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MAR DE MAIO

Livros, viagens e tudo o que nos acrescenta

22
Jun17

Por aqui e por ali de Bill Bryson

Há dois tipos de pessoas no mundo. As que decidem percorrer um trilho selvagem (com ursos) e, numa livraria, passam ao lado de um livro sobre ataques de ursos e as que compram o livro, o devoram pela noite dentro e se demoram em cada detalhe da história de pessoas atacadas num sítio onde estão prestes a caminhar.

 

Bryson pertence ao segundo grupo. E ainda bem. É isso que faz de “A walk in the woods” (ou “Por aqui e por ali”, uma tradução cujo sentido me escapa) um dos meus livros de viagens preferido, até ao momento.

por-aqui-por-ali-bill-bryson.JPG

Bill Bryson decide caminhar o Trilho dos Apalaches, que vai da Geórgia ao Maine, na costa leste dos Estados Unidos, com um amigo (Katz) que não vê há décadas. A contracapa da versão portuguesa resume bem esta aventura:

Enfrentando condições climatéricas extremas, insetos implacáveis, mapas pouco fiáveis e um companheiro instável, que acima de tudo gostava de ir para um motel ver os Ficheiros Secretos, é com grande esforço que Bryson percorre a natureza selvagem para conseguir realizar o sonho de uma vida: não morrer ao ar livre.

 

A decisão de caminhar na natureza selvagem é algo que me fascina. Já li Livre de Cheryl STraied onde ela caminha pelo Pacific Crest Trail, um trilho na costa oeste dos Estados Unidos e Into the wild de John Krakauer (este com um final trágico). Caminhar na natureza selvagem implica carregar com tudo aquilo de que se vai precisar durante semanas às costas (incluindo comida, tenda, saco-cama, roupa, enfim tudo), tomar banho em rios ou lagos (se o tempo o permitir, caso contrário implica não tomar banho) e, resumindo, não ter qualquer contacto com a civilização.

Se há algo que o Trilho dos Apalaches nos dá é a possibilidade de chegar ao êxtase com muito pouco, algo que nos daria bastante jeito na vida quotidiana.

 

Bryson vai descrevendo caminhadas por montanhas e florestas, em condições de neve e de calor. As descrições da caminhada e das conversas e aventuras entre os dois fizeram-me sempre rir. No entanto, arrisco-me a dizer que a melhor parte são todos os desastres que o autor imagina e que, felizmente, nunca chegam a acontecer. Estes envolvem pessoas comidas por usos negros (parece que os pardos são mais simpáticos), pessoas que se perdem e, em pânico, tomam decisões sem sentido que acabam por lhes custar a vida, ataques de hipotermia, assassinos em série, entre outros. Tudo o que possa correr mal num caminhada pela natureza selvagem acontece, pelo menos na imaginação de Bryson.

 

Resumindo, recomendo a leitura a quem estiver à procura de algo leve, que nos faz dar mais valor à natureza selvagem (e aos ursos que a habitam).

11
Abr17

A graça da coisa

graça-da-coisa-martha-medeiros

Se vos falar em Martha Medeiros talvez o nome não vos diga nada. Mas é provável que já tenham lido este poema maravilhoso que começa por Morre lentamente e cujos meus versos preferidos são:

Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho, quem não se permite, uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem não acha graça de si mesmo.

Este poema tornou-se viral há uns anos atrás e por uma daquelas tiradas cruéis da internet foi atribuído erradamente a Pablo Neruda. Na verdade, pertence a esta cronista brasileira.

Quando viajo gosto sempre de comprar, pelo menos, um livro de um autor do país. O Brasil quase foi a exceção porque só me lembrei disso no aeroporto. A opção de escolha não era muita mas assim que reconheci a autora daquele poema na capa de um livro, nem pensei duas vezes.

 

Não sei do que estava à espera, mas não esperava o que encontrei. Parei a cada crónica lida para pensar nas palavras da autora, reli várias crónicas, fui lendo aos poucos para assimilar, pus post-its em dezenas de crónicas para depois tirar algumas passagens e acabei o livro maravilhada.

 

21
Mar17

É preciso um bocado de paixão + leiam este livro

comer-orar-amar-elizabeth-gilbert

Fui para o Brasil muito desanimada com tudo. Com a faculdade, com o que fazer depois da faculdade, com o paradigma de “eu quero fazer aquilo de que gosto mas também quero alguma segurança e independência”. Eu sei, é o dilema típico de quem está em final de licenciatura ou mestrado e fica meio perdido com o que vem a seguir.

 

Às vezes, acontece termos a sorte de ler um livro que põe em palavras o que estamos a sentir, melhor do que seríamos capazes de o fazer. Foi isso que me aconteceu com o livro «Comer, orar e amar» de Elizabeth Gilbert. Para quem não conhece, a autora passou por um divórcio complicado e decidiu viajar por Itália, Índia e Bali durante um ano.

 

 

12
Jan17

Três autoras que quero ler

autoras-2017.jpg

Já escrevi aqui sobre os livros que me marcaram em 2016. Resta agora começar a pensar nos livros que gostava de ler este ano. Tenho muitos livros por ler em casa de autores que me interessam muito (como José Saramago, Elie Wiesel e Aldous Huxley). Além destes, ficam aqui três livros de escritoras que me chamaram em 2016 e que gostava muito de ler este ano.

Ler mais )

 

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