Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Sex education: a experiência social da netflix

sex-education-netflix.jpg

No geral, acho que o ser humano é muito dogmático. Muito convencido das suas próprias certezas. Bom, só posso falar por mim. Eu sou assim. Mesmo que não queira e mesmo que depois tenha de engolir o orgulho para desdizer o que disse. Foi assim quando depois de anos a dizer que de-tes-ta-va tartes de maçã decidi provar a do Macdonald’s. Convencidíssima de que ia detestar. E, claro, adorei. É só mergulhar num sundae de caramelo e torna-se numa das melhores coisas da vida. A sério, é mesmo bom.

Mas, adiante. Estava convencidíssima de que não ia gostar desta série depois de ver o trailer. Vi o primeiro episódio só porque tenho gostado de tantas coisas na netflix que se torna difícil dizer que não. E, claro, adorei. Esta série conseguiu pegar em todos os clichés da adolescência e das relações (amorosas e não só) e dar-lhes honestidade e humor. É uma espécie de experiência social. Criaram uma série em que os personagens se atrevem a dizer tudo aquilo que pensamos e não temos  coragem de dizer em voz alta. Sobre nós, sobre os outros, sobre a vida.

Junte-se a isto uma banda sonora dos anos 80, diálogos muito bem escritos, personagens bem construídas e umas paisagens de sonho. A sério, quão bonito é o sítio onde filmaram a série? Chama-se Wye valley e fica na fronteira entre a Inglaterra e o País de Gales.

A única coisa de que não gostei foi do final. Está tão inacabado que pede claramente uma segunda temporada (que ainda não foi confirmada) pelo que, quando acaba, uma pessoa se sente um bocadinho abandonada. Resta-me a consolação de que há muito para explorar nestas personagens pelo que acho muito provável que uma (ou mais) temporadas venham mesmo a acontecer. E ainda bem. Esta história merece mais do que aqueles oito episódios. 

A menina que sorria contas de Clemantine Wamariya

menina-que-sorria-contas-ruanda.jpg

Se houver uma lista dos filmes aos quais é impossível ficar indiferente, o hotel Ruanda deve estar no topo. Para Clemantine, aquele era o hotel onde costumava ir nadar. Clemantine viveu na pele o genocídio e fugiu, com a irmã, para se tornar refugiada. Muitos anos depois, acabou a viver nos Estados Unidos e a participar num programa da Oprah. O vídeo correu o mundo pelas melhores razões. 12 anos depois de fugirem do Ruanda, Clemantine a irmã reencontram os pais que achavam mortos no genocídio.

Na realidade, a história de Clemantine é muito mais longa do que estes parágrafos. Quando foge do Ruanda com a irmã e se torna refugiada, passa por vários países africanos e vários campos de refugiados com condições péssimas. A irmã Claire está determinada a não se conformar e tenta sempre arranjar uma saída para um sítio um bocadinho melhor. Foi essa determinação que fez com que acabassem nos Estados Unidos.

Para mim, o melhor deste livro não são estas vivências que se vão tornando um bocadinho repetitivas, mas sim a parte em que Clemantine chega aos Estados Unidos. A forma como se tenta adaptar a um país e cultura completamente diferentes da realidade onde cresceu. E depois daquele programa da Oprah, onde reencontra os pais, a forma como tenta recuperar com eles uma relação que ficou parada durante décadas.

Este é um livro que é difícil ler nalguns momentos porque é duro, crú. Mas é um livro necessário porque a história de Clemantine é apenas uma de muitas e porque o tema dos refugiados é (infelizmente) muito atual.

É estranho como se começa por ser uma pessoa longe de casa e se passa a ser uma pessoa sem casa. O lugar que, supostamente, nos devia receber expulsa-nos. Nenhum outro lugar nos acolhe. É-se indesejado, por toda a gente. É-se um refugiado.

 

P.S. - Este post faz parte do projeto literário da Rita da nova "Uma dúzia de livros".

9 blogs em português para seguir este ano

blogs.jpg

Atualizado em Agosto de 2025

Barbara reviews books- Um blog que se foca essencialmente em reviews de livros.

Desabafos agridoces - Mais um blog sobre livros com muitas reflexões que vale a pena acompanhar.

Entre parêntesis – Um dos primeiros blogs que comecei a acompanhar há muitos anos atrás (nem sei quantos) e que continua a ser um dos meus preferidos.

Entre margens - A Andreia tem um blog incrível, com posts muito frequentes, sobre poesia, música e literatura com um foco muito importante naquilo que de melhor se produz em Portugal.

Frasco de memórias - Um blog que descobri este ano (através do Delito de opinião) e onde se escreve sobre memórias e sobre a vida. Se ainda não conhecem, vale muito a pena darem uma espreitadela.

Meia de leite - Um blog com apontamentos semanais sobre a vida de todos os dias.

Rita da nova – Um blog que fala sobre algumas das minhas coisas preferidas: livros, viagens e gatos.

Sweet stuff - Mais um blog com muitas e boas recomendações de livros para ler, mas também de filmes para ver, entre outros temas.

Viagens à solta – Provavelmente o meu blog de viagens preferido em português.

E desse lado? Que blogs bons descobriram recentemente e vão continuar a seguir este ano?