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MAR DE MAIO

Livros, viagens e tudo o que nos acrescenta

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Porquê comprar e onde encontrar roupa o mais natural possível

26.06.18 | Inês

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Tenho dermatite atópica e, por isso, faço alergia a milhentas coisas, desde produtos para a pele (não específicos para dermatite atópica) a qualquer coisa que possa estar em contacto com a mesma (gel de banho, shampoo, detergente de lavar a roupa), enfim, tudo. Mais recentemente, fiz uma alergia à tinta de umas calças de ganga e a algumas peças de roupa que uso no dia-a-dia. Por isso, decidi que estava na altura de rever a roupa que tenho e começar a comprar só roupa que seja o mais natural possível e que não seja muito cara. Parece simples? Pois, eu descobri que não é.

 

Em primeiro lugar quando chegamos a uma qualquer loja de roupa e vemos as etiquetas o mais provável (aí para 90% dos casos) é a roupa ter poliéster. Ora, eu tenho muita coisa de poliéster e nem percebo porquê. Poliéster é plástico. O plástico, além de ser dos piores produtos para o ambiente, não me parece algo que seja saudável ter em contacto com a pele. Felizmente, produtos que são 100% algodão ou feitos de outros produtos naturais como linho não são difíceis de encontrar. Mas será que isso chega?

 

Bom, infelizmente, de acordo com muitas fontes de informação (como esta e esta) não chega. Porque mesmo nestes produtos foram provavelmente usados muitos químicos no processamento e limpeza das roupas, como detergentes, tintas para tingir as calças de ganga (que jamais usaríamos em algo que fica em contacto com a nossa pele) e até formol. Descobri que o formol é usado muitas vezes na roupa para impedir que esta encolha na máquina de lavar. Bom, o formol é um produto usado para conservar cadáveres (sim, cadáveres), é altamente irritante para os olhos e garganta, cheira horrivelmente mal e é cancerígeno. Porquê que o usaríamos na roupa que vamos vestir? Pois que não faço ideia.

 

Quais são então as vantagens de comprar roupas feitas de produtos naturais?

  • São (no geral) mais sustentáveis porque se decompõem muito mais rapidamente do que as fibras sintéticas (maioritariamente plástico).
  • No que diz respeito ao algodão, comprar algodão orgânico é sempre preferível e, apesar de não ser muito fácil de encontrar, muitas lojas vão fazendo coleções especiais de algodão orgânico (como esta da Springfield deste Verão). A diferença é que no processamento do algodão orgânico não há contacto com químicos. Além disso, o algodão não orgânico é normalmente geneticamente modificado e teve contacto com pesticidas.
  • As roupas 100% algodão duram mais tempo. Pode ser uma ideia errada, mas tenho a sensação de que as roupas que tenho que são 100% algodão duram mais tempo do que o que é de poliéster, que se estraga rapidamente com as lavagens.

 

Onde se encontram estas roupas?

Nas grandes cadeias (como a Bershka, a Springfield, etc, etc) além de haver coleções especiais de algodão orgânico é possível encontrar muitas peças 100% algodão (por vezes, orgânico) ou linho, por exemplo. Uma forma fácil é pesquisar nos sites por algodão orgânico e essas peças aparecem logo nos primeiros resultados. A H&M tem toda uma política de sustentabilidade e uma gama de roupa chamada conscious de moda sustentável.

 

A oferta existe, não é muita, mas existe. E estou em crer que à medida que as regulações da União Europeia se tornarem mais apertadas para o tipo de químicos usados na roupa e para o uso de plástico (e a poluição dos microplásticos no oceano) a tendência vai ser para uma oferta (e procura) cada vez maiores que só vai trazer benefícios para todos.

Seneca e a brevidade da vida: palavras para guardar para a vida toda

19.06.18 | Inês

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Eu não sei porquê que eu estou rindo à toa,

Quem diria que a vida era assim tão boa

Eu não sei explicar porquê mas esta letra dos fala-mansa ecoa na minha cabeça desde que comecei a ler este livro. Se já viram o discurso de J. K. Rowling para a Universidade de Harvard é provável que este livro vos seja familiar. Se não viram, vejam porque vale muito a pena. No discurso, J. K. Rowling fala bastante sobre os ensaios do filósofo romano Seneca e, como a penguin tem uma edição recente do livro, acabei por ler.

 

O livro está dividido em três ensaios, sendo que o primeiro «On the shortness of life» é o referido por J. K. Rowling e o mais interessante. Faz lembrar a ideia do Carpe diem do «Clube dos poetas mortos» e que inspirou tantos outros filmes e livros ao longo dos tempos. Sim, porque este ensaio foi escrito 49 anos depois de cristo.

 

Sobre o uso que fazemos do tempo que a vida nos dá:

It is not that we have a short time to live, i tis that we waste a lot of it. Life is long enough. (…) life is long if you know how to use it. (...) But putting things off is the biggest waste of life: it snatches away each day as it comes, and denies us the present by promising the future. The greatest obstacle to living is expectancy, which hangs upon tomorrow and loses today.

 

Sobre existir versus viver:

So you must not think a man has lived long because he has white hair and wrinkles: he has not lived long, just existed long.

 

Na verdade, acho que a música dos fala-mansa, de que não gosto particularmente mas que ouvi vezes sem conta no Brasil, me veio à cabeça enquanto lia este livro porque os brasileiros têm um jeito mais despreocupado de viver a vida, que tem tudo a ver com a filosofia de Seneca.

No activity can be successfully pursued by an individual who is preoccupied … since the mind when distracted absorbs nothing deeply (…). Living is the least important activity of the preoccupied man; yet there is nothing which is harder to learn (…) Learning how to live takes a whole life, and, which may surprise you more, it takes a whole life to learn how to die.

 

Também me lembrei de um rapaz que conheci há uns tempos e que tinha nascido em França, crescido no Quénia e estava a viver em Paris. Ele dizia que o que faltava aos quenianos em desenvolvimento, faltava aos parisienses em capacidade de aproveitar a vida de todos os dias. Talvez tenha razão.

A relatividade dos problemas do dia-a-dia

12.06.18 | Inês

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Quando leio um livro tenho o hábito de marcar as páginas que têm frases de que gostei para reler no fim e, se for o caso, escrevê-las num post. Fiz isso enquanto lia “A mulher com sete nomes” de Hyeonseo Lee. Não sei como, deixei escapar uma página que abordava, muito por alto, este tema. Lembrei-me que havia ali qualquer coisa sobre isto quando lia uma notícia no facebook sobre qualquer coisa que havia de errado em Portugal e alguém comentava que estavam a fazer uma tempestade num copo de água porque havia pessoas a morrer na Síria.

 

Ora, Hyeonseo Lee é refugiada norte-coreana. Durante anos, os seus principais problemas passam por não chamar a atenção do regime norte-coreano e da polícia para a sua família. Cumprir com tudo. Sorrir quando é suposto. Chorar quando é suposto. Ser uma ovelha no meio do rebanho. Depois, na China, os seus problemas passam por não revelar a sua identidade norte-coreana para não ser descoberta e deportada para o seu país. Quando Hyeonseo vai viver para a Coreia do sul os seus problemas tornam-se “problemas menores”, como entrar para a faculdade, arranjar um bom emprego, ter algum dinheiro de reserva no fim do mês. Enfim, problemas de primeiro mundo, digamos assim.

Depressa fiquei a saber por elas como era difícil para os sul-coreanos serem felizes na sociedade em que viviam.

Muitas delas tinham fracassado na tentativa de se empregarem em empresas de prestígio e acabado por se resignar, deprimidas, às circunstâncias adversas do destino. (…) Mesmo assim não deixava de sentir pena delas. Cada país tem os seus problemas.

Como escreve Hyeonseo, numa página que não me chamou a atenção à primeira vista, os nossos problemas nunca são menores para nós. Porque são os nossos. Somos nós que os temos de resolver e que nos preocuparmos com eles. Mesmo que, no fundo, sejamos sempre uns sortudos quando comparamos a nossa vida e os nossos problemas com outras realidades.

Filmes de terror: uma estranha cura para a ansiedade

05.06.18 | Inês

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Não sei bem quando é que isto começou mas tenho, desde miúda, uma paixão por filmes de terror. Comecei por ver, na adolescência, as versões japonesas de filmes que foram depois adaptados pelos norte-americanos e passei depois a ver de tudo um pouco, dos filmes mais antigos aos mais recentes, dos bons aos filmes de terror que são tão maus que se tornam cómicos.

 

Só me recordo de ter ficado verdadeiramente assustada uma vez quando, ainda em miúda, fui ver o “Sinais” (2002). Tive pesadelos com as imagens dos extraterrestres durante meses e continuo sem conseguir rever esse filme. De resto, vejo de tudo, sendo que “O exorcista” (1973) continua a ser um dos meus preferidos.

 

Nos últimos anos comecei a perceber que sempre que ficava ansiosa com a faculdade, os exames e a vida no geral, a solução era sempre a mesma: enfiar-me numa sala de cinema durante uma hora e meia a ver um filme de terror. Achei que tinha feito uma descoberta extraordinária mas como há estudos para tudo e mais alguma coisa, também já existem alguns que mostram que ver filmes de terror pode ajudar a reduzir a ansiedade. Comigo resulta. Um filme de terror é tão absorvente que todas as minhas preocupações passam para segundo plano.

 

O último que vi foi «A quiet place» («Um lugar silencioso» em português), um filme sobre uma família que tem de se manter em silêncio num mundo de monstros que atacam se ouvirem um som que seja. Ficou na minha lista de favoritos porque está extremamente bem feito e tem uma história genial. Gostei ainda mais do skit que o filme ganhou no Saturday Night Live.

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O próximo na lista é este.