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Livros, viagens e tudo o que nos acrescenta

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Vale (muito) a pena ir à exposição do Harry Potter

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Tenho sempre inveja quando alguém diz que vai ler os livros de Harry Potter pela primeira vez. Já cheguei tarde à saga uma vez que li os livros aos vinte anos (e escrevi aqui sobre isso) mas adorei. Vi os filmes nessa altura também pela primeira vez e foi maravilhoso. E essa magia é irrepetível. Depois disso ainda li "Harry Potter e a criança amaldiçoada" e, apesar de ter gostado, simplesmente não é a mesma coisa. Vi os filmes dos monstros fantásticos e, lá está, gostei mas não é a mesma coisa. Essa sensação de entrar num mundo onde nos sentimos em casa repete-se a rever os filmes pela milésima vez ou quando fui ver a orquestra a tocar "Harry Potter e o prisioneiro de Azkaban" no meo arena (o eterno Pavilhão Atlântico). Uma experiência que recomendo muito.

Por isso, achei que devia dar uma oportunidade à exposição sobre Harry Potter que está no pavilhão de Portugal, em Lisboa, até Abril. E ainda bem que o fiz. A exposição consiste em cenários dos filmes (como a cabana do Hagrid), em roupas usadas pelos atores, numa série de objetos usados nos filmes e, provavelmente a minha parte preferida, muitos recortes do profeta diário espalhados pelos cenários. Uma das notícias dava conta da diminuição do preço das casas em Hogsmeade depois do avistamento de devoradores da morte. Se isto não é atenção ao detalhe... Enfim, apesar do preço alto dos bilhetes, recomendo muito a experiência para todos os fãs da saga.

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Numa casca de noz de Ian McEwan

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Este foi o primeiro livro que li de Ian McEwan que tem alguns livros bem mais conhecidos como «Expiação» e «Na praia de Chesil», ambos adaptados (e muito bem) ao cinema. «Numa casca de noz» era, além do único livro do autor que havia na biblioteca, o que tem uma premissa mais estranha. Se não vejamos, este livro conta a história de uma mulher grávida (Trudy) que pretende, em conjunto com o amante (e cunhado) Claude matar o marido e pai da criança. O narrador é, nada mais nada menos, do que o feto. Além de narrar este mundo de adultos complicados ao qual está prestes a juntar-se, o narrador também tece considerações sobre o mundo e as notícias da atualidade.

Quem sabe o que é a verdade? É difícil reunir indícios por mim próprio. Cada premissa é acompanhada ou anulada por outra. Como todas as pessoas, aceitarei o que quiser, o que me convier.

É certo que a história é dramática, o narrador é invulgar mas, de alguma forma, resulta. É um livro pequeno (tem menos de 200 páginas) que se lê rapidamente e que nos prende até ao fim da história, sem sabermos muito bem de que lado devemos ficar ou por quem torcer. Há momentos em que parece um drama, outros em que parece uma tragédia, outros em que parece que estamos a ler uma peça de teatro (qualquer semelhança com Hamlet não é pura coincidência).

Resumindo, é um livro bom (muito bom) que recomendo se quiserem fugir às leituras habituais e experimentar algo mais "fora da caixa".

Tag: problemas de um leitor

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Fui nomeada para esta tag sobre livros (problemas de um leitor) e aqui estão as minhas respostas:

1. Tens 20 mil livros na tua TBR. Como é que decides o que vais ler a seguir?

É verídico, tenho mesmo muito livros por ler. Normalmente, leio algumas páginas de vários livros e só continuo o que me fizer mais sentido ler naquele momento.


2. Estás a meio de um livro de que não estás a gostar. Desistes, ou continuas?

Depende, posso parar de ler e deixar de lado para retomar mais tarde. Se não for de todo para mim, desisto e troco ou vendo na internet.



3. O final do ano está a chegar e estás atrasado no teu desafio de leitura do Goodreads. O que decides fazer?

Por acaso, nunca me aconteceu porque costumo escolher sempre um valor mais baixo do que o número de livros que acho que vou conseguir ler. Expectativas baixas.

 

4. As capas de uma série que adoras não combinam! Como é que lidas com isso?

Nunca me aconteceu mas a verdade é que, depois da tetralogia de Elena Ferrante não voltei a pegar em nenhuma série.

 

5. Toda a gente gosta de um livro que tu odeias. Com quem é que partilhas os teus sentimentos?

Com o goodreads!?

 

6. Estás a ler um livro e estás prestes a começar a chorar em público. Como é que lidas com isso?

Já me aconteceu a ler o "When breath becomes air" na livraria do El corte inglês. 


7. O segundo volume de uma série que adoras acabou de sair, mas esqueceste-te do que acontece no primeiro livro. Lês o livro anterior novamente? Lês uma sinopse ou uma review? Choras de frustração?!

Normalmente leio algum resumo ou opinião, mas não volto a ler o livro.

 

8. Não queres que ninguém, NINGUÉM, pegue no teus livros e os estrague. Como é que dizes educadamente às pessoas que não lhes vais emprestar um livro?

Normalmente quem tenta estragar os meus livros são os meus gatos. Nem sequer pedem autorização.

 

9. Começaste a ler cinco livros no último mês e não conseguiste terminar nenhum. Como é que sobrevives a uma ressaca literária?

Acontece-me muito. Normalmente, tento ler livros mais leves e fluidos (acabei recentemente "A sociedade literária da tarte de casca de batata") ou livros de crónicas em que podemos facilmente ler duas ou três por dia.

 

10. Há muitos livros novos que foram lançados e que estás cheia de vontade de ler! Quantos deles é que chegas a comprar?

Sinceramente, gosto cada vez mais da ideia de ter uma estante cheia de livros em segunda mão. Por isso, compro cada vez menos livros acabados de lançar. Este ano, não consegui resistir ao "Lá, onde o vento chora" da Delia Owens e ao "Pessoas normais" da Sally Rooney.

 

11. Depois de teres comprado os livros que tanto querias, quanto tempo é que eles ficam na estante até serem lidos?

Ui, às vezes, demasiado...

O pintor debaixo do lava-loiças de Afonso Cruz

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Josef Sors, o personagem principal deste livro está constantemente a dizer que a sua vida é sempre a descer. Pois bem, a minha relação com os livros de Afonso Cruz tem sido o oposto. Li «Flores» há uns anos e não gostei por aí além, depois li «Os livros que devoraram o meu pai» e gostei muito. Depois li este «O pintor debaixo do lava-loiças» e agora sim, já posso dizer que me apaixonei por um livro do Afonso Cruz.

Não quero revelar muito da história porque a graça deste livro está nas surpresas, nas voltas e reviravoltas da narrativa, no desenvolvimento do personagem principal, nas ilustrações e nas frases bonitas, como estas:

Por vezes isso é identificado como um emprego, mas na verdade são apenas coisas para fazer. A mãe de Sors só vivia se fosse obrigada. Se a mandassem fazer coisas, ela existia, mas se a deixassem em liberdade, ela desaparecia.

O seu passado parecia ter ficado definitivamente para trás, mas o passado nunca fica para trás. Anda sempre connosco. Mais ainda, vai à nossa frente, e o futuro só o vemos através desse passado.

A felicidade é quando nos esquecemos da infelicidade em que vivemos.

É preciso muito cuidado com o indutivismo que nos faz crer que o dia de amanhã seguirá o de hoje porque tem acontecido assim desde sempre. É que o futuro, entretanto, pode ter-se transformado em areia.

Mas posso dizer o essencial: esta é a história, baseada num episódio real (passado com os avós de Afonso Cruz) de um pintor eslovaco que nasceu no final do século XIX, que emigrou para os Estados Unidos e que voltou a Bratislava. Por causa do nazismo, teve de fugir para debaixo de um lava-loiças.

Leiam por vossa conta e risco

O crime do padre Amaro contado às crianças

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Em primeiro lugar, quero dizer que não li o livro original do Eça de Queirós portanto não posso comparar esta adaptação com o livro original. Também quero dizer que vou contar a história deste livro porque é uma pérola (mas em mau) portanto pode haver spoilers para o livro original. Basicamente estava a passear por uma livraria quando me deparei com esta colecção de clássicos portugueses daptados às crianças. A ideia é boa. Mas quem, a sério, quem olhou para a história do crime do padre Amaro e pensou: Olha, acho que isto dava uma boa história para crianças. A sério, quem?

Partimos então para a história de um padre jovem que foi chamado para trabalhar numa paróquia. O padre Amaro vai então viver para um apartamento sendo que, por cima, mora uma jovem chamada Amélia. Até aqui, tudo muito bem. Mas a partir daqui é sempre a piorar. Isto porque o jovem padre vive perturbado com a presença de Amélia no apartamento de cima.

A cada novo serão, Amaro sentia-se cada vez mais enfeitiçado com a presença de Amélia. (...) punha-se a escutar o roçagar das saias engomadas da rapariga. Era nesses momentos antes de adormecer que dava asas à imaginação. Estaria ela a dançar ou a despir-se?

Sim, isto está escrito neste livro. Para crianças a partir dos sete anos de idade. Além das asas que o padre dá à imaginação antes de adormecer, também tenho dúvidas se o roçagar das saias se ouviria no apartamento de baixo. Mas enfim, vamos admitir que o isolamento sonoro era mauzinho.

Depois disto, o padre e Amélia vão dar um passeio juntos. Olha, que coisa inocente. (Só que não). Durante este passeio, o padre rouba a Amélia um beijo porque, como o livro faz questão de explicar, "antes de ser padre era homem, e Amélia provocava-o com a sua brejeirice de menina mimada". Portanto, ela é provocadora e ele não tem escolha senão roubar-lhe um beijo. Está certo.

O padre Amaro decide mudar de casa e Amélia fica aborrecida dizendo "Estou como doida!". Entretanto, um tal de João Eduardo pede a mão de Amélia em casamento mas a coisa não vai a lado nenhum. O padre Amaro e Amélia começam a passar noites juntos. Ela fica grávida e é o escândalo. "Era preciso casar Amélia! Mas com quem?". Toda uma chatice. É decidido que Amélia vai ficar fechada numa quinta até o bebé nascer. A partir daqui o padre deixa de aparecer porque, enfim, ela é que está grávida, problema dela.

No fim, o arrependimento fica todo com Amélia (há um capítulo com esse título) que "não queria viver em pecado". Amélia morre no parto, a criança morre pouco tempo depois. O padre muda de paróquia.

Eu sei que a história foi publicada em 1875 e que, na altura (e durante muitos anos) as coisas foram assim. Mas havia mesmo necessidade de contar esta história, desta forma, a crianças? Enfim, não acho que seja definitivamente uma história para crianças mas ainda bem que existe. Quanto mais não seja para uma pessoa ficar agradecida por as coisas terem mudado.