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Ler, escrever e viver

Ler, escrever e viver

A última solidão de Carmen Garcia

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Já tinha lido e gostado muito do livro de crónicas de Carmen Garcia «Tudo que o que ouço é coração». Depois disso decidi ler este livro sobre a velhice em Portugal.

Carmen começa por fazer uma introdução aos lares no nosso país:

Em Portugal, é uma merda ser-se velho. O nosso país não está preparado para honrar quem o antecedeu, os nossos lares continuam parados no tempo e presos a um conceito que não dignifica os seus utentes e, desgraçadamente, vejo pouco interesse em mudar práticas que são pouco mais do que uma abominação. E as famílias, por muito que tentem, confrontadas com idosos completamente dependentes e crivados de comorbilidades, pouco mais podem fazer do que institucionalizá-los.

Não deixa de ser gritante que, durante toda uma campanha eleitoral, e sabendo que 25% da população tem 65 anos ou mais, não se tenha falado de velhice. Falou-se de pensões sim, mas não se falou de melhorar os cuidados prestados aos idosos nos lares, de aumentar a oferta (porque os lares privados são caríssimos para as reformas que muitos idosos recebem), não se falou de melhorar a dignidade na velhice.

Depois da introdução, Carmen conta histórias de idosos que foi conhecendo ao longo do seu percurso como enfermeira em lares. Algumas são muito tristes, outras são decepcionantes (porque nos esquecemos que nos idosos também podem ter cometido muitos erros na vida), outras são comoventes. Todas são importantes para vermos e conhecermos a história para lá daquela pessoa que ocupa um lugar num lar.

Quer queiramos quer não, e sejamos honestos, ninguém quer, à partida, todos seremos velhos e todos vamos morrer. Por isso, acho que este livro devia ser de leitura obrigatória e espero que leve mais gente a sentir a urgência de tornarmos a velhice cada vez mais digna para os nossos avós, pais e, um dia também, para nós.

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