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MAR DE MAIO

Livros, viagens e tudo o que nos acrescenta

Lobos ao Crepúsculo


Inês

13.09.17

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Nem sempre é fácil ver os lobos no CRLI (Centro de Recuperação do Lobo Ibérico) que fica ali para os lados da Tapada de Mafra. Este centro é um santuário que recebe animais de outros locais que ficam sem espaço para eles e de pessoas que acharam boa ideia ter uma cria de lobo em casa e mudaram de opinião quando a cria se transformou num lobo adulto.

 

Mas dizia eu que nem sempre é fácil vê-los. São noturnos e, como vivem neste centro para o resto da vida (não podem ser devolvidos à natureza porque não iam sobreviver) as instalações são enormes e cheias de vegetação, o que é ótimo para os animais, mas torna mais difícil observá-los.

 

Quando vi que o centro estava a organizar visitas ao crepúsculo durante o Verão, lá fui, na esperança de que, sendo mais tarde, fosse possível ver alguns lobos. Pouco depois da visita guiada ter começado já estávamos a olhar para um casal de lobos à nossa frente. Uma fêmea sentada, sem qualquer receio, e um macho, mais tímido atrás dela. Não fazia ideia que os lobos se confundissem tanto com a vegetação.

 

A feira da bagageira na Ericeira


Inês

16.08.17

Feira da bagageira na Ericeira

No fim-de-semana passado a Ericeira encheu-se de carros atolados de artigos em segunda mão para a feira da bagageira. Esta feira tem passado por vários locais da região de Lisboa e qualquer pessoa se pode inscrever para vender artigos que tenha em casa, como velharias, livros, mobília, roupa, brinquedos, enfim, de tudo um pouco. Os vendedores transportam os artigos na bagageira do carro (daí o nome da feira) e vendem-nos a preços simpáticos.

 

Esta frase na página do facebook da feira resume bem as vantagens da feira:

A Feira da Bagageira promove a protecção do ambiente, evitando excessos de produção, contribuindo para a sustentabilidade do planeta e do orçamento mensal lá de casa.

 

O mosteiro budista da Ericeira


Inês

13.07.17

mosteiro-budista-ericeira

Há uma estrada entre Mafra e a Ericeira que esconde um segredo. Passei tantas vezes por ali sem fazer ideia de que há um mosteiro budista no pinhal dos Frades. É daqui que, todos os dias, pelo menos um dos monges caminha até à vila da Ericeira para receber uma refeição na sua malga (tigela).

 

Desde que descobri o mosteiro que tinha curiosidade em fazer uma visita. E foi assim que um dia, numa visita de grupo, entrei pela primeira vez numa sala de meditação para conhecer o monge Appamado, um dos seis monges que ali vivem. Não sei o que se esperaria de um monge, mas Appamado respondeu a todas as perguntas com a maior simpatia e tinha um ar de genuína felicidade, algo demasiado raro.

 

Contou-nos um pouco da sua história e do que o levou ao budismo. Explicou que quando estava a tirar a carta de condução ia até à escola e depois apercebia-se de que não se lembrava do caminho que tinha feito para lá chegar (quem nunca?). Então, voltava atrás e fazia o percurso novamente tentando prestar atenção ao que o rodeava, ao caminho que fazia, ao momento em que estava. O resto é história, como se costuma dizer. Mas Appamado acabou por ir para um mosteiro em Inglaterra e por fazer o percurso até ser ordenado monge.

 

O mosteiro da Ericeira segue a tradição tailandesa da floresta de Ajahn Chah. O budismo é, mais do que uma religião, um estilo de vida que é praticado todos os dias pelos monges que ali vivem. Têm poucos pertences, que se resumem à malga onde comem e ao traje cor-de-laranja vivo. Não tocam em dinheiro, sendo que o mosteiro vive de doações e a parte financeira não é gerida pelos monges. Não comem depois do meio-dia e dedicam os dias (os anos se assim quiserem) à meditação e à prática monástica. Digo se assim quiserem porque são livres de deixar o mosteiro e a vida de monges, se o entenderem.

 

Esta visita decorreu há algumas semanas. Já passei pelo pinhal dos Frades vezes sem conta desde então e, de cada vez, tomo nota para prestar mais atenção ao caminho que estou a fazer. Mais vezes do que gostaria de admitir, minutos depois já estou imersa noutros pensamentos. Mas tentar já é um começo.

 

Como visitar

A Green trekker e a Caminhando fazem visitas de grupo ao mosteiro. Além disso, também é possível participar nas meditações (todos os dias às cinco da manhã e às sete e meia da tarde).

Mar casado e ilha dos arvoredos (Guarujá, Brasil)


Inês

28.06.17

mar-casado-mare-baixa

É uma história bonita, repetida vezes sem conta por estas paragens. Na praia do mar casado, quando a maré vaza, formam-se duas praias. Quando a maré enche, as águas juntam-se, casam e formam uma ilha que os urubus e fragatas adoram sobrevoar.

 

Mas a praia do mar casado é muito mais do que isso. É aqui que, ao fim-de-semana as pessoas enchem o areal. Estendem as toalhas na areia, trazem cadeiras e lancheiras e ficam todo o dia com raízes na praia. Deixa de haver um único espaço onde não haja grupos de pessoas a ouvir a Marília Mendonça pela centésima vez naquele dia e a aproveitar a água de coco, a tapioca e o açaí das muitas barraquinhas que enchem o areal.

mar-casado-mare-baixa-guaruja

 

 

As viagens e o medo


Inês

18.04.17

Quando decidi que ia dois meses para o Brasil a pergunta que mais ouvi foi “Não tens medo de ser assaltada?” Tinha, claro que sim. Também tenho medo de andar de avião (coisa recente que há uns anos adorava). Tenho medo de ter uma apendicite e ter de ir para um hospital que sei lá que condições é que tem. Tenho medo que haja um atentado terrorista. Tenho medo de mil e uma coisas, mas não deixo de viajar por causa disso.

 

É verdade que presenciei situações no Brasil (e tive conhecimento de outras) que dificilmente aconteceriam em Portugal e que não vale a pena referir. As notícias estão cheias disso. A vila mais próxima do fim do mundo onde vivia era uma favela e admito, com alguma vergonha, que sempre que fui abordada por alguém que me deixou apreensiva, foi sempre para oferecerem ajuda para alguma coisa ou algum conselho. Porque a verdade é essa. As pessoas são maioritariamente boas em todo o lado. E vale a pena viajar, nem que seja para comprovar isso.

perequê

Estou para escrever sobre este tema há algum tempo mas estava difícil arranjar as palavras certas para o fazer. Depois, vi este artigo sobre a revista Flow e percebi que alguém já escreveu o que penso sobre o assunto, muito melhor do que eu o conseguiria fazer:

I want to live. I don't want to not do things because they might end badly. I want to walk up to people and talk and laugh instead of being afraid of them. I want to get on a plane without formulating my goodbyes in my head. I don't want to be anxious. I want the inner peace that comes from trusting everything will be all right. And if it does happen to go wrong, then I'll deal with it when it does.

 

Para mim, não há nada na vida que se compare ao mundo de experiências e vivências que uma viagem oferece. A partir do momento em que deixamos de viajar por medo, estamos a privar-nos de muita coisa. Sinceramente, tenho mais medo de um dia olhar para trás e pensar que podia ter ido, que podia ter feito e não fiz, só porque o medo foi maior do que eu.

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