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MAR DE MAIO

Livros, viagens e tudo o que nos acrescenta

MAR DE MAIO

Coisas que não quero saber e o custo de vida de Deborah Levy

02.04.20

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Descobri esta escritora depois de ler esta crónica do Miguel Esteves Cardoso sobre a década de Deborah Levy. Li «O custo de vida», um livro autobiográfico com pouco mais de cem páginas num sopro. Nele Levy escreve sobre temas como o fim do seu casamento de 20 anos, a escrita e a morte da mãe. Aliados a estes temas, Levy escreve sobre detalhes tão aleatórios como abelhas, a sua bicicleta elétrica ou o gelado preferido da mãe e conta estas pequenas histórias de forma tão cuidada que as torna em metáforas sobre todos os outros acontecimentos maiores da sua vida. Quantas vezes não são as pequenas coisas que mais nos representam (apesar de nos lembrarmos mais dos grandes acontecimentos)?

O livro é muito bom e o seu único defeito é mesmo ser pequeno. Depois li «Coisas que não quero saber» que, na realidade é o primeiro desta trilogia autobiográfica, mas não senti diferença por ter trocado a ordem dos livros. Nele Levy responde a um ensaio que George Orwell escreveu onde explicava as razões para se ter dedicado à escrita. Mais uma vez, a autora debruça-se sobre vários acontecimentos da sua vida, como a infância passada na África do sul, para nos contar porque se tornou escritora.

O capítulo sobre a infância passada numa África do sul dominada pelo appartheid foi a minha parte preferida deste volume. Durante esses anos, o pai é preso por ter ligações ao partido político de Nelson Mandela e Levy acaba a viver com a madrinha e o seu papagaio, antes da família se mudar para o Reino Unido.

Seja a escrever sobre memórias de infância, sobre livros ou sobre a sua bicicleta elétrica há qualquer coisa de muito envolvente na escrita desta autora. Agora resta-me aguardar que seja publicado o último livro desta trilogia e, entretanto, ler os romances já traduzidos em português: «Nadar para casa» e «O homem que via tudo».

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