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MAR DE MAIO

Livros, viagens e tudo o que nos acrescenta

24
Out16

Não era para mim

não era para mim.jpg

If a book is tedious to you, don’t read it; that book was not written for you.

 

A frase é de Jorge Luís Borges (vi aqui) e faz-me cada vez mais sentido. Nos últimos tempos tenho pegado em livros, começado a ler livros e largado livros. O último foi "O Apocalipse dos Trabalhadores" de Valter Hugo Mãe. É o primeiro livro que leio do escritor. Gostei da escrita, mas não me interessei pelas personagens nem pela história. Não faz mal, não foi escrito para mim. Parei a meio.

 

Ler o livro certo na altura certa resulta sempre nas melhores experiências de leitura. Já perdi a conta aos livros que começei a ler e não gostei, só para voltar a tentar meses ou anos mais tarde e adorar (aconteceu-me com este, por exemplo). Um livro que não nos entusiasma numa determinada altura pode tornar-se num dos melhores que já lemos, se acertarmos no tempo certo para o fazer.

 

"Não era para mim" vai passar a ser a minha resposta quando me perguntarem sobre filmes, livros, músicas aos quais reconheço qualidade mas que, ainda assim, não me acrescentaram nada.

 

Quanto aos livros, cada vez concordo mais com as palavras de Doris Lessing sobre a melhor forma de ler:

There is only one way to read, which is to browse in libraries and bookshops, picking up books that attract you, reading only those, dropping them when they bore you, skipping the parts that drag — and never, never reading anything because you feel you ought, or because it is part of a trend or a movement. Remember that the book which bores you when you are twenty or thirty will open doors for you when you are forty or fifty — and vice-versa. Don’t read a book out of its right time for you.

15
Set16

Os 20's

Os 20s e a passagem do tempo.jpg

Deve ser culpa de Setembro. Um mês que nos lembra que o Verão acaba, como tudo o que é bom e vale a pena, e que a vida se renova. O certo é que ando a pensar na passagem do tempo. Nem por acaso, há umas semanas li este texto no The Fresh Exchange e estas palavras têm andado a ecoar na minha cabeça:

I began to realize that your 20’s are the most critical in defining your path for your life. Sure you can switch your path at any point, but in your 20’s the risks are lowest so it is the time to shift things, try things, and fail a lot. Your 20’s you can be broke and stupid. In your 20’s you can travel the cheapest. In your 20’s you can try everything. What I realized is that your 20’s are about exploration and finding the bounds of life and the life you want to live. When you try a lot of things whether it be jobs, dating, travel, food, places to live, or some combo of it all, you are able to figure out clearly and with a lot of confidence exactly the life you want and need. (...)

If you are a 20-something and you are feeling this pressure to adult so very hard by your families, your friends, and by the world don’t fall into a rut of living a life you don’t want because you felt the pressure to settle in and get your ducks in a row. Don’t miss out on living and spending your 20’s developing yourself, finding confidence in yourself, learning who you are in this big ole world, and even more importantly learning who you aren’t. Do all you can to spend your 20’s developing the path you know you are meant to be on and that brings you joy.

Não podia concordar mais com o texto. Quando o li, tive aquela sensação boa de que alguém pôs em palavras aquilo que penso, muito melhor do que eu o teria feito. A verdade é que, felizmente, já perdi a conta às pessoas que conheci que aproveitaram os 20's para mudar de percurso, passar algum tempo a viajar ou a fazer voluntariado numa ONG, ou simplesmente a fazer alguma coisa que não tem absolutamente nada a ver com a sua área de estudos, só pelo gosto de experimentar. Da minha parte, inspiro-me em cada uma dessas pessoas e tenho aproveitado os últimos anos para experimentar (quase) tudo aquilo que me deixa a pensar "E porque não?".

 

Talvez quando chegar aos 30 (ou então nem aí) possa dizer que sei o que quero. Mas para já, andar à procura de respostas só me tem dado mais perguntas.

19
Abr16

As causas e a culpa

causas.jpg

Recentemente vi um episódio do «The middle» que estava tão bem feito que não resisti a escrever sobre isto. Uma das personagens, a Sue, que está na faculdade namora com um defensor de causas. Ou seja, um jovem que se preocupa com todos os problemas do mundo e que passa a vida a falar sobre… isso mesmo, todos os problemas do mundo. A Sue acaba por ser contagiada. Fala com a mãe sobre essas causas, mas ela tem zero interesse em ouvi-la.

 

 

Ler mais )

 

21
Mar16

As semanas da nossa vida

Weeks-block-YOU.png

É uma experiência estranha olhar para esta tabela do Wait but why e ver a nossa vida toda reduzida em semanas. Principalmente se pensarmos que somos bem capazes de não viver até aos 90 anos e que até já usámos uma certa quantidade de quadrados.

 

Os dias passam depressa e de forma quase imprevisível. As semanas, por outro lado, são mais fáceis de controlar. Há que pensar se as estamos a fazer valer a pena, a usá-las para sermos felizes ou para investir em algo que nos fará mais felizes no futuro.

 

É certo que também haverá sempre semanas boas e menos boas, mais fáceis e mais difíceis. Mas também é certo que há sempre alguma coisa que podemos fazer para uma semana valer a pena. Às vezes, basta um encontro com alguém que não vemos há muito tempo, fazer ou apenas começar uma coisa que andamos a adiar faz tempo, estudar alguma coisa de que gostamos ou aproveitar aqueles 20 segundos de coragem que nos assolam de vez em quando para nos atirarmos de cabeça para algo completamente fora da nossa zona de conforto.

 

Sim, há muitas maneiras de fazer uma semana valer a pena, mesmo quando parece que está tudo contra nós. A única certeza é mesmo de que o tempo, bem ou mal aproveitado, nunca nos é restituído. Por isso, é viver e pronto.

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