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Ler, escrever e viver

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A História de Roma de Joana Bértholo

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Como seria hoje se aquela conversa tivesse sido diferente? Se não tivéssemos ido cada um para seu lado? Se tivéssemos escolhido um caminho diferente?

É muito sobre estas questões que se debruça este livro de Joana Bértholo. Temos duas pessoas que foram outrora um casal e que, dez anos depois de se terem separado, se reencontram na cidade de Lisboa. A sua história percorre as ruas de Buenos Aires, Marselha, Berlim, Beirute.

É um livro sobre a complexidade das relações, sobre a maternidade (ou a decisão da não maternidade):

Mulheres que sabem o que querem, que são ciosas do seu tempo e espaço e não abdicam deles facilmente, tendem a ser adjectivadas de egoístas ou autocentradas. O ensaio de Woolf (Um quarto só seu) predispunha-me para uma oposição que me duraria o resto da vida. Quando deixasse se ser sobre o tempo ou sobre o espaço, seria sobre o meu próprio corpo. A maternidade: como conseguir um quarto só para mim onde tomar esta decisão, sem pressão explícita ou implícita?

E também sobre o privilégio de uma geração (a minha) que teve acesso a oportunidades incríveis (de fazer erasmus, de fazer voluntariado europeu, ao programa LeonardoDaVinci), uma geração para quem o mundo (ou, pelo menos, a Europa) se tornou casa.

Este foi o primeiro livro que li de Joana Bértholo. Achei o livro extremamente bem escrito e a história muito bem construída. Quero ler mais livros da autora.

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