que nos faz acordar todos os dias com alguma esperança) se aplica a todas as pessoas, em todas as circunstâncias da vida:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: arial, helvetica, sans-serif;">Pode ver-se por aí que a saúde mental está fundada num certo grau de tensão, aquela tensão entre o que já realizámos e aquilo que ainda queremos alcançar, ou o espaço entre o que somos e aquilo que pretendemos vir a ser. (…) Aquilo de que um ser humano realmente necessita não é de um estado sem tensões mas antes do esforço e da luta por um objetivo que valha a pena, por uma tarefa livremente escolhida.</span></p>
</blockquote>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:mardemaio:59986Inês2018-11-06T10:30:005 séries a não perder2018-08-29T13:35:26Z2018-11-04T20:13:53Z<p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" title="séries.jpg" src="https://c7.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/G93142b56/21156213_DTC8l.jpeg" alt="séries.jpg" width="739" height="493" /></p>
<p style="text-align: justify;">Em Setembro passei bastante tempo em casa a recuperar de uma cirurgia aos sisos, cuja única coisa boa (de longe) foi poder ver muitas séries. Estas cinco foram as minhas preferidas. São séries completamente diferentes mas com duas coisas em comum: são protagonizadas por mulheres e agarram-nos ao ecrã de tal modo que não as conseguimos parar de ver.</p>
<p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" title="sharp_objects_1.jpg" src="https://c7.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/G1d06bf11/21150369_jKbVG.jpeg" alt="sharp_objects_1.jpg" width="825" height="463" /></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-size: 14pt; font-family: arial, helvetica, sans-serif;"><strong>Sharp objects</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;">Quando andava à procura de uma série para ver esta pareceu-me uma aposta segura. Segue a história de uma jornalista que regressa à cidade pacata onde nasceu para investigar o assassinato de uma rapariga. A história é baseada num romance de Gillian Flynn, tem a Amy Adams no papel principal e o mesmo produtor do filme Get out.</p>
<p> </p>
<p style="text-align: justify;">São oito episódios de uma hora que se devoram em poucos dias, tal é o ritmo da série. Achei a série genial, com diálogos bem construídos e personagens complexos cheias de segredos e problemas psicológicos que vão sendo desvendados à medida dos episódios. Recomendo para quem gosta de policiais.</p>
<p style="text-align: center;"><strong><em><a href="https://www.youtube.com/watch?v=DgljcMqPG98" target="_blank">trailer aqui</a></em></strong></p>
<p style="text-align: center;"> </p>
<p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" title="oitnb.jpg" src="https://c5.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/G1313890f/21150370_BGBqg.jpeg" alt="oitnb.jpg" width="1024" height="537" /></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-size: 14pt; font-family: arial, helvetica, sans-serif;"><strong>Orange is the new black (sexta temporada)</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;">Acredito que muita gente tenha desistido desta série algures entre a primeira e a sexta temporada (a última). Eu própria, depois de ter adorado a primeira temporada (e lido o <a href="https://mardemaio.blogs.sapo.pt/2016/07/" target="_blank">livro</a> que a inspirou) pensei desistir depois de um excesso de repetição de personagens e dos seus problemas. Fui reconquistada na quinta temporada, em que todos os episódios se passam durante um motim na prisão. Li muitas críticas negativas mas foi a minha temporada preferida. Fez-me lembrar “A quinta dos animais” do George Orwell em que, quando os oprimidos ganham poder se tornam tão mesquinhos quanto os opressores.</p>
<p> </p>
<p style="text-align: justify;">A sexta temporada também me surpreendeu. Passa-se numa prisão diferente e inclui novos personagens, algo de que a série precisava muito. Foca-se na rivalidade entre duas irmãs para a qual acabam por arrastar todas as pessoas à sua volta. A próxima (e última) temporada está confirmada e espero que, como esta, consiga ser uma lufada de ar fresco com novas histórias e novas personagens.</p>
<p style="text-align: center;"><strong><em><a href="https://www.youtube.com/watch?v=MtW-WNfM3r8" target="_blank">trailer aqui</a></em></strong></p>
<p style="text-align: center;"> </p>
<p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" title="big-little-lies.jpeg" src="https://c4.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/G7111617f/21156191_7ULEf.jpeg" alt="big-little-lies.jpeg" width="1024" height="576" /></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 14pt;"><strong>Big little lies</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;">Uma série com um elenco de luxo (Reese Whiterspoon, Nicole Kidman, Shailene Woodley, entre outros) que segue as vidas de três mães, cujos dramas se vão desvendado até haver um assassinato (revelado logo no primeiro episódio). Além do elenco, a série passa-se numa cidade junto ao mar e tem cenários lindíssimos, e uma banda sonora genial. Não surpreendentemente, está confirmada para segunda temporada que vai juntar Meryl Streep ao elenco.</p>
<p style="text-align: center;"> </p>
<p style="text-align: center;"><em><strong><a href="https://www.youtube.com/watch?v=YFZcNKzDhYI" target="_blank">trailer aqui</a></strong></em></p>
<p style="text-align: center;"> </p>
<p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" title="killing-eve.jpg" src="https://c5.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/G25122674/21156189_wf2Kn.jpeg" alt="killing-eve.jpg" width="1000" height="563" /></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 14pt;"><strong>Killing Eve</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;">Esta série foi uma grande surpresa. Sabia pouco sobre a série a não ser que a Sandra Oh (a eterna Cristina da Anatomia de Grey) era a personagem principal e talvez por isso foi a que mais me surpreendeu. A Sandra Oh desempenha o papel de Eve Polastri, uma técnica de segurança, que procura uma assassina profissional.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">A verdade é que Killing Eve está longe de ser apenas mais uma série em que se procura um assassino. Destaca-se porque tanto a personagem de Eve como a da assassina fogem ao guião. É uma série britânica divertida que está confirmada para segunda temporada no próximo ano.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: center;"><strong><em><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Kk0PyD-XNZA" target="_blank">trailer aqui</a></em></strong></p>
<p style="text-align: center;"> </p>
<p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" title="the-sinner.jpg" src="https://c5.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Ga61325b9/21157373_JIk0F.jpeg" alt="the-sinner.jpg" width="1000" height="563" /></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-size: 14pt; font-family: arial, helvetica, sans-serif;"><strong> The sinner</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;">Uma série policial fora do vulgar. Uma mãe jovem assassina um estranho durante um dia de praia, sem explicação aparente. Um detetive tenta encontrar um motivo nas memórias escondidas da protagonista. É uma série que vai por caminhos inesperados e que tenta explicar como é que uma pessoa com uma vida perfeitamente normal pode cometer um crime horrível.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Tem uma segunda temporada, que ainda não vi, com uma história e personagens diferentes mas com a mesma <em>storyline</em>. Um miúdo de 11 anos mata os pais sem razão aparente e um detetive investiga o caso.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: center;"><strong><em><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ZEfnpFuzxnE" target="_blank">trailer aqui</a> (primeira temporada)</em></strong></p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:mardemaio:62070Inês2018-10-30T10:08:00Uma educação de Tara Westover2018-10-14T10:08:47Z2018-10-23T15:16:41Z<p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" title="uma-educação.jpg" src="https://c8.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/G89177d58/21208583_k60vo.jpeg" alt="uma-educação.jpg" width="1024" height="768" /></p>
<p style="text-align: justify;">O ano passado li «<a href="https://mardemaio.blogs.sapo.pt/o-castelo-de-vidro-de-jeannette-walls-40907" target="_blank">O castelo de vidro</a>», onde a autora contava a história da sua família. Uma família pouco convencional, que passava a vida a mudar-se e em que os pais queriam viver completamente à margem da sociedade. Bom, se leram esse livro e acharam essa família estranha esperem só até lerem «<a href="https://www.wook.pt/livro/uma-educacao-tara-westover/21324874?a_aid=5a99d245ccdba" target="_blank">Uma educação</a>». Neste livro, Tara conta as suas memórias de infância e adolescêcia. Os pais de Tara eram mórmon e criaram os filhos isolados do mundo, no meio de uma montanha imponente no Idaho. Não acreditavam na medicina nem na educação. Tinham medo do governo e, por isso, nem sequer registavam os filhos, que nasciam sempre em casa.</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: arial, helvetica, sans-serif;">O pai afirmava que a escola pública era um estratagema do governo para afastar as crianças de Deus.</span></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">Como se isso não fosse suficiente, o pai de Tara acreditava que o mundo ia acabar em breve e obrigava a família a preparar-se para o apocalipse. Foram vários os Verões que Tara e a família passavam a fazer centenas de frascos de compotas para, caso o mundo acabasse, terem comida de reserva. Tara passa os dias a ajudar o pai a trabalhar numa sucata ou a ajudar a mãe a criar óleos medicinais. A primeira vez que Tara entra numa escola tem 17 anos. A estudar sozinha, Tara consegue entrar na universidade e inicia um percurso na escola impressionante que vai até um doutoramento em Cambridge. Aos poucos, Tara vai-se afastando da família e vai-se integrando na sociedade.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Há muitos momentos absurdos no livro e alguns muito revoltantes como quando alguma das crianças se magoa gravemente e a mãe decide tratar os filhos com... óleos caseiros. É difícil, às vezes, acreditar que estamos a ler uma história real. Digo-vos que dificilmente alguém conseguiria escrever um livro de ficção com momentos tão absurdos. A vida real consegue ser tão mais interessante.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Dei cinco estrelas a este livro no goodreads. É um dos melhores livros de memórias que li. Não só porque a história é extraordinária mas, e principalmente, porque me incomodou muito. Há momentos duros neste livro que são quase uma chapada na cara para quem lê. Tara tem uma relação muito dura com um dos irmãos que torna algumas partes difíceis de ler.</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: arial, helvetica, sans-serif;"> «É estranho como damos às pessoas que amamos tanto poder sobre nós», tinha eu escrito no diário. Mas Shawn tinha mais poder sobre mim mesma do que eu poderia ter imaginado. Definira-me a mim mesma, e não existe maior poder do que esse.</span></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">O mais extraordinário deste livro é que não ter estudado até aos 17 anos não impediu Tara de conseguir obter um doutoramento em Cambridge. As circunstâncias só nos definem se quisermos, porque temos sempre a possibilidade de nos libertarmos delas e criarmos a nossa própria história.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">P.S - Uma nota só para o facto deste livro estar na lista de <a href="https://www.esquire.com/entertainment/books/g22776537/barack-obama-summer-reading-list-2018/" target="_blank">leituras de Verão de Barack Obama</a> e da mãe de Tara se ter tornado milionária a vender óleos caseiros que publicitava como uma alternativa espiritual ao Obamacare.</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:mardemaio:62656Inês2018-10-23T09:46:00Temos de falar sobre a ansiedade na universidade2018-10-13T18:47:51Z2018-10-27T13:06:40Z<p><img style="padding: 10px 10px;" title="mar-maio-escritos.gif" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/G0217a9b4/21201690_fzkrE.gif" alt="mar-maio-escritos.gif" width="960" height="960" /></p>
<p style="text-align: justify;">Há uns meses atrás uma colega de faculdade suicidou-se. Pouco depois, a minha universidade fazia um inquérito aos alunos sobre ansiedade e depressão. Não sei os resultados mas não é preciso. Imagino que sejam assustadores. A ansiedade e a depressão nas universidades andam em níveis preocupantes. Há <a href="https://magg.pt/2018/10/24/515-dos-estudantes-tiveram-contacto-com-uma-doenca-mental-na-faculdade/" target="_blank">muitos</a> <a href="https://www.publico.pt/2018/10/10/p3/noticia/o-risco-de-burnout-e-elevado-nos-alunos-de-medicina-mas-a-universidade-tem-solucoes-1846759" target="_blank">estudos</a> que mostram isso mas, mais do que isso, cada vez conheço mais casos de estudos abandonados para tratar depressões ou de suicídios. E é tão triste que alguém com 20 ou 23 ou 25 anos chegue ao ponto de achar que a vida não tem mais nada para lhe oferecer. Não precisam de ser os melhores anos da nossa vida mas também não têm de ser tão angustiantes.</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: arial, helvetica, sans-serif;">Ansiedade faz você pensar demais, racionalizar demais… com ansiedade você está sempre medindo as palavras e pensando demais antes de agir. (...) Com ansiedade, o peso de tudo é dobrado e com ansiedade você sente que precisa cuidar de todo mundo, mas não deixa ninguém cuidar de você.</span></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">As frases são <a href="https://hrnmnk.com/2016/11/09/precisamos-falar-sobre-ansiedade/" target="_blank">deste post</a> e refletem bem aquilo que é viver com ansiedade. E precisamos de falar sobre isto. De perder o medo de sofrer julgamentos precipitados. Também precisamos de ser mais gentis. A realidade é que nunca sabemos aquilo por que as pessoas com que nos cruzamos no dia-a-dia, no trânsito, no café, no emprego ou nas aulas estão a passar.</p>
<p> </p>
<p style="text-align: justify;">Sinto que a faculdade se está a tornar um lugar cada vez mais competitivo à medida que esta crise de emprego se adensa e que o medo do futuro aumenta. Muitas vezes, os professores não ajudam quando decidem que os alunos já devem saber tudo, responder a tudo e que, caso não o saibam, nunca vão ser bons profissionais. Essa pressão é, provavelmente, tudo aquilo de que muitos estudantes não precisam, mas está lá. É preciso respirar fundo. Respirar fundo e pensar que, quando não sabemos, é mesmo para isso que estamos na faculdade, para aprender. E é preciso ter a coragem de fazer ver aos professores (aqueles que se acham no direito de humilhar os alunos) que o dever deles é ensinar. E que nós, alunos, estamos lá para aprender. E não podemos fazer mais do que dar o nosso melhor. Há dias em que chega e outros em que fica muito aquém. Mas tudo bem. Amanhã há mais oportunidades para aprender e fazer melhor.</p>
<p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" title="mar-maio.gif" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/G20174f4c/21202257_DZbMJ.gif" alt="mar-maio.gif" width="1024" height="866" /></p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:mardemaio:59258Inês2018-10-16T10:13:00A sangue frio de Truman Capote2018-08-23T17:27:56Z2018-10-07T17:54:00Z<p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" title="sangue-frio-truman-capote.JPG" src="https://c3.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/G2806e768/21142681_eNoUu.jpeg" alt="sangue-frio-truman-capote.JPG" width="1024" height="692" /></p>
<p style="text-align: justify;">Foi no final dos anos 50 que Truman Capote leu no The New York Times a <a href="https://archive.nytimes.com/www.nytimes.com/books/97/12/28/home/capote-headline.html" target="_blank">notícia</a> do assassinato da família Clutter que vivia numa cidade pacata do estado do Kansas (os pais, Herb e Bonnie e os filhos, Nancy e Kenyon). Truman entrevistou familiares, amigos, vizinhos (e até mesmo os próprios assassinos) e essa investigação deu origem a este livro, que mistura assim a realidade com a ficção.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Capote demorou seis anos a escrever «<a href="https://www.wook.pt/livro/a-sangue-frio-truman-capote/176738?a_aid=5a99d245ccdba" target="_blank">A sangue frio</a>». Procurou, não apenas conhecer os factos, mas entender todas as personagens envolvidas, desde a família Clutter aos assassinos e a toda a sua vida, da infância até àquela noite que resultou na morte da família inteira. O mais interessante do livro é mesmo isso, perceber (ou tentar) o que levou aqueles dois homens a cometer um ato que resultou na pena de morte (não é <em>spoiler</em> porque vem na contra-capa do livro e porque se trata de uma história real).</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Será que uma infância infeliz justifica que um homem se torne um assassino? Terá sido a pena de morte uma sentença justa? Será que este crime tinha de acontecer ou poderia ter sido evitado? São estas algumas das questões que o livro levanta e para as quais não há muitas respostas.</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: arial, helvetica, sans-serif;">Não, porque quando uma coisa tem de acontecer, o mais que podemos fazer é desejar que ela não aconteça, ou o contrário, conforme. Enquanto vivemos temos sempre algo prestes a acontecer-nos e ainda que saibamos tratar-se de uma coisa má não podemos fugir-lhe. Que devemos fazer? É impossível parar a vida.</span></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">É fácil durante a leitura ficarmos tão agarrados às vidas infelizes dos assassinos que nos esquecemos do crime que cometereram e, até, sentir alguma simpatia por eles. É isso que torna este livro um clássico genial. A sua capacidade de nos mostrar que as fronteiras entre uma vida normal e uma vida pautada pelo crime são muito mais subtis do que aquilo que estamos dipostos a admitir. Recomendo muito.</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:mardemaio:60985Inês2018-10-09T10:21:00Atypical: a série da netflix que todos deviam ver2018-09-11T16:25:37Z2018-09-25T08:46:12Z<p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" title="atypical-serie-netflix.jpg" src="https://c8.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Gfb060140/21166857_1wcJ5.jpeg" alt="atypical-serie-netflix.jpg" width="800" height="450" /></p>
<p style="text-align: justify;">Atypical conta a história de Sam Gardner, um adolescente com um autismo altamente funcional que trabalha numa loja de equipamentos eletrónicos e quer arranjar uma namorada. Li a sinopse, vi o trailer e decidi experimentar. Na verdade, séries de YA não são comigo e estava preparada para ver um episódio e passar a outra série.</p>
<p> </p>
<p style="text-align: justify;">Vi o primeiro episódio, e mais um e, quando dei por mim, já tinha visto a primeira e a segunda temporada em poucos dias. Sam é uma personagem muito bem construída que consegue mostrar as nuances do autismo, sem nos fazer ter pena da personagem, mas apenas querer acompanhar todos os seus passos. Tem uma paixão avassaladora pela Antártida, que resulta em muitas histórias de pinguins, baleias e exploradores históricos espalhados pelos episódios.</p>
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<p style="text-align: justify;">Mas, apesar de Sam ser o protagonista, todas as personagens à sua volta (a família, os amigos, os colegas de trabalho e a terapeuta) ganham destaque nalguns episódios e têm histórias próprias, que não giram apenas à volta de Sam.</p>
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<p style="text-align: justify;">Há muita coisa que foge ao controlo das personagens na série, não só de Sam. E talvez uma das mensagens mais importantes seja essa. A de que nem sempre está tudo bem (às vezes, está mesmo tudo mal) mas isso faz parte da vida.</p>
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<p style="text-align: justify;">A segunda mensagem vem, não só, mas também de uma cena da série (é um spoiler, portanto, se quiserem passem para o parágrafo seguinte). Há uma cena em que Sam tem um episódio de stress e foge de casa de um amigo a meio da noite. Enquanto anda pela rua a falar sozinho (para se acalmar) é abordado por um polícia que assume que Sam está drogado e o trata como tal. Não só a sociedade não está preparada para reconhecer e lidar com o autismo como, muitas vezes, tiramos conclusões no nosso dia-a-dia sobre pessoas cujas vidas desconhecemos completamente. Fazemos julgamentos precipitados sem saber a história que está por trás.</p>
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<p style="text-align: justify;">Por fim, há a questão da representatividade. No geral, os autistas aparecem nas séries e filmes sempre em dois extremos. Os génios dotados e os que vivem completamente isolados do mundo. Sam está no meio, porque o espetro do autismo é extenso e não faz sentido que nos seja passada sempre a mensagem de que os autistas estão apenas nos extremos.</p>
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<p>Robyn Steward (autista) <a href="https://inews.co.uk/culture/television/what-atypical-netflix-gets-right-about-autism/" target="_blank">escreveu</a> para a iNews sobre a série:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: arial, helvetica, sans-serif;">Qualquer série sobre autismo carrega um peso gigante: as pessoas querem que ela diga tudo e que “acerte” em tudo. Vamos precisar de muitas séries de vários tipos que apresentem o autismo em todas as suas variações. Há base para críticas em “Atypical” mas eu escolhi recebê-la com os braços abertos como um passo para a direção certa.</span></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">Se estão à procura de uma série leve, que mistura comédia, drama e romance, com personagens genuínos e uns apontamentos sobre os pinguins da Antártida preparem-se para umas horas muito bem passadas. Atypical é aquela série que muita gente não faz ideia que existe, que achamos que não precisamos de ver e que, depois de a vermos, não sabemos bem como é que uma coisa tão boa quase nos passou ao lado. Trailer <a href="https://www.youtube.com/watch?v=ieHh4U-QYwU&t=22s" target="_blank">aqui</a>.</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:mardemaio:57298Inês2018-10-02T10:46:00As memórias que os livros guardam2018-08-23T13:46:58Z2018-09-25T08:40:35Z<p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" title="feira-livros.jpg" src="https://c7.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Gfc15e068/21141672_gKH9a.jpeg" alt="feira-livros.jpg" width="1024" height="704" /></p>
<p style="text-align: justify;">Comprei "<a href="https://www.wook.pt/livro/a-sombra-do-vento-carlos-ruiz-zafon/18879931?a_aid=5a99d245ccdba" target="_blank">A sombra do vento</a>" numa banca de livros usados numa feira de Verão. Não sabia do que se tratava mas pareceu-me perfeito para levar para a Grécia: era uma edição de bolso e custava um euro e meio pelo que podia levá-lo para a praia sem peso na consciência, caso ficasse estragado.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">O senhor que mo vendeu explicou-me que comprava recheios de casas. Vendia a mobília numa loja e guardava os livros num armazém para os vender naquela feira de Verão.</p>
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<p style="text-align: justify;">Quando abri "A sombra do vento" pela primeira vez encontrei um bilhete de avião (Porto-Milão). Imagino que o livro tenha sido lido naquelas esperas intermináveis entre aeroportos e aviões. Porquê que o antigo dono terá vendido o recheio da casa? Talvez se tenha mudado para outro país e fosse impossível transportar tudo. Não sei. O que sei é que este livro guarda memórias que não conheço. E que guardou as minhas também.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Logo nas primeiras páginas, "A sombra do vento" fala sobre esta coisa dos livros guardarem as memórias de quem os lê:</p>
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<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: arial, helvetica, sans-serif;">Cada livro, cada volume que vês, tem alma. A alma de quem o escreveu e a alma dos que o leram e viveram e sonharam com ele.</span></p>
</blockquote>