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MAR DE MAIO

Livros, viagens e tudo o que nos acrescenta

MAR DE MAIO

As causas e a culpa

19.04.16

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Recentemente vi um episódio do «The middle» que estava tão bem feito que não resisti a escrever sobre isto. Uma das personagens, a Sue, que está na faculdade namora com um defensor de causas. Ou seja, um jovem que se preocupa com todos os problemas do mundo e que passa a vida a falar sobre… isso mesmo, todos os problemas do mundo. A Sue acaba por ser contagiada. Fala com a mãe sobre essas causas, mas ela tem zero interesse em ouvi-la.

 

 

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Arquipélago de Joel Neto

14.04.16

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Entre as crónicas que gosto de ler online estão as do Joel Neto para o DN sobre a vida no campo e sobre os Açores. Joel Neto nasceu e cresceu nos Açores, viveu 20 anos em Lisboa e depois regressou à ilha Terceira onde escreveu este livro.

Dizer que este livro me surpreendeu é pouco. "Arquipélago" é um romance com o ritmo de um policial. A sinopse começa logo por dizer que há um homem que não sente os terramotos. É o personagem principal, que regressa à ilha Terceira, onde nasceu e passou a infância, depois de muitos anos no continente. Em biologia, usa-se o termo filopatria quando um indivíduo regressa ao sítio onde nasceu em algum momento da sua vida. A palavra significa gosto pela pátria. Apesar das boas intenções, é uma palavra feia. Os ingleses têm uma muito melhor - homing - que significa simplesmente regressar a casa.

É aqui que a história se torna interessante. Quando José Artur regressa à Terceira, os acontecimentos começam a precipitar-se. O enredo envolve a descoberta de um cadáver na casa do seu avô e uma série de acontecimentos misteriosos. Cada vez que o personagem principal se aproxima da resolução do caso, acontece qualquer coisa que o faz repensar tudo.

"Arquipélago" é um livro muito bem estruturado, cheio de personagens interessantes e que nos deixa a sonhar com as descrições da paisagem (e da comida) dos Açores.

Livros que nos marcam

06.04.16

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Tenho andado a pensar nos efeitos que os livros têm - ou podem ter - nas pessoas que os lêem. Por isso, decidi fazer uma lista dos livros que mais me marcaram. Refiro-me a livros que me deram uma nova perspetiva sobre alguma coisa, que me deixaram a pensar neles muito depois de os ter terminado ou que me fizeram voltar a pegar-lhes semanas, meses e anos depois de os ter lido pela primeira vez.

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«A quinta dos animais» de George Orwell

É um livro pequeno e fácil de ler. Mais difícil é perceber tudo o que está por detrás desta história. Orwell escreveu-o como se fosse uma simples fábula constituindo, no entanto, uma sátira à revolução russa de 1917 e ao posterior stalinismo. Mas o melhor deste livro é que pode ser aplicado a muitos períodos da história mundial.

 

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«De Profundis, Valsa Lenta» de José Cardoso Pires

O autor escreveu este livro depois de ter sofrido um AVC que lhe afetou a memória, a fala e a escrita. É essencialmente sobre a memória e sobre quem somos - ou quem deixamos de ser - quando a perdemos.

 

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«Livre» de Cheryl Strayed

É um livro auto-biográfico sobre uma mulher que faz uma caminhada pela natureza selvagem dos Estados Unidos durante três meses. Mas é muito mais do que isso. É um livro de memórias, que retrata pessoas e relações como elas são, às vezes bonitas, às vezes (muito) dolorosas, sempre imperfeitas.

 

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«Sete anos no Tibete» de Heinrich Harrer

A auto-biografia de Heinrich Harrer que, no início da 2ª Guerra Mundial, foi capturado pelos ingleses durante uma expediação aos Himalaias. Conseguiu fugir de um campo de prisioneiros na Índia, e viajou a pé até Lassa, a cidade proibida do Tibete. Viveu 7 anos no Tibete e tornou-se amigo de Dalai Lama. Foi o primeiro livro que li, depois da fase dos livros juvenis, de que gostei mesmo.

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«A amiga genial» de Elena Ferrante

Todos os quatro livros desta série são simplesmente geniais. Os livros seguem a história de Lila e Lenú num bairro de Nápoles, desde a infância até à velhice.

 

 

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«As intermitências da morte» de José Saramago

Saramago começa por imaginar um país onde, de um dia para o outro, as pessoas deixam de morrer. A partir dessa ideia divaga sobre a morte, o amor e a vida. Pensei abandonar este livro várias vezes durante a leitura mas ainda bem que não o fiz porque, para mim, as últimas 50/70 páginas são das melhores coisas que li na vida. 

 

Além disso, inspirada por este post do Legal Nomads, decidi perguntar às pessoas que conheço e que gostam de ler qual foi o livro, ou os livros, que mais as marcaram. O resultado foi esta lista:

 

Não sei se estes livros vão marcar a vossa vida. Afinal, ler um livro é uma experiência muito subjetiva. Mas penso que todos eles merecem uma leitura.