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MAR DE MAIO

Livros, viagens e tudo o que nos acrescenta

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Canção doce de Leila Slimani

Inês, 10.09.19

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Foi uma boa coincidência ter lido este livro logo depois de «Os livros que devoraram o meu pai» de Afonso Cruz. Se o livro do Afonso Cruz faz várias referências a «Crime e castigo», «Canção doce» começa logo na primeira página com uma citação do mesmo livro.

Logo no início do livro ficamos a saber que esta é a história de uma ama que matou as duas crianças de que tomava conta. E vamos, a partir daqui, entrar numa espiral sufocante percorrendo a vida da ama (Louise) e a sua relação com a família para quem trabalha. É um livro sobre solidão, sobre relações, sobre educação e sobre os segredos profundos e os muros que criamos perante os outros. É um livro que se lê rapidamente, com algumas pausas para respirar porque é um livro duro. Foi o primeiro que li da autora e fiquei agradavelmente surpreendida com a qualidade da escrita. É o género de livros de que tendo a gostar muito. A autora vai directa ao assunto, conta-nos a história de Louise sem detalhes desnecessários. Tudo o que está no livro é importante para a história.

Foi difícil não comparar esta história com «A porta» de Magda Szabó. Um livro que, apesar de extremamente bem escrito (dos mais bem escritos que já li) e de ter um dos melhores inícios que já li acabou por me perder a meio da história e do qual acabei por não gostar. «A porta» disseca meticulosamente a relação entre uma empregada de limpeza e a sua patroa, enquanto o livro de Leila Slimani disseca a história de Louise, deixando a relação com a família para quem trabalha mais em segundo plano. 

Recomendo para quem procura um livro que se lê rapidamente, mas saibam que esta é uma história dura. Agora estou curiosa para ler o outro livro da autora «No jardim do ogre». Se já leram este livro, recomendam?

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