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MAR DE MAIO

Livros, viagens e tudo o que nos acrescenta

MAR DE MAIO

Photoark: a exposição de Joel Sartore

26.03.19

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Photoark é o projeto fotográfico de Joel Sartore que tem como objetivo fotografar todas as espécies animais num estúdio para alertar para a importância da sua conservação. Um dos objetivos é mostrar que, apesar de haver espécies de que gostamos mais (como os felinos ou os pandas) todas as espécies merecem ser conservadas.

 

É uma exposição pequena mas vale a apena, não só pelas fotografias, como também pelo documentário que é exibido numa das salas e pelos pequenos filmes que vão passando em alguns ecrãs. Algumas expressões que Joel conseguiu captar nestas fotografias fazem-nos sorrir, outras fazem-nos pensar. Os vídeos mostram as tentativas (muitas vezes frustradas e sempre engraçadas) de tentar manter animais selvagens parados num estúdio para as fotografias.

 

Esta exposição da National Geographic está em Lisboa, na Cordoaria Nacional, até dia 5 de Maio. Mais informação aqui.

Tudo o que ficou por dizer de Celeste Ng

19.03.19

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«Tudo o que ficou por dizer» é o primeiro livro de Celeste Ng, autora de «Pequenos fogos em todo o lado», um livro de que gostei muito. Tal como no pequenos fogos, demorei algum tempo a acostumar-me com a história e com os personagens e, a partir daí, li o livro em poucos dias.

 

Celeste Ng tem uma escrita de que gosto muito. É fluida mas pensada, racional, cheia de detalhes e pormenores. Escreve sem pressa, construindo as personagens e a história aos poucos. Afinal, não há motivo para pressa porque, tal como no pequenos fogos, este livro também começa pelo fim. Desde o primeiro capítulo que sabemos que Lydia morreu. Os seus pais e irmãos estão perdidos, e querem saber como e porquê.

 

Talvez as comparações sejam um bocadinho injustas e talvez seja mais injusto ainda ter pensado que este livro, por ser bem menos conhecido que o pequenos fogos, seria menos interessante. Mas, na verdade, achei o contrário. Gostei muito de pequenos fogos mas fiquei rendida a este livro. Ao longo dos capítulos, a autora vai tecendo uma teia para explicar a morte de Lydia. Uma teia que passa por todos os personagens e que vai revelando aquilo que têm de mais humano– as suas falhas, as expetativas que os outros têm sobre eles, os seus medos, os sonhos abandonados e os desejos que todos temos de ser aceites, compreendidos, valorizados.

 

Este é um livro sobre uma família que tal como diria Tólstoi é infeliz à sua maneira. Mas é também verdade que cada família tem as suas próprias complexidades e é isso que este livro traz à tona e que há de comum entre todos nós.

Saudades de um banho quente

12.03.19

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Estou a ler «A campânula de vidro» de Sylvia Plath e identifiquei-me muito com isto:

Deve haver certamente algumas coisas que um banho quente não seja capaz de curar, mas eu não conheço muitas. Sempre que estou profundamente triste, ou tão nervosa que não consigo adormecer, ou apaixonada por alguém que não irei ver durante uma semana, colapso e digo a mim própria: «Vou tomar um banho quente.»

No banho, medito. A água tem de estar muito quente, a ponto de ser quase impossível meter o pé lá dentro. (...) Não acredito no batismo das águas do Jordão ou em coisas semelhantes, mas acho que o banho quente deve estar para mim como a água benta para os crentes.

Também não conheço nenhuma forma melhor de recuperar de um dia demasiado longo (ou demasiado mau) do que tomar um banho quente. A personagem também descreve que se lembra de todas as banheiras onde já tomou banho. Também é o meu caso. Aliás, quando penso em férias lembro-me logo da banheira do sítio onde fiquei alojada (quando existia uma).

 

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A casa onde moro neste momento, por muitas qualidades que tenha, não tem banheira o que para mim é um grande defeito. Há um episódio da New Girl onde Jess, cansada de estar num apartamento sem banheira, decide comprar uma para meter no terraço. A coisa não corre propriamente bem uma vez que a água acaba por escorrer para a casa e inundar o apartamento. Mas juro que quando vi esse episódio pensei "Se ao menos eu tivesse um terraço...". Enfim, já sei que quando me mudar até pode ser para uma casa pior e mais pequena mas... tem de ter banheira.

A amiga genial: a série da HBO

04.03.19

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Acho que é sempre um trabalho ingrato dar vida a um livro ou uma série no grande ecrã. Quem leu os livros, quem se envolveu com as personagens e se emocionou com as suas histórias não consegue ver uma adaptação sem prestar atenção às diferenças e fazer zoom aos defeitos.

 

Foi, por isso, que andei a adiar ver a adaptação da «Amiga genial» feita pela HBO. Esforcei-me para largar os livros e me focar só na série, mas não consegui. Reparei nos defeitos e apontei as diferenças. Mesmo assim, gostei muito. Gostei de rever as personagens e, apesar de algumas diferenças, não as achei muito desfasadas da imagem que criei delas. Mais importante do que isso, Nápoles e o espírito bairrista que Elena Ferrante construiu ao longo da série está lá. Com toda a sua decadência, todas as suas regras e os seus dramas familiares. O dialeto napolitano está lá. As (mais que muitas) voltas e reviravoltas da vida dos personagens estão lá. Os seus defeitos e contradições estão lá.

 

O The Guardian escreveu uma review maravilhosa sobre a série que, entre outras coisas, diz isto:

There are moments that should be small, because the events are small, but they are made weighty and beautiful: Lenù stepping forward to hand Lila the perfect stone with which to counterattack the boys who are after her; the moment they hold hands at the door of the local bogeyman, Don Achille, who, in this episode, is a faceless spectre made up of stories and rumours. It does a lot with a little.

Lenù and Lila are different from those around them, in their energy and their brightness. (...) There is love and rivalry, a desire to embody the other person and to better them at the same time. It is a period piece, but it is timeless, and it is a more honest and vivid portrait of the lives of young girls than I can recall seeing on TV.

 

Está uma série muito bem conseguida e muito fiel ao livro e aos seus personagens. Aliás, a Elena Ferrante esteve envolvida no processo de criação e acho que não iria concordar com algo diferente. São 8 episódios de cerca de uma hora que se referem ao primeiro livro. A segunda temporada já foi confirmada e vai sair, em princípio, algures no final deste ano.