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MAR DE MAIO

Livros, viagens e tudo o que nos acrescenta

MAR DE MAIO

27
Set17

Vale a pena seguir os sonhos?

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Conversava no outro dia com uma amiga que tem uma colega de faculdade de quem não gosta particularmente. Basicamente, ela sente que a amiga a deita constantemente abaixo, exaltado os seus próprios feitos e criticando os dela (e de outros colegas). Eu disse que percebia. Na verdade, já fui assim. Entretanto, percebi que as notas e o sucesso profissional não fazem de nós mais do que os outros. Há tantas coisas mais importantes: saber ouvir, ser curioso e interessado pelo mundo em que vivemos, seguir as coisas que nos fazem felizes (mesmo que como hobbies) porque nos levam a sítios (e a perspectivas) que jamais teríamos imaginado.

 

Entretanto, li este texto (é longo e em inglês mas recomendo vivamente) e percebi que é muito mais do que isso. Esta ideia que temos (e que é muito imposta pela sociedade) de que se seguirmos os nossos sonhos, por muito irreais que sejam, chegamos à felicidade é absurda. Muitas vezes, um sonho não passa de uma imagem bonita de um resultado final ideal. Uma meta qualquer que achamos que, quando atingida, nos traz todo o reconhecimento alheio e a felicidade interna. Ora, isto é mentira.

 

O paradoxo de Marilyn Manson

No texto que referi, Mark dá o exemplo de Marilyn Manson que terminou um dos seus álbuns com a seguinte frase: “When all of your wishes are granted, many of your dreams will be destroyed”. O significado? Manson explica que depois de ter atingido todos os seus objetivos profissionais se sentia mais miserável do que nunca. Que o stress e os problemas da profissão eram maiores do que alguma vez tinha imaginado.

 

Mas a frase de Manson levanta também outra questão - a de que quando deixamos de nos definir unicamente pela profissão que temos, quando temos outras coisas na nossa vida, os sonhos se desvanescem. É que, muitas vezes, não passam de uma realidade paralela que nos ajuda a escapar da nossa própria vida.

 

A montanha

A verdade é que o sonho é uma imagem do momento em que chegamos ao topo da montanha e colocamos a bandeira no solo. Mas até lá, há toda uma caminhada pela frente. Os sonhos embatem na realidade e trazem consigo frustrações, medos, ansiedade e derrotas. Ter o emprego com que sonhamos, a relação amorosa que idealizamos, a casa perfeita, o estilo de vida ideal são tudo sonhos que trazem, para a nossa vida, os seus próprios problemas.

 

Estava a conduzir e a pensar em tudo isto quando a música «The climb» de Miley Cyrus passou no rádio. A letra tem os seguintes versos:

Ain't about how fast I get there

Ain't about what's waiting on the other side

It's the climb

Já vos aconteceu quererem muito uma coisa, começarem a praticar para a colocar em prática e perder o interesse pouco depois? É que o processo é muito mais importante do que o resultado final. É onde está todo o trabalho e, no fundo, onde gastamos muito tempo da nossa vida. Se não gostarmos do processo, será que o sonho vale a pena? Ou seremos como Manson a chegar, miseráveis, ao topo da montanha?

 

Isto quer dizer que não devemos seguir os nossos sonhos? Não, nada disso. Simplesmente, temos de nos lembrar que nem sempre queremos aquilo com que sonhamos. Muitas vezes, é só um caminho que gostamos de imaginar mas que não queremos, na verdade, percorrer. E tudo bem com isso.

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