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Untamed de Glennon Doyle

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Não sabia nada sobre a Glennon Doyle antes de ler este livro mas ela é uma ativista e escritora norte-americana. Glennon era uma mulher de quarenta anos, cristã e casada com um homem com quem tinha três filhos quando se apaixonou por uma mulher.

Acho difícil escrever sobre este livro porque saí bastante desiludida da leitura. O problema, como tantas vezes, foram as expectativas.

O que eu pensava que este livro era: Um livro de memórias sobre a experiência de ser uma mulher cristã num casamento heterossexual e apaixonar-se por uma mulher. Há, de facto, alguns capítulos em que Glennon se foca nisso e foram os melhores do livro (ou devo dizer, os únicos que valeram a pena?).

I looked hard at my faith, my friendships, my work, my sexuality, my entire life and asked: How much of this was my idea? Do I truly want any of this, or is this what I was conditioned to want? (...)

Every untruth is an unkindness, even if it makes others comfortable.

O que este livro é: Um misto de capítulos de memórias em que Glennon partilha a sua história de vida, com capítulos de auto-ajuda em que partilha coisas tão úteis como "sê tu própria e vais ser feliz" com capítulos em que consegue encaixar todos os temas fraturantes de 2020. Glennon aborda desde feminismo, masculinidade tóxica, racismo, Donald Trump, as crianças separadas dos pais na fronteira dos Estados Unidos, redes sociais, saúde mental, tiroteios escolares e por aí fora. É claro que estes temas são importantes mas são abordados com tanta superficialidade que acaba por ser uma mão cheia de nada.

Resumindo, adorei as primeiras cinquenta páginas do livro, assim como todos os capítulos sobre a experiência pessoal da autora. Se o livro fosse só isto, tenho a certeza que teria adorado. Achei tudo o resto forçado e desnecessário. Mais para o final, Glennon volta a focar-se na história dela e o livro volta a ganhar o (maravilhoso) tom inicial.

Pequenas alegrias: receber postais

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Há muitas pequenas alegrias que perdemos por causa da pandemia mas felizmente poder receber postais não foi uma delas. Ainda no final do ano passado, fiz uma encomenda na livraria solidária de Carnide (de que já falei aqui) que chegou já este ano com um simpático postal.

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Troquei também alguns postais bonitos com a sweet e recebi um postal (em baixo à esquerda) que veio de Paris. Isto faz-me ter saudades do postcrossing, em que as pessoas trocam postais com utilizadores do mundo inteiro. Usei durante uns bons meses há alguns anos e gostei bastante mas depois acabei por parar. De qualquer forma, ainda guardo muitos dos postais que recebi:

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P.S. - No domingo não se esqueçam de ir votar.

Sobre votar

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Custa-me olhar à volta e perceber que uma boa parte dos meus amigos e conhecidos da minha idade (vintes e tais até aos trintas e tais) não votam. Custa-me porque parece-me que é perigoso acomodarmos-nos politicamente.

É certo que o voto é opcional e as pessoas têm o direito de não votar. Eu entendo, mas não concordo. A política em Portugal é árida e desinteressante. É ouvir constantemente os mesmos partidos, as mesmas pessoas a debitar as mesmas ideias ano após ano. Mas não podemos esquecer que as liberdades que temos, e que muitas vezes tomamos como garantidas, são o resultado de decisões políticas. Decisões essas aprovadas por políticos eleitos pelos cidadãos que votam. E não votar, seja porque razão for, é não entender que as liberdades se perdem mais facilmente do que imaginamos. Às vezes, basta estarmos distraídos.

Um dos problemas da democracia é que a cruzinha no boletim não é capaz de captar todas as subtilezas do voto. Ou se vota sim ou não. Ora, às vezes vota-se num determinado candidato sem convicção, ou até com repugnância, ou como forma de protesto. Mas a cruzinha só transmite a mensagem simplista do apoio.
Ricardo Araújo Pereira no livro «Idiotas úteis e inúteis»

Espero que no próximo dia 24 vão votar (se não votaram antecipadamente). Se precisarem de saber onde podem votar basta irem aqui.

Algumas sugestões:

A avó e a neve russa de João Reis

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Já tinha lido coisas maravilhosas sobre este livro. Leio muito menos livros de autores portugueses do que gostaria mas ainda bem que peguei neste.

Tem uma capa lindíssima e, felizmente, a história faz-lhe jus. «A avó e a neve russa» é contada do ponto de vista de um rapaz que vive com a família em Montreal, no Canadá. A avó nasceu na Rússia e sobreviveu ao acidente nuclear de Chernobyl e, depois disso, a família emigrou para o Canadá. A avó vive com uma tosse persistente e sem fim. Na tentativa de ajudar a avó, o neto vai pedindo ajuda aos vizinhos na tentativa de encontrar um final feliz para a avó.

Deve ser mais um dos casos de lógica de adultos: tanto dizem que a vida está sempre a mudar, como dizem que já não se pode mudar tudo.

O desenrolar da história não é surpreendente, nem o seu final, mas o livro está maravilhosamente bem escrito. Faz-nos sorrir, em muitos momentos, pelos pensamentos desta criança que tenta ajudar a avó. Deixa-nos comovidos noutros momentos.

Não sei o que esperava quando peguei neste livro, mas saí muitíssimo surpreendida pela excelente ficção que se escreve em Portugal. E fiquei curiosa para ler os outros livros do João Reis.

Doze autoras que quero ler este ano

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Doze autoras que ainda não li ou li muito pouco, tendo em conta os livros que tenho em casa e que já estou para ler há muito tempo.

Agatha Christie - Acho sempre que Agatha Christie é leitura de avião porque o único livro que li da autora foi entre voos e aeroportos . Adoro a nova coleção dos livros dela da asa e gostava de começar por «No início, eram dez».

Bernardine Evaristo - A autora de «Rapariga, mulher, outra» que ganhou o Man Booker Prize e que foi muito falado no ano passado.

Daphne du Maurier - É uma grande falha ainda não ter lido Rebeca porque, por um lado, é um dos clássicos que mais tenho interesse em ler e, por outro, adoro o género de thriller psicológico. Além disso, queria ler para depois ver a adaptação da Netflix.

Donna Tart - Outra autora que tenho muita curiosidade em conhecer mas de quem ainda não li nada. Quero começar por «O pintassilgo» (para depois ver o filme também).

Dulce Maria Cardoso - Sei que o mais conhecido é «O retorno» mas confesso que a história não me entusiasma muito. Em vez disso, tenho o «Eliete» para ler.

Elizabeth Strout - Fiquei curiosa com a autora desde que vi a série de Olive Kitteridge (HBO) que é excelente. Quero ler o livro que inspirou a adaptação e também ler «O meu nome é Lucy Barton».

Kristin Hannah - Tenho algumas dúvidas sobre se vou gostar dos livros desta escritora mas como tenho interesse em saber mais sobre o Alasca quero ler «A grande solidão».

Marguerite Yourcenar - Esta autora é mais conhecida pelas memórias de Adriano mas tenho mais curiosidade em ler «Alexis».

Martha Batalha - Uma das autoras brasileiras que tenho mais curiosidade em ler. Pretendo começar por «Um castelo em Ipanema».

Maya Angelou - Depois de ter lido «Mataram a cotovia» de Harper Lee no ano passado, pretendo ler «Sei porque canta o pássaro na gaiola» este ano.

Rachel Kushner - Tenho «O quarto de Marte» para ler. Adoro a história mas quanto comecei a ler não estava a gostar muito e parei mas pretendo retomar.

Virginia Woolf - É verdade, ainda não li nada de Virginia Woolf. Nem sei bem por que livro começar mas como tenho o «Flush» em casa, gostava de ler esse.

E vocês, que autoras gostavam de ler este ano?

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