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MAR DE MAIO

Livros, viagens e tudo o que nos acrescenta

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A feira da bagageira na Ericeira

Inês, 16.08.17

Feira da bagageira na Ericeira

No fim-de-semana passado a Ericeira encheu-se de carros atolados de artigos em segunda mão para a feira da bagageira. Esta feira tem passado por vários locais da região de Lisboa e qualquer pessoa se pode inscrever para vender artigos que tenha em casa, como velharias, livros, mobília, roupa, brinquedos, enfim, de tudo um pouco. Os vendedores transportam os artigos na bagageira do carro (daí o nome da feira) e vendem-nos a preços simpáticos.

Esta frase na página do facebook da feira resume bem as vantagens da feira:

A Feira da Bagageira promove a protecção do ambiente, evitando excessos de produção, contribuindo para a sustentabilidade do planeta e do orçamento mensal lá de casa.

O mosteiro budista da Ericeira

Inês, 13.07.17

mosteiro-budista-ericeira

Há uma estrada entre Mafra e a Ericeira que esconde um segredo. Passei tantas vezes por ali sem fazer ideia de que há um mosteiro budista no pinhal dos Frades. É daqui que, todos os dias, pelo menos um dos monges caminha até à vila da Ericeira para receber uma refeição na sua malga (tigela).

Desde que descobri o mosteiro que tinha curiosidade em fazer uma visita. E foi assim que um dia, numa visita de grupo, entrei pela primeira vez numa sala de meditação para conhecer o monge Appamado, um dos seis monges que ali vivem. Não sei o que se esperaria de um monge, mas Appamado respondeu a todas as perguntas com a maior simpatia e tinha um ar de genuína felicidade, algo demasiado raro.

Contou-nos um pouco da sua história e do que o levou ao budismo. Explicou que quando estava a tirar a carta de condução ia até à escola e depois apercebia-se de que não se lembrava do caminho que tinha feito para lá chegar (quem nunca?). Então, voltava atrás e fazia o percurso novamente tentando prestar atenção ao que o rodeava, ao caminho que fazia, ao momento em que estava. O resto é história, como se costuma dizer. Mas Appamado acabou por ir para um mosteiro em Inglaterra e por fazer o percurso até ser ordenado monge.

O mosteiro da Ericeira segue a tradição tailandesa da floresta de Ajahn Chah. O budismo é, mais do que uma religião, um estilo de vida que é praticado todos os dias pelos monges que ali vivem. Têm poucos pertences, que se resumem à malga onde comem e ao traje cor-de-laranja vivo. Não tocam em dinheiro, sendo que o mosteiro vive de doações e a parte financeira não é gerida pelos monges. Não comem depois do meio-dia e dedicam os dias (os anos se assim quiserem) à meditação e à prática monástica. Digo se assim quiserem porque são livres de deixar o mosteiro e a vida de monges, se o entenderem.

Esta visita decorreu há algumas semanas. Já passei pelo pinhal dos Frades vezes sem conta desde então e, de cada vez, tomo nota para prestar mais atenção ao caminho que estou a fazer. Mais vezes do que gostaria de admitir, minutos depois já estou imersa noutros pensamentos. Mas tentar já é um começo.

 

Como visitar

A Green trekker e a Caminhando fazem visitas de grupo ao mosteiro. Além disso, também é possível participar nas meditações (todos os dias às cinco da manhã e às sete e meia da tarde).

Casa de Anne Frank

Inês, 14.04.15

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Faz hoje 70 anos que Anne Frank morreu e eu ia escrever um texto sobre a minha visita à casa onde Anne e a família se esconderam, em Amesterdão. Foi há quase um ano. Segundo descobri, lembro-me de muito pouco.

Havia demasiadas pessoas a ocupar o pouco espaço disponível, uma estante com livros a servir de passagem secreta para o anexo, umas escadas de madeira íngremes, divisões pequenas, desprovidas de mobília e muito escuras. Não absorvi nada. Não podia ser, pensei. Não sei o que foi a guerra. Não sei o que foi o Holocausto. Já ouvi falar sobre isso, já li sobre isso, e não consigo sequer imaginar.

Apetecia-me voltar para trás e regressar noutro dia, noutro ano. Mas segui em frente e fiz o mesmo que toda a gente, vi tudo com atenção, li os papéis e as legendas das entrevistas que passavam nos televisores.

Um clarão de luz vindo do sótão fez-me respirar de alívio. O único sítio da casa onde se podia ver se era dia ou noite, ver o sol, a lua, as estrelas, a única ligação directa ao mundo lá fora era feita por uma janela no teto do sótão.

Cheguei à última sala e, num ecrã gigante, a frase "All her would-haves are our opportunities" prendeu-me os olhos e começou a ecoar na minha cabeça (ainda por estes dias me lembro, tantas vezes, desta frase de Emma Thompson):

"All her would-haves are our opportunities"

"All her would-haves are our opportunities"

"All her would-haves are our opportunities", uma e outra vez.