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Livros, viagens e tudo o que nos acrescenta

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Marilyn de María Hesse

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Há muito tempo que tenho interesse em conhecer mais da história de Marilyn Monroe. Uma mulher que o público (e não só) via como uma loira burra que fazia uns filmes. Na realidade, Marilyn estudou literatura e representação, escrevia textos e poemas e deixou uma biblioteca com mais de 400 livros com autores como Dostoiévski, Walt Whitman e James Joyce. Rabiscava nos livros e dobrava páginas a que queria regressar mais tarde.

Teve uma infância triste, com a qual nunca fez as pazes. Cresceu entre uma mãe que pouco lhe deu e uma série de lares de acolhimento onde as famílias só estavam interessadas nos poucos dólares por semana que ganhavam por tomarem conta dela.

A sua história vai parar aos filmes de Hollywood de uma forma muito natural. Esse era também o sonho da mãe de Marilyn que viveu, em parte, rodeada de atores secundários e da ideia de que o sonho americano passava pelos ecrãs do cinema.

Marilyn bem tentou mas aquilo que lhe poderia ter dado uma vida boa, revelou-se uma sucessão de espinhos e fracassos. Por tudo isto, o final (do livro e da vida de Norma Jeane) não é surpreendente.

É engraçado que María Hesse tenha escrito a biografia ilustrada de Frida Kahlo e depois de Marilyn Monroe. Duas mulheres que alternaram entre a arte e uma vida privada cravada de espinhos. Duas mulheres que sofreram inúmeros abortos (Marilyn sofria de endometriose). Duas mulheres que deixaram um legado de arte e sofrimento. Marilyn deixou livros sobre a arte de Frida na sua biblioteca pessoal.

Tal como o da Frida, esta biografia é belissimamente ilustrada e uma boa introdução à vida de Marilyn. Quero muito ler a biografia romanceada de Joyce Carol Oates.

Sobre saudades

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Estava a ler o último livro da trilogia autobiográfica de Deborah Levy que se chama «Direito de propriedade» e gostei tanto desta passagem:

O Egeu é o mar dos deuses. É ambrósia. Néctar. Quente, mas não demasiado quente. É amistoso e é voluptuoso, como se fôssemos abraçados por um corpo nem demasiado próximo nem demasiado afastado. Tira-me a dor da esperança frustrada num amor duradouro, liga-me à minha mãe que me ensinou a nadar, serena os meus medos quanto ao futuro, alivia a tensão do meu casamento terminado, ajuda-me a ter ideias mas também me esvazia a mente, aproxima-me ao mesmo tempo da vida e da morte. Não sei porquê, mas é assim.

Se seguem este blog há algum tempo devem saber que eu amo a Grécia e tenho sempre saudades da Grécia, principalmente no Verão.

Outras coisas de que tenho saudades: andar de avião, comer pão quentinho com manteiga (não posso), do regresso às aulas, do cheiro a castanhas (nem gosto de castanhas mas gosto do cheiro).

As novas séries que ando a ver: Squid game, Only murders in the building, The chestnut man e Clickbait

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Duas séries dentro do género policial/thriller, uma comédia nostálgica e a distopia coreana que está nas bocas do mundo e que deu um excelente sketch na SNL.

Squid Game

O que há a dizer sobre a série de que o mundo inteiro está a falar?

Há uns anos quando fui ao National Geographic Summit ouvir uma exilada norte coreana ela disse que pensava que a vida na Coreia do Sul seria fácil e ficou desolada com o nível de competitividade do país. Os suicídios entre exilados na Coreia do Sul são muito altos. Lembrei-me disto a ver Parasitas e a ver squid game. A crítica social é semelhante. O produto não. Squid game é uma série feita para nos despedaçar. É extremamente violenta e perturbadora mas é genial. Não é para pessoas sensíveis e se estiverem numa fase menos boa não recomendo de todo! Se decidirem ver é uma série que dificilmente vão esquecer.

Trailer aqui

 

Only murders in the building

Que lufada de ar fresco! Uma série em que um grupo de vizinhos se junta para desvender a morte de um homem no prédio onde vivem. Tem drama e comédia e é uma espécie de cluedo com um podcast à mistura. Além disso, junta personagens mais jovens com personagens mais velhos sem tirar protagonismo a nenhuns o que é raro de se ver em televisão.

Trailer aqui

 

The chestnut man

É uma série baseada num policial nórdico (que não li). É a clássica série em que há uma série de assassinatos e dois polícias (que não se dão bem) tentam resolver o caso. Há um homem feito de castanhas deixado em cada local. Dentro do género, é das melhores séries que já vi. Há duas linhas que se cruzam (a dos homicídios e a história de uma política) de forma genial. Gostei do enredo, dos diálogos e achei a execução extremamente bem feita. Só gostava que alguns personagens tivessem sido mais desenvolvidos.

Trailer aqui

 

Clickbait

Um vídeo é publicado no YouTube. Um homem segura um cartaz a dizer que matou uma mulher. Outro cartaz a dizer que quando o vídeo chegar às cinco milhões de visualizações ele morre. Não deve ser surpresa para ninguém que o vídeo rapidamente viraliza. Para saberem o que acontece a seguir têm mesmo de ver. Esta é uma daquelas histórias em que todos os personagens escondem alguma coisa e cada episódio é dedicado a um dos segredos.

O certo é que o impacto das redes sociais se mede em tudo, até no crime. Basta ver o caso da Gabby Petito. A Gabby foi viajar de carrinha com o namorado pelos Estados Unidos. Depois, o namorado voltou para casa sem ela e a família deu-a como desaparecida.

O caso viralizou. Um casal de youtubers a viajar de auto caravana percebeu que tinha um vídeo em que passavam ao lado da carrinha de Gabby. E foi precisamente a partir desse vídeo que o FBI conseguiu encontrar o corpo de Gabby, na zona onde a carrinha aparecia estacionada no vídeo. Será que a teriam encontrado sem as redes sociais? Talvez sim, mas não a teriam encontrado tão depressa.

Neste caso, as redes serviram para ajudar. Tantas vezes têm o efeito inverso. Alguém que seja inocente mas acusado publicamente terá muita dificuldade em desfazer-se dessa fama mesmo que não haja qualquer fundo de verdade. Enfim, clickbait é uma série sobre o poder das redes sociais.

Trailer aqui

E vocês, que séries andam a ver?

O luto de Elias Gro de João Tordo

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Foi o primeiro romance que li de João Tordo. Antes disso, só tinha lido o «Manual de sobrevivência de um escritor». Trouxe este livro da biblioteca porque, entre os muitos romances do autor, era aquele que mais me chamava à atenção.

Este livro conta a história de um homem que aluga um farol numa pequena ilha remota onde conhece um padre, uma menina de onze anos, e um escritor cuja casa foi engolida pelo mar. É um livro sobre os demónios do passado e sobre a solidão.

Eu sei que é um dos livros mais aclamados do autor, mas confesso que não fiquei rendida. Gostei muito do livro numa fase inicial. Há uma atmosfera melancólica que me fez perceber porquê que dizem que Tordo sabe criar o ambiente dos seus livros como ninguém. 

No fundo, a dor é paz; um lugar intermédio onde finalmente entendemos que, por mais que se repitam os gestos hábeis de todos os dias, o que aconteceu nunca tornará, e todas as coisas - todas, sem excepção - se irão perder, uma de cada vez, devagarinho, sem que tenhamos tempo de as deter na ida ou de perguntar para onde vão.

Gostei muito da atmosfera do livro e dos personagens. No entanto, a meio do livro comecei a sentir que algumas partes se tornaram repetitivas e desnecessárias e cheguei ao fim sem me ter conseguido sentir dentro da história. 

Vou, provavelmente, dar outra oportunidade ao autor mas talvez leia um dos seus thrillers em vez de outro romance.