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Quatro filmes e séries para ver: Critical, The salt path, Sinners e Unforgivable

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Critical (Netflix)

Esta série é um documentário de seis episódios sobre o London Major Trauma Centre que recebe chamadas de situações de trauma graves que põem em risco a vida das pessoa (acidentes de mota, atropelamentos, um acidente grave num parque de diversões, acidentes que podem levar à perda de um dedo, um braço, uma perna, a uma lesão cerebral grave, etc).

Acompanhamos vários casos de trauma graves, a forma como afectam a vida dos pacientes e também das suas famílias mas, além disso, também ficamos a conhecer muitos dos cirurgiões, médicos, enfermeiros e paramédicos que fazem um trabalho dificílimo e sempre sob pressão.

Além da recuperação física que um trauma grave implica (quando a pessoa tem a sorte de não morrer, que é o caso de todos os pacientes que surgem na série), também se fala bastante do lado psicológico que lidar com uma situação de vida ou morte implica para os próprios pacientes.

É uma grande série, sem dúvida, que merece todos os elogios por mostrar estes pacientes, estas famílias, estes profissionais de saúde do NHS. Tenham atenção que é uma série bastante gráfica que mostra cirurgias com algum detalhe.

 

The salt path

Que filme bonito e comovente.

Eu já tinha adorado o livro, mas o filme não lhe fica nada atrás, muito pelo contrário. Ray e Moth são um casal na casa dos 50 anos que perde tudo. A casa. A quinta que era o seu meio de sustento. Como se não bastasse, Moth é diagnosticado com uma doença neurológica rara e sem cura. Não tendo onde viver e não sabendo o que fazer decidem simplesmente andar pela Costa Sudoeste da Inglaterra, junto ao mar, acampando pelo caminho.

O filme tem a vantagem de nos trazer as imagens das paisagens belíssimas que vão encontrando, as praias, as falésias, o campo e os animais, as focas, os coelhos, os veados.

Uma história incrível de resiliência que termina bem. No final, Ray transcreve as notas da viagem para as oferecer ao marido, Moth, e estas acabam por se transformar num livro bestseller e, agora também, num filme. Recomendo muito.

 

Sinners

Em 1932, dois irmãos gémeos, veteranos da Primeira Guerra Mundial, regressam à sua cidade natal no Mississippi para abrir um clube de blues.

Não sabia mesmo o que esperar deste filme, mas esta combinação de vampiros e boa música resultou para mim. A cena dos vampiros a cantarem música irlandesa à noite é qualquer coisa de muito bom. Uma boa surpresa.

 

Unforgivable (BBC)

Um filme bastante pesado sobre um homem que sai da prisão depois de ter abusado sexualmente do próprio sobrinho. Depois de sair da prisão, Joe passa a viver numa casa com outros pedófilos onde é ajudado por uma antiga freira e onde passa a ir à missa todos os domingos.

Ao longo do filme, vamos acompanhando a forma como a família lida com tudo o que aconteceu. Um filme muito bem conseguido sobre um assunto pouco abordado.

O parque dos cães de Sofi Oksanen

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Estamos na Ucrânia do início dos anos 2000s e as raparigas de famílias modestas desesperam por um emprego que lhes dê algum dinheiro. Muitas têm pais e irmãos a trabalhar nas minas, um emprego que resulta, muitas vezes, em catástrofe para a família inteira.

A nossa protagonista e a narradora da história opta por se tornar dadora de óvulos para famílias ocidentais em busca de um filho. É um mercado em crescimento no país por várias razões. As raparigas são bonitas, os salários que pedem baixos e a lei deixa claro que a dadora não tem qualquer direito à criança, que o seu nome não surge em nenhum certificado. As dadoras são invisíveis.

A chefe da empresa "refaz" a história da protagonista o melhor que consegue, arranja as melhores fotografias da sua família, decide que ela nunca viveu perto de Chernobyl, vê o seu corpo vestido e despido de alto a baixo e manda fazer todos os exames médicos necessários.

Em pouco tempo, a protagonista passa de dadora a coordenadora e nós, leitores, somos enviados para 2016, dez anos depois dos acontecimentos iniciais, onde a nossa protagonista se esconde em Helsínquia para sua própria segurança, trabalha nas limpezas e vai ao parque dos cães para ver a família cujo filho rapaz resultou de um dos óvulos que doou. É aí que é descoberta por Daria, uma das raparigas que contratou como dadora de óvulos, dos quais resultou a rapariga que pertence à mesma família.

Num piscar de olhos, o rapaz irá para o liceu e depois talvez para a universidade, e se o fizer receberá uma ajuda financeira decente, em vez de viver de sacos de batatas enviados pelos pais. (...) Não aprenderá a fazer cocktails molotov com lâmpadas. A sua família não será dividida por uma guerra, nem por uma revolução.

Porque é que a vida da nossa protagonista deu uma volta tão grande? Porque é que se esconde? Porque é que tem medo que alguém a atire para debaixo de uma carruagem de metro ou para a frente de um autocarro? E que impacto tem a doação de óvulos para as próprias dadoras?

É isso que temos de ler para descobrir. Já tinha esta autora debaixo de olho há algum tempo e, como este era o único livro dela na biblioteca, optei por começar por este livro. Achei a história interessante e muito bem construída. Só mudava o final, que achei demasiado apressado. Quero ler mais livros da autora.

Já leram algum livro desta autora? Que livros aconselham?

A idade frágil de Donatella Di Pietrantonio

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Depois de ler «A filha devolvida» de Donatella di Pietrantonio, soube que queria ler o outro livro da autora publicado em Portugal. Tenho pena que esta autora italiana tenha passado despercebida num mercado saturado de novidades porque os seus livros são, na minha opinião, muito interessantes.

«A idade frágil» passa-se durante a pandemia quando Amanda, que vive e estuda em Milão, regressa a casa da mãe, numa pequena aldeia italiana. O problema é que a filha quase não sai do quarto e quase não fala e a mãe - Lucia - está obcecada em entender o que se passa com a filha.

À medida que a história se desenvolve percebemos que existiu um crime que mudou esta pequena aldeia para sempre. O crime do livro é baseado num crime real que ocorreu em Abruzzo, a terra natal da autora.

No livro, três raparigas desapareceram de um parque de campismo que ficava num dos terrenos da família. Lucia estava presente na noite do crime. Não quero revelar mais para não desvendar a história, mas gostei muito deste livro e quero ler tudo desta autora.

The minds of Billy Milligan de Daniel Keyes: o homem com 24 personalidades

Para quem gosta de charadas

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O «Flores para Algernon» de Daniel Keyes é um dos meus livros preferidos da vida. Por isso, quando reparei que o autor tinha outro livro, ainda por cima sobre um caso verídico, decidi ler.

«The minds of Billy Milligan» conta a história real de como, no final dos anos 70 nos Estados Unidos, Billy foi preso pelo rapto e violação de três raparigas num campus universitário. Foi pedida uma avaliação de saúde mental pelo seu estranho comportamento.

A primeira psicóloga que entrevistou Billy ficou estupefacta. Na verdade, ela não conseguiu falar com Billy (que estava a "dormir"), mas ficou a conhecer várias das suas, não uma, mas 10 personalidades diferentes (mais tarde, seriam relevadas um total de 24 personalidades diferentes). Cada vez que uma nova personalidade "entrava em cena", Billy retraía-se, ficava com os olhos vidrados e depois aparecia alguém que se apresentava a Dorothy, a psicóloga. Havia um rapaz de 8 anos chamado David que absorvia todo o sofrimento, havia um homem chamado Arthur, com sotaque britânico e algo arrogante, que era também o mais racional, havia Ragen que era o único autorizado a mexer com armas e que admitiu ter feito roubos preocupado com as contas de Billy, havia Tommy, o adolescente despreocupado e havia uma mulher lésbica chamada Adalana que era a alegada responsável pelos crimes de violação. Querem que torne tudo mais confuso? Muitas personalidades não se conheciam entre si e Billy não sabia da existência de nenhuma.

A teoria das várias personalidades para explicar o sono permanente de Billy, ou seja, o facto de ele nunca "se chegar à frente" é que, com apenas 16 anos, subiu ao telhado de uma casa para se matar. As outras personalidades pararam-no mas, a partir daí, a missão passou a ser proteger Billy de si próprio. Das várias vezes que as outras personalidades o deixaram "chegar-se à frente" na prisão, tentou sempre matar-se. Isto devia-se, em boa parte, aos longos períodos de amnésia de que sofria quando eram as outras personalidades que estavam no controlo. Por outro lado, Billy foi vítima de abusos sexuais por parte do padrasto na infância o que, segundo os psicólogos e psiquiatras poderia justificar a sua desintegração em múltiplas personalidades.

Sometimes I wonder: Do I want to get well? Is all this fear, all this shit I’m going through now worth it? Or should I bury myself back here in the brain and forget about it? What’s your answer? "I don’t know."

Durante o julgamento, Billy foi absolvido por razões de insanidade devido a múltiplas personalidades. Foi a primeira vez na história dos Estados Unidos que isto aconteceu. Claro que as opiniões se dividiam entre Billy ser, de facto, um homem atormentado, preso nas suas 24 personalidades, ou um mentiroso compulsivo e um actor brilhante.

Mais importante do que isso, há três mulheres que foram raptadas, roubadas e violadas e que viram o seu violador ser, não só, considerado inocente, como tornar-se um dos homens mais famosos dos Estados Unidos na época. As mulheres violadas foram completamente esquecidas a favor do seu agressor (apesar disso, duas delas aceitaram ser entrevistadas para o livro de Daniel Keyes e dar a sua versão dos acontecimentos).

O autor - Daniel Keyes - foi, na verdade, escolhido por Billy para o entrevistar ao longo de um período de dois anos e contar a sua história, depois de ter lido e adorado o livro do autor «Flores para Algernon». Foi uma investigação muito aprofundada do caso que deu origem a este livro que não está traduzido em português. Mas claro, muito do que aqui está escrito é baseado na narração dos acontecimentos por parte de Billy, mas será que ele é um narrator confiável?

Billy passou mais de uma década a entrar e sair de hospitais psiquiátricos, poderá (ou não) estar envolvimento no desaparecimento de duas pessoas enquanto esteve em liberdade. Depois disso, foi diagnosticado com cancro e morreu em 2014, curiosamente o mesmo ano em que Daniel Keyes também morreu.

Há uma série da Netflix "Monsters inside: the 24 faces of Billy Millingan", que explica bem o caso e o seu impacto para o sistema jurídico e para a psicologia. Além disso, enquanto o livro conta a história exclusivamente do ponto de vista de Billy e da sua família, a série mostra os dois lados (Billy estar a dizer a verdade ou ser um mentiroso compulsivo) e também destaca que as vítimas nunca deveriam ter sido esquecidas pelo sistema de justiça e pelos media neste caso e foram completamente apagadas desta história...

Quake (museu do terramoto): vale a pena?

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Desde que o Quake, o museu do terramoto abriu em Lisboa que tinha curiosidade em visitar, mas as mixed reviews que li deixavam-me um bocadinho de pé atrás.

Acabada de sair de lá, vim partilhar as minhas impressões a quente.

Então, o Quake está dividido em 10 salas e funciona em grupos. Portanto um grupo entra junto e percorre as salas ao longo de uma hora e meia a uma hora e quarenta.

A ideia do museu é o público fazer uma viagem no tempo até ao dia 1 de novembro de 1755, dia de Todos os Santos, em que toda a gente se preparava para os festejos e para a missa quando o pior aconteceu: o terramoto. Seguido pelos incêndios porque toda a gente tinha velas ligadas para celebrar a data religiosa e, por fim, pelo tsunami que varreu Lisboa 90 minutos depois do terramoto.

O pão por Deus já existia, mas ganhou mais vida depois do terramoto como forma de entreajuda.

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Depois ainda acompanhamos um bocado do pós-terramoto e daquilo que foi a reconstrução total de Lisboa pelo Marquês de Pombal.

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O museu é muito interativo e, confesso, que gostei muito mais do que estava à espera. Também inclui dois simuladores de terramoto, um deles achei particularmente bom (e não recomendado a pessoas com problemas de coluna que é o meu caso, mas não fez mossa).

Em quase todas as salas, há intercomunicadores nos quais vocês podem pegar, escolher a língua e ouvir a explicação em cada espaço. Ou podem simplesmente ler o QR code no vosso telemóvel e ouvir a explicação pelo mesmo (com ou sem phones), o que é muito prático.

Também há salas onde podem interagir com os materiais para fazer acontecer coisas: ver mexer placas tectónicas, ver como abanam diferentes tipos de edifícios. Enfim, é mesmo interativo. O que me leva à única coisa de que não gostei. O tempo. Não consegui ter noção do tamanho do grupo, mas o tempo está claramente contado para cada sala e, nalguns casos, gostava de ter tido mais tempo para explorar as coisas e ouvir as explicações ao meu ritmo, sem a "pressão" de que vamos ter de seguir para a sala seguinte com o grupo. De resto, valeu muito a pena a experiência.

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Story Owl: a nova livraria-café de Torres Vedras

Fiquei muito feliz quando descobri que a Catarina ia abrir uma livraria independente em Torres Vedras, um sítio onde, além de não haver mais nenhuma, há muito pouca oferta de eventos culturais.

Story Owl fica mesmo no centro de Torres e tem um conceito muito baseado em Dark Academia. O espaço está absolutamente lindo e tem uma curadoria de livros incrível (cada um era mais bonito do que o anterior, tanto que foi muito difícil escolher o que trazer).

Além de ter uma secção de livros em português e outra em inglês, a livraria também tem novelas gráficas, oráculos, artigos de papelaria, uma secção para crianças com livros infantis e um bar/cafetaria que até tem irish coffee!

Adorei e conto voltar muitas vezes.

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Cai a noite em Caracas de Karina Sainz Borgo

Um livro duro

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Este ano tenho tentado (ênfase no tentado) ler os livros que tenho há demasiado tempo à espera na estante. E este era um deles.

Este livro começa com a personagem principal - Adelaide - a enterrar a sua mãe. Estamos em Caracas, na Venezuela, um país onde prospera a criminalidade, a corrupção, a falta de alimentos e o medo. Um país onde um maço de notas deixou de ter qualquer valor.

(...) e o desânimo abria caminho com a mesma força do desespero de quem via desaparecer tudo aquilo de que precisava: as pessoas, os lugares, os amigos, as lembranças, a comida, a calma, a paz, a sensatez.

Adelaide dá por si sozinha depois da morte da mãe, ao descobrir que a sua casa foi ocupada por um grupo de mulheres às ordens do regime. Para sobreviver, Adelaide vai ter de deixar de ser quem é. Os capítulos da vida de Adelaide no momento presente são intercalados com memórias de infância, essencialmente passada com a mãe.

Gostei muito do livro e também gostei de ler esta entrevista da autora.

Já leram algum livro desta autora? Fiquei curiosa com «O terceiro país».

Livros em Óbidos

Já tinha ido a Óbidos, mas nunca calhou escrever aqui sobre este pequeno paraíso literário.

Livraria do Mercado

É provavelmente a minha preferida porque mistura livros novos com livros em segunda mão. Encontra-se tudo e mais alguma coisa e há muitos livros antigos a bons preços. Além disso, tem livros em várias língua e é também aqui que fica o mercado biológico de Óbidos.

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Livraria de Santiago

A livraria de Santiago, antiga igreja de São Tiago, tem uma seleção de livros novos, com muitas novidades e alguns livros mais antigos. No piso de cima, há uma poetisa, Natália Santos, que escreve poemas e os combina com joias feitas de renda à mão.

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Biblioteca José Saramago

Por fim, temos a biblioteca José Saramago que é uma homenagem ao nosso Nobel da Literatura em parceria com a fundação José Saramago.

Foi a primeira vez que visitei, e a biblioteca é incrível porque combina partes do edifício em pedra com zonas mais modernas, incluindo um terraço com fachadas pintadas com os diferentes livros do autor e algumas redes e espaços de leitura.

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E vocês, já conhecem estes espaços em Óbidos?