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MAR DE MAIO

Livros, viagens e tudo o que nos acrescenta

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Livros, viagens e tudo o que nos acrescenta

Bald and bankrupt: o melhor canal de viagens no Youtube

Inês, 29.11.19

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Descobri este canal de Youtube depois de ter pesquisado mais sobre Chernobyl (após ter lido o livro e visto a série da HBO). O autor tem um vídeo em que explora a zona de Chernobyl pertencente à Bielorrússia. O resultado é um cenário maioritariamente abandonado mas o autor acaba por conhecer e conversar com uma mãe e um filho que vivem... numa situação absolutamente isolada.

Ainda mais impressionante é o vídeo em que, na mesma região, conhece um homem que vive numa casa miserável, no meio da floresta, sem electricidade, num local que já foi cheio de vida e que agora está completamente abandonado. Mais tarde, o autor volta à mesma casa e ao mesmo sítio neste vídeo.

Há muitos outros vídeos interessantes no canal passando por regiões muito pouco conhecidas (e visitadas) como a Moldávia ou zonas do interior da Rússia, entre muitos outros. 

Eu adoro seguir conteúdo de viagens no Youtube, mas a maioria limita-se a mostrar uma sucessão de paisagens bonitas em destinos paradisíacos e tão turísticos que se tornam demasiado repetitivos. O canal Bald and Bankrupt, além de mostrar sítios muito pouco turísticos, concentra-se em conhecer pessoas e contar histórias. E, isso, faz toda a diferença.

Vale (muito) a pena ir à exposição do Harry Potter

Inês, 26.11.19

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Tenho sempre inveja quando alguém diz que vai ler os livros de Harry Potter pela primeira vez. Já cheguei tarde à saga uma vez que li os livros aos vinte anos (e escrevi aqui sobre isso) mas adorei. Vi os filmes nessa altura também pela primeira vez e foi maravilhoso. E essa magia é irrepetível. Depois disso ainda li "Harry Potter e a criança amaldiçoada" e, apesar de ter gostado, simplesmente não é a mesma coisa. Vi os filmes dos monstros fantásticos e, lá está, gostei mas não é a mesma coisa. Essa sensação de entrar num mundo onde nos sentimos em casa repete-se a rever os filmes pela milésima vez ou quando fui ver a orquestra a tocar "Harry Potter e o prisioneiro de Azkaban" no meo arena (o eterno Pavilhão Atlântico). Uma experiência que recomendo muito.

Por isso, achei que devia dar uma oportunidade à exposição sobre Harry Potter que está no pavilhão de Portugal, em Lisboa, até Abril. E ainda bem que o fiz. A exposição consiste em cenários dos filmes (como a cabana do Hagrid), em roupas usadas pelos atores, numa série de objetos usados nos filmes e, provavelmente a minha parte preferida, muitos recortes do profeta diário espalhados pelos cenários. Uma das notícias dava conta da diminuição do preço das casas em Hogsmeade depois do avistamento de devoradores da morte. Se isto não é atenção ao detalhe... Enfim, apesar do preço alto dos bilhetes, recomendo muito a experiência para todos os fãs da saga.

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Numa casca de noz de Ian McEwan

Inês, 19.11.19

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Este foi o primeiro livro que li de Ian McEwan que tem alguns livros bem mais conhecidos como «Expiação» e «Na praia de Chesil», ambos adaptados (e muito bem) ao cinema. «Numa casca de noz» era, além do único livro do autor que havia na biblioteca, o que tem uma premissa mais estranha. Se não vejamos, este livro conta a história de uma mulher grávida (Trudy) que pretende, em conjunto com o amante (e cunhado) Claude matar o marido e pai da criança. O narrador é, nada mais nada menos, do que o feto. Além de narrar este mundo de adultos complicados ao qual está prestes a juntar-se, o narrador também tece considerações sobre o mundo e as notícias da atualidade.

Quem sabe o que é a verdade? É difícil reunir indícios por mim próprio. Cada premissa é acompanhada ou anulada por outra. Como todas as pessoas, aceitarei o que quiser, o que me convier.

É certo que a história é dramática, o narrador é invulgar mas, de alguma forma, resulta. É um livro pequeno (tem menos de 200 páginas) que se lê rapidamente e que nos prende até ao fim da história, sem sabermos muito bem de que lado devemos ficar ou por quem torcer. Há momentos em que parece um drama, outros em que parece uma tragédia, outros em que parece que estamos a ler uma peça de teatro (qualquer semelhança com Hamlet não é pura coincidência).

Resumindo, é um livro bom (muito bom) que recomendo se quiserem fugir às leituras habituais e experimentar algo mais "fora da caixa".

Tag: problemas de um leitor

Inês, 15.11.19

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Fui nomeada para esta tag sobre livros (problemas de um leitor) e aqui estão as minhas respostas:

1. Tens 20 mil livros na tua TBR. Como é que decides o que vais ler a seguir?

É verídico, tenho mesmo muito livros por ler. Normalmente, leio algumas páginas de vários livros e só continuo o que me fizer mais sentido ler naquele momento.


2. Estás a meio de um livro de que não estás a gostar. Desistes, ou continuas?

Depende, posso parar de ler e deixar de lado para retomar mais tarde. Se não for de todo para mim, desisto e troco ou vendo na internet.



3. O final do ano está a chegar e estás atrasado no teu desafio de leitura do Goodreads. O que decides fazer?

Por acaso, nunca me aconteceu porque costumo escolher sempre um valor mais baixo do que o número de livros que acho que vou conseguir ler. Expectativas baixas.

 

4. As capas de uma série que adoras não combinam! Como é que lidas com isso?

Nunca me aconteceu mas a verdade é que, depois da tetralogia de Elena Ferrante não voltei a pegar em nenhuma série.

 

5. Toda a gente gosta de um livro que tu odeias. Com quem é que partilhas os teus sentimentos?

Com o goodreads!?

 

6. Estás a ler um livro e estás prestes a começar a chorar em público. Como é que lidas com isso?

Já me aconteceu a ler o "When breath becomes air" na livraria do El corte inglês. 


7. O segundo volume de uma série que adoras acabou de sair, mas esqueceste-te do que acontece no primeiro livro. Lês o livro anterior novamente? Lês uma sinopse ou uma review? Choras de frustração?!

Normalmente leio algum resumo ou opinião, mas não volto a ler o livro.

 

8. Não queres que ninguém, NINGUÉM, pegue no teus livros e os estrague. Como é que dizes educadamente às pessoas que não lhes vais emprestar um livro?

Normalmente quem tenta estragar os meus livros são os meus gatos. Nem sequer pedem autorização.

 

9. Começaste a ler cinco livros no último mês e não conseguiste terminar nenhum. Como é que sobrevives a uma ressaca literária?

Acontece-me muito. Normalmente, tento ler livros mais leves e fluidos (acabei recentemente "A sociedade literária da tarte de casca de batata") ou livros de crónicas em que podemos facilmente ler duas ou três por dia.

 

10. Há muitos livros novos que foram lançados e que estás cheia de vontade de ler! Quantos deles é que chegas a comprar?

Sinceramente, gosto cada vez mais da ideia de ter uma estante cheia de livros em segunda mão. Por isso, compro cada vez menos livros acabados de lançar. Este ano, não consegui resistir ao "Lá, onde o vento chora" da Delia Owens e ao "Pessoas normais" da Sally Rooney.

 

11. Depois de teres comprado os livros que tanto querias, quanto tempo é que eles ficam na estante até serem lidos?

Ui, às vezes, demasiado...

O pintor debaixo do lava-loiças de Afonso Cruz

Inês, 12.11.19

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Josef Sors, o personagem principal deste livro está constantemente a dizer que a sua vida é sempre a descer. Pois bem, a minha relação com os livros de Afonso Cruz tem sido o oposto. Li «Flores» há uns anos e não gostei por aí além, depois li «Os livros que devoraram o meu pai» e gostei muito. Depois li este «O pintor debaixo do lava-loiças» e agora sim, já posso dizer que me apaixonei por um livro do Afonso Cruz.

Não quero revelar muito da história porque a graça deste livro está nas surpresas, nas voltas e reviravoltas da narrativa, no desenvolvimento do personagem principal, nas ilustrações e nas frases bonitas, como estas:

Por vezes isso é identificado como um emprego, mas na verdade são apenas coisas para fazer. A mãe de Sors só vivia se fosse obrigada. Se a mandassem fazer coisas, ela existia, mas se a deixassem em liberdade, ela desaparecia.

O seu passado parecia ter ficado definitivamente para trás, mas o passado nunca fica para trás. Anda sempre connosco. Mais ainda, vai à nossa frente, e o futuro só o vemos através desse passado.

A felicidade é quando nos esquecemos da infelicidade em que vivemos.

É preciso muito cuidado com o indutivismo que nos faz crer que o dia de amanhã seguirá o de hoje porque tem acontecido assim desde sempre. É que o futuro, entretanto, pode ter-se transformado em areia.

Mas posso dizer o essencial: esta é a história, baseada num episódio real (passado com os avós de Afonso Cruz) de um pintor eslovaco que nasceu no final do século XIX, que emigrou para os Estados Unidos e que voltou a Bratislava. Por causa do nazismo, teve de fugir para debaixo de um lava-loiças.

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