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MAR DE MAIO

Livros, viagens e tudo o que nos acrescenta

28
Jun17

Mar casado e ilha dos arvoredos (Guarujá, Brasil)

mar-casado-mare-baixa

É uma história bonita, repetida vezes sem conta por estas paragens. Na praia do mar casado, quando a maré vaza, formam-se duas praias. Quando a maré enche, as águas juntam-se, casam e formam uma ilha que os urubus e fragatas adoram sobrevoar.

 

Mas a praia do mar casado é muito mais do que isso. É aqui que, ao fim-de-semana as pessoas enchem o areal. Estendem as toalhas na areia, trazem cadeiras e lancheiras e ficam todo o dia com raízes na praia. Deixa de haver um único espaço onde não haja grupos de pessoas a ouvir a Marília Mendonça pela centésima vez naquele dia e a aproveitar a água de coco, a tapioca e o açaí das muitas barraquinhas que enchem o areal.

mar-casado-mare-baixa-guaruja

 

 

18
Abr17

As viagens e o medo

Quando decidi que ia dois meses para o Brasil a pergunta que mais ouvi foi “Não tens medo de ser assaltada?” Tinha, claro que sim. Também tenho medo de andar de avião (coisa recente que há uns anos adorava). Tenho medo de ter uma apendicite e ter de ir para um hospital que sei lá que condições é que tem. Tenho medo que haja um atentado terrorista. Tenho medo de mil e uma coisas, mas não deixo de viajar por causa disso.

 

É verdade que presenciei situações no Brasil (e tive conhecimento de outras) que dificilmente aconteceriam em Portugal e que não vale a pena referir. As notícias estão cheias disso. A vila mais próxima do fim do mundo onde vivia era uma favela e admito, com alguma vergonha, que sempre que fui abordada por alguém que me deixou apreensiva, foi sempre para oferecerem ajuda para alguma coisa ou algum conselho. Porque a verdade é essa. As pessoas são maioritariamente boas em todo o lado. E vale a pena viajar, nem que seja para comprovar isso.

perequê

Estou para escrever sobre este tema há algum tempo mas estava difícil arranjar as palavras certas para o fazer. Depois, vi este artigo sobre a revista Flow e percebi que alguém já escreveu o que penso sobre o assunto, muito melhor do que eu o conseguiria fazer:

I want to live. I don't want to not do things because they might end badly. I want to walk up to people and talk and laugh instead of being afraid of them. I want to get on a plane without formulating my goodbyes in my head. I don't want to be anxious. I want the inner peace that comes from trusting everything will be all right. And if it does happen to go wrong, then I'll deal with it when it does.

 

Para mim, não há nada na vida que se compare ao mundo de experiências e vivências que uma viagem oferece. A partir do momento em que deixamos de viajar por medo, estamos a privar-nos de muita coisa. Sinceramente, tenho mais medo de um dia olhar para trás e pensar que podia ter ido, que podia ter feito e não fiz, só porque o medo foi maior do que eu.

07
Mar17

Guarujá (Brasil) em 17 fotografias

casa-flutuante

No Guarujá, litoral do estado de São Paulo, a cerca de duas horas do centro da cidade, não se vai a lado nenhum sem carro (ou ônibus). Olho pela janela e observo as ruas e as lojas que definitivamente não podiam ser portuguesas. As montras pobres, o ar meio desleixado, meio decadente que agora reconheço como o jeito brasileiro de fazer o melhor com pouco. Pelo menos aqui, quase no meio do nada, longe das grandes cidades e das ruas turísticas. Vejo o Perequê ao fundo, a praia cheia de barquinhos de pesca, onde uns miúdos se atiram ao mar poluído de uma ponte de madeira. Os cães na rua pedem festas a toda a gente que passa. Vou ao supermercado e há rapazes adolescentes que ganham uns poucos reais a guardar as mercadorias das pessoas em sacos. Viro a cara envergonhada. Ainda não me habituei. Olho os muros altos com arame farpado e as grades nas janelas das moradias com estranheza. Mais de um mês aqui e a única coisa que aprendi foi que não sei nada do Brasil.

 

06
Set16

Uns segundos por dia - Chania

Há uns anos vi este vídeo do Cesar Kuriyama sobre o projeto One Second Everyday. A ideia é filmar um segundo por dia, todos os dias. No final de cada ano, tem um vídeo de 365 (ou 366) segundos. Na altura, tentei fazer isto mas, com o tempo, a ideia acabou por ficar de lado.

 

Nas minhas cinco semanas em Chania, Creta, tentei fazer este projeto com algumas diferenças: filmei alguns segundos e não apenas um e não me preocupei com a obrigação de filmar todos os dias.

 

A melhor parte é que, ao ver estes vídeos, recordo-me dos dias em que os filmei e não apenas do momento que aparece no vídeo. Mesmo que sejam apenas uns segundos, as imagens lembram-me do sítio onde estava, porquê e com quem.

 

Fiz os vídeos com uma GoPro e depois juntei-os num vídeo com quase 3 minutos. A música é 1234 dos Feist.

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