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Este ano

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- Fui ao cinema ver o Ainda estou aqui e amei 

- Fui a um concerto do Tom Walker (que vozeirão) e dos The script (fiquei surpreendida com o estilo pop star do vocalista), mas gostei muito

- O blog fez 10 anos

- Voltei a celebrar o 25 de abril na Avenida da Liberdade e foi muito bom!

- Conheci uma livraria antiquíssima em Lisboa

- Fiz lasik

- Tirei férias para descansar, ir à praia, dar muitos mergulhos, comer bolas de Berlim na praia, ir ao SPA do Vila Galé, ler, ir a Lagos e estar com amigas (e que bem que soube!) - quem tem bons amigos tem tudo!

- Fui à feira medieval de Óbidos

- Fui à feira do livro (claro)

- Fui conhecer uma livraria linda que abriu em Torres Vedras, a Story Owl e participei num clube de escrita criativa

- Fui ao Quake e gostei

- Fui à ilha Terceira e foi tudo de bom (houve hotel literário, boa comida, conhecer a livraria do Joel Neto e muitos passeios)

- Usei muito a biblioteca

- Li muito

- Escrevi muito

- Fui ao Fólio (Festival Literário Internacional de Óbidos) pela primeira vez (e quero repetir)

- Fui à The Jury Experience: um julgamento imersivo e não gostei

- Tive uma sobrinha!! ❤️ (claro que este é, de longe, o mais importante)

- Passeei na Baixa-Chiado com a minha mãe, ao fim de muitos anos sem o fazer e voltei à Bertrand

- Fui ver o Rui Veloso ao Campo Pequeno para o concerto dos 45 anos de carreira

- Voltei ao Oceanário

- Fui aoWonderland

O melhor deste ano pelos blogs

Os 12 melhores livros que li este ano

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Mais um ano que chega ao fim, mais um post sobre as minhas leituras preferidas do ano.

Assim, por ordem cronológica de leitura:

Ainda estou aqui de Marcelo Rubens Paiva (e o filme também)

Irmãs Blue de Coco Mellors

Transgressões de Louise Kennedy

Onde crescem os limoeiros de Zoulka Katouh

Rifqa de Mohammed El-Kurd

Lobos de Tânia Ganho

Notas sobre um naufrágio de Davide Enia

Ler Lolita em Teerão de Azar Nafisi

Não eras tu quem eu esperava de Fabien Toulmé

As vinhas da ira de John Steinbeck

Pensei que o meu pai era Deus de Paul Auster

Inyenzi ou as Baratas de Scholastique Mukasonga

 

Também quis fazer um mapa da nacionalidade dos autores que li e, apesar da maioria continuarem a ser autores europeus ou norte-americanos, assim como portugueses e brasileiros, a verdade é que ainda consegui ler autores de outros países e o objetivo é continuar a descobrir bons autores por esse mundo fora.

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E vocês, quais foram os vossos livros preferidos de 2025?

Há livros no Wonderland!

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Fui ao Wonderland em Lisboa e encontrei o quê? Livros, pois claro. Havia livros à venda (a vários preços), livros que podiam ser trocados por outros livros e uma caixa para doação de livros.

Claro que o ponto alto do evento continua a ser a roda gigante que, à noite, tem esta vista incrível:

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Ainda assim, confesso que preferi a casinha da Disney plus, que tem entrada gratuita e que imita uma casinha dos anos 90 com tudo aquilo a que tínhamos direito, desde cassetes em VHS, máquinas fotográficas, um gira-discos, a colecção dos livros de «Uma aventura», um leitor de CDs e uma série de referências a filmes da Disney, como o Sozinho em casa, a série The Bear (ainda não vi, mas toda a gente diz que é incrível), a Bela e o Monstro, Star Wars, entre outros. Enfim, se quiserem um bocadinho de nostalgia nas vossas vidas, recomendo a visita.

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Feliz Natal a todos os que vão passando por aqui (espero que recebam muitos livros!)

Quem matou o meu pai e o colapso de Édouard Louis

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A minha vontade de ler este autor surgiu depois de o ter visto conversar com Tati Bernardi, uma escritora de que gosto muito, no Fólio, no final do ano passado. Podem ver a conversa aqui.


Quem matou o meu pai

Em «Quem matou o meu pai», Édouard relata o retorno à cidade natal onde cresceu, numa das regiões mais pobres de França, perante a doença do pai.

É também o retorno a uma infância dolorosa, onde teve de lidar com a vergonha dos pais por ser diferente:

- Porque é que tu és assim? Porque é que te portas sempre como uma rapariga? Toda a gente na aldeia diz que és paneleiro, e nós que aguentemos a vergonha por causa disso, toda a gente se ri de ti. Não percebo porque é que fazes isso. (da mãe)

(...)

Uma noite, no café, disseste diante de toda a gente que preferias outro filho em vez de mim. Durante semanas, tive vontade de morrer. (do pai)

Édouard também aborda o tema da pobreza em França e a relação da masculinidade (ou de uma certa ideia de masculinidade com a mesma).

A masculinidade - não te comportes como uma rapariga, não sejas paneleiro - equivalia a sair da escola o mais depressa possível para se provar aos outros que se era forte, o mais cedo possível para se mostrar que se era insubmisso e, portanto, pelo menos é o que deduzo, ao construir-se a própria masculinidade era-se privado de uma outra vida, de um outro futuro, de um destino social diferente que os estudos poderiam tornar possível.

É um livro pequeno, que se lê de um só fôlego, mas intenso, com uma escrita poética e incisiva.

 

O colapso 

Se o livro anterior se foca na morte do pai, «O colapso» foca-se na morte do irmão que o autor não via há 10 anos e que tinha graves problemas de alcoolismo. Quando ele é internado, Édouard vai ter com a mãe para tratar dos pormenores da sua morte, enquanto vai refletindo sobre o seu passado conturbado com o irmão.

Ele estava morto mas ela era a única que tinha o direito de o fazer morrer. Ele tinha 38 anos.

Mais um livro intenso e muitíssimo bem escrito. Estou fã deste autor.

Falta-me ler um livro do autor (Para acabar de vez com Eddy Bellegueule) para completar esta trilogia.

A Guardiã de Yael van der Wouden: uma excelente surpresa

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Este livro foi uma grande surpresa!

Sabia muito pouco sobre ele e fiquei completamente arrebatada por esta história. Este livro passa-se nos Países Baixos em 1961, no pós-Segunda Guerra Mundial.

A personagem principal, Isabel, vive uma vida solitária na casa de família, no campo. Primeiro, Isabel vivia ali com a mãe e os dois irmãos, mas depois os irmãos saíram de casa e, mais tarde, a mãe morreu, deixando Isabel sozinha a cuidar da casa e do jardim. Isabel trata da casa de forma obsessiva, principalmente de tudo o que era da mãe. Conta o número de colheres, o número de pratos e mantém tudo quase como se fosse um museu.

É nesta casa que surge uma intrusa. Eva, a namorada do irmão mais velho Louis, vai lá passar algumas semanas e vai virar a vida obsessivamente organizada de Isabel do avesso.

É uma história de personagens, que está muito bem escrita. O ambiente de tensão, o suspense entre Isabel e Eva é palpável em cada página. E o plot twist no final é muito, mas muito bom. Que livro incrível e que história inesperada!

Todos os quartos vazios: o documentário da Netflix

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Todos nós que crescemos com um quarto só nosso sabemos que a. determinada altura, ali pelo ensino médio, até ao liceu e, para alguns, até mesmo à faculdade, o nosso quarto se torna o nosso santuário. O sítio onde penduramos pósteres dos nossos artistas preferidos na parede, onde escrevemos diários fechados a cadeado achando que isso impede alguém de os ler, o sítio onde pomos os headphones e ouvimos música, onde conversamos ao telemóvel (deduzo que hoje seja trocar mensagens no Whattsapp) durante horas a fio, onde vemos filmes de terror que escolhemos a dedo no clube de vídeo. O nosso quarto é o nosso mundo.

Em «Todos os quartos vazios», um documentário de 35 minutos, um jornalista e um fotógrafo juntam-se para, durante sete anos, fotografar os quartos vazios de crianças mortas em tiroteios escolares nos Estados Unidos. Aqui, seguimos três casas, três quartos, três crianças, três famílias em três estados diferentes do país. Os quartos estão, tal e qual, como foram abandonados há anos. Quando uma criança ou uma adolescente saiu a pensar que voltava ao final do dia e nunca mais voltou.

Além das famílias, também é interessante a perspectiva do jornalista que, durante anos, tentou encontrar histórias positivas nestes tiroteios, um herói ou uma heroína que fez a diferença e depois sentiu que os tiroteios já não o afetavam. Passava de um para outro como se fosse mais uma notícia. Não é. Não pode ser.

Podem ver a reportagem final (que não aparece no documentário) aqui. Mais fotografias dos quartos das crianças aqui.

Pensei que o meu pai era Deus de Paul Auster

Histórias da América profunda

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Foi neste post aqui do blog que a autora do blog «Livros que são amigos» deixou a sugestão de um livro de Paul Auster «Pensei que o meu pai era Deus».

Em 1999, enquanto fazia um programa de rádio, Paul Auster pediu aos ouvintes que enviassem histórias da sua vida, podiam ser curtas ou longas, podiam ser sérias ou cómicas, não tinham de ter um estilo literário, só tinham de ser honestas. Das mais de 4 mil que recebeu, selecionou 179 para fazer parte deste livro.

Este livro incrível está dividido em vários temas, que são animais, objectos, famílias, burlesco, desconhecidos, guerra, amor, morte, sonhos e meditações.

No fundo, é um relato da América profunda. Há histórias de veteranos da Guerra do Vietname, histórias de quem sobreviveu à II Guerra Mundial, histórias de quem passou pela Grande Depressão, histórias da Klu Klux Klan. Uma delas particularmente engraçada em que os indivíduos marcham com aquelas vestes típicas para não serem identificados, mas um cão reconhece o dono no meio do grupo e vai ter com ele a pedir atenção... como toda a gente reconhece o cão e sabe quem é o dono, ficam assim a saber que o veterinário da aldeia pertence à organização e, como o cão não desiste de chamar a atenção do dono, a família inteira mete-se no desfile para o ir buscar para gargalhada de todos os presentes naquele que devia ser um momento sério.

Há histórias que nos fazem rir e outras que nos fazem chorar.

Da secção família:

«Estou tão preocupada com a Martha...», disse-me a minha mãe quando nos sentámos no banco do corredor do hospital à espera que o médico examinasse o meu pai. «Deixámo-la a brincar no jardim e não lhe dissemos aonde íamos. Espero que não se tenha metido num canto a chorar.»

Limpei as lágrimas que me corriam pelo rosto. «Mas eu sou a Martha, mãe. Eu estou aqui consigo», disse-lhe procurando acalmá-la.

«Não, eu não estava a falar de si», respondeu-me a minha mãe. «Estava a falar da minha pequenina, da minha Martha.»

Da secção desconhecidos:

Preciso da aprovação deste homem e acabo de lhe matar o cão (num atropelamento)! (...) Quando me encaminhava para o gabinete de Rick, vi-o no corredor. Estava com cara de poucos amigos. Porém, quando se abeirou de mim, abraçou-me com toda a sua força e disse-me bem alto: «Fizeste-nos um grande favor, Jerry. O nosso cão estava velho e cego e tinha cancro e nem eu nem a minha mulher tínhamos coragem para o pôr a dormir. Estou-te muito grato pelo que fizeste.»

É um livro muito bonito que encontrei na biblioteca. Agradeço muito a sugestão (uma das vantagens de ter um blog) e agora passo-a para vocês.

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