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MAR DE MAIO

Livros, viagens e tudo o que nos acrescenta

MAR DE MAIO

Ter | 25.09.18

9 coisas sobre a Grécia

Inês

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Foram precisas quatro viagens à Grécia para perceber porquê que gosto tanto de cá estar. A revelação chegou por intermédio de uma voluntária que disse qualquer coisa como "it's weird that we work really long hours but it feels so much like a holliday". Respondi algo como "that's because Greece feels like summer". É isso, a Grécia cheira e sabe a verão. Está (muito) calor e entre turnos arranjam-se sempre trinta minutos para ir nadar, mesmo que seja às oito da noite em que o sol ainda não se pôs e estão uns 28 graus.

 

Não me sinto a chegar a outro país quando saio do avião e as pessoas me cumprimentam com um “yasas” ou “kalimera” porque me sinto em casa na Grécia. Por isso, aqui ficam algumas coisas que tenho aprendido sobre este país ao longo dos últimos cinco anos, algumas boas e outras menos boas (como em todo o lado):

 

O Verão é tudo

Acho que já estabelecemos isto. Mas uma coisa engraçada que nunca vi em mais lugar nenhum é que os gregos se mudam literalmente para a praia durante o Verão. Montam um toldo. Às vezes complementam-no com mesas e cadeiras e aproveitam o seu dia de praia. Ao fim do dia, voltam para casa e deixam tudo no areal para os dias seguintes.

 

A comida
A comida é boa, muito boa, mesmo num acampamento no meio do nada. Há sempre legumes do mercado, pão fresco, pesto, azeite, queijo e orégãos. A pastelaria, tanto de doces como de salgados é deliciosa e vai desde as loukoumades (uma espécie de donuts) que se comem com canela e açúcar ou com mel a doces com recheio de nozes, folhados de espinafres e queijo feta. Enfim, há pastelarias por todo o lado e é tudo absolutamente delicioso (e barato).

Além de moussaka, uma das minhas comidas preferidas é pita gyros que é pão de pita enrolado com carne (tradicionalmente porco mas também se vende com frango), batatas fritas, alguns vegetais e molho tzatziki (feito com iogurte, pepino, alho, sal e azeite). É delicioso e custa uns dois euros.

 

O gosto das pequenas coisas 
Tem mais a ver com acampar no meio do nada do que com a Grécia, mas a verdade é que a viver nessas condições a maioria das lojas só vendem produtos essenciais e outras coisas (como chocolate) só se encontram nos hipermercados a uma meia hora de carro. Por isso, qualquer tablete é uma preciosidade. O dia em que alguém comprou um balde de nutella para o campo foi dia de festa. Durou menos de 24 horas.

 

Livros
Há uma biblioteca no campo e posso atestar que quem acha que os jovens de hoje em dia não gostam de ler está enganado porque há sempre pessoas com livros na mão. No geral, na Grécia não é difícil encontrar livrarias novas ou com livros em segunda mão. A ktel, por exemplo, por muitos defeitos que tenha tem uma pequena livraria de livros usados.

 

Os animais abandonados

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É verdade que Portugal tem um problema grave com animais abandonados. Mas a Grécia consegue ser pior. Não há um caixote do lixo que não tenha uns quantos gatinhos ou uma praia onde não haja cães a dormir no areal. Basicamente, não há canis nem gatis públicos, ou seja, recolher os animais da rua não é uma preocupação do governo e este trabalho é exclusivo de associações não governamentais que vivem de doações.

 

O desprezo pelas regras

Não há regras na Grécia. Ou melhor, elas existem mas no geral servem para ser contornadas ou ignoradas. Isto é algo que me chateia muito no trabalho com as tartarugas mas a que já me habituei em tudo o resto. Por exemplo, no dia em que regressei a Portugal comprei um bilhete para o autocarro das 8:30. Já sei que isso significa que o autocarro vai passar algures entre as 8 e as 9 porque, lá está, as regras não existem. O senhor da bilheteira disse-me que, no dia anterior, o autocarro tinha passado às 7:45. Assim, a essa hora lá estava eu na paragem. Esperei e esperei. Eram 9:30 quando o autocarro passou.

 

As pessoas

Os gregos têm um certo modo teimoso e, às vezes, um bocadinho rude de agir mas, no geral, são muito boas pessoas. Certo dia, eu e uns amigos voluntários fomos até à cidade de kyparissia. Fomos de táxi e dissemos ao taxista que queríamos voltar perto da meia-noite e que lhe ligávamos. Ele disse que sim, claro, sem problema. Depois de jantar, pedimos à senhora do restaurante para ligar ao taxista. Ela ligou e cinco minutos depois estava ela, o marido e alguns clientes a discutir em grego. Depois de desligar o telefone, disse que o taxista não podia, porque já era tarde mas que ela própria nos levava de volta. Ainda tentámos dizer que podíamos tentar ligar a outro táxi mas os donos do restaurante já nos tinham metido no seu carro, encolhidos entre cadeirinhas de bebé. Uns vinte minutos depois chegámos e, entre repetir várias vezes "efcaristó" (que significa obrigada), ainda tentámos pagar qualquer coisa mas os senhores não deixaram.

 

Condução de loucos

Andar de táxi faz uma pessoa ficar com o coração nas mãos porque, lá está, as regras não existem. Ou então, a julgar pela quantidade de ultrapassagens, a única regra parece ser a de que quem chegar primeiro ganha. Um dia levámos um grego num dos carros da Archelon. Sentou-se no banco de trás e, ao ver que havia cinto de segurança, disse “oh, I completely forgot this existed in the back seats, no one uses them in Greece and some cars don’t even have them anymore.”

 

Estrelas cadentes

Não sei explicar porquê mas basta-me olhar uns dois minutos para o céu noturno da Grécia para ver estrelas cadentes. Imagino que seja uma combinação de vários fatores: o céu é quase sempre limpo e sem nuvens e o facto de trabalharmos no meio da natureza e longe das luzes da cidade. Vemos tantas que me esqueço quase sempre de pedir desejos. Quando o faço peço sempre a mesma coisa: que os dias (e semanas) que passo na Grécia sejam bons e que, sabendo que não podem durar para sempre, eu possa sempre regressar.

Ter | 18.09.18

O Vimeiro e um bom livro: Call me by your name

Inês

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Não tinha vontade de ler este livro antes de ver o filme, nem depois para ser sincera. Gostei do filme, mas não adorei. Achei um filme perfeito de Verão, com uma paixão que se acende numa vila italiana. A vontade de ler este livro foi crescendo com as opiniões que li (aqui, aqui e aqui) com a procura de um livro para ler nas férias, nomeadamente na piscina do Vimeiro. Não sei como é que, tendo passado tantos Verões na zona do Oeste, ainda não conhecia a piscina do Vimeiro. Já tinha visto fotografias e quando cheguei reconheci logo a paisagem verde das montanhas ao redor. O cenário que rodeia a piscina vale bem a pena a visita. A piscina em si é de água mineral, ou seja, não arde nos olhos e é bem mais agradável do que qualquer piscina onde tenha estado. Só peca por ser pequena e por estar num sítio ventoso (ou não ficasse em pleno Oeste).

 

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Qua | 12.09.18

A Peloponnese (Grécia) em 12 fotografias

Inês

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Foi este o caminho que fiz (quase) todos os dias. Atravessar as tendas do parque de campismo, passar a floresta a ouvir as cicadas nas árvores e ver a praia do outro lado. Mergulhar. A praia da Peloponnese tornou-se a minha segunda casa (a primeira era o acampamento). De manhã, aproveitando as horas em que o calor ainda não sufoca, há famílias com cães e crianças a brincar na areia. As horas de calor a meio da tarde eram a minha hora preferida para fazer este caminho. O calor é tanto (por volta dos 36/38º) que só se está bem dentro de água. Às oito e meia o sol põe-se e a praia volta a ganhar vida com as pessoas que querem nadar com o sol no horizonte ou fazer paddlesurf. Para nós, era a hora de estarmos juntos, depois de um dia que tinha começado há demasiadas horas atrás.

 

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Ter | 04.09.18

A sombra do vento de Carlos Ruiz Zafón

Inês

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Percebi logo nas primeiras páginas que ia gostar muito da Sombra do vento. Felizmente, não me enganei. É um livro sobre livros, sobre memórias, sobre mistérios, sobre a guerra civil espanhola e sobre Barcelona. Também é um livro que nos agarra, daqueles que nos fazem querer sempre virar a página.

 

A história começa com um rapaz - Julián - que é levado pelo pai a um lugar misterioso, o cemitério dos livros esquecidos. O pai pede a Daniel que escolha um livro para o proteger contra o esquecimento. O livro escolhido (A sombra do vento) pertence a um autor desconhecido. A partir daqui, Julián tenta desvendar o mistério deste escritor e do homem que procura queimar todos os livros que escreveu. Tem o ritmo de um policial, está maravilhosamente bem escrito e tem frases que merecem ser guardadas a cada página.

 

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