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MAR DE MAIO

Livros, viagens e tudo o que nos acrescenta

02
Nov16

Leonardo DiCaprio e o documentário «Before the Flood»

Before the Flood.jpg

Passou ontem na RTP1 o documentário de Leonardo DiCaprio sobre os últimos 3 anos, em que viajou pelo mundo à procura de soluções para as alterações climáticas. Acho que é difícil ficar indiferente ao cenário negro, mas realista que o documentário vai apresentando. É que é preciso fazer muita coisa… e quase ninguém faz nada.

 

A começar pelos políticos. Muitos deles nem sequer acreditam que o aquecimento global seja uma realidade, sendo um deles o possível próximo presidente dos Estados Unidos (Donald Trump), o que é muito preocupante. Cimeiras como a de Paris servem para preencher relatórios com promessas de targets a cumprir, mas não obrigam efetivamente os países a cumprirem-nos.

 

Mas deixemos de lado a parte política. Isso é importante, mas as ações individuais também. Não tenho grande moral para falar sobre o assunto e até hesitei em escrever este post… A frase que mais me marcou no filme foi quando, logo no início, DiCaprio dizia que quando se começava a falar de alterações climáticas, toda a gente se aborrecia. É do género “fogo, lá vêm eles com as alterações climáticas outra vez…” E eu percebo. Porque simplesmente não nos afeta. Sabemos que está a acontecer, vemos o tempo a mudar de ano para ano (ou não estivesse um calor de Verão no final de Outubro) mas isso (ainda) não prejudica a nossa vida.

 

Na teoria, importamo-nos (quase) todos com o aquecimento global. Mas na prática não fazemos nada. Não estamos dispostos a mudar o nosso estilo de vida por causa disso. E eu não sou exceção. O computador portátil (de onde escrevo este post) e as minhas duas viagens de avião por ano já ultrapassam a quantidade de emissões de carbono a que tenho direito por ano. Sim, só isso. Fora o resto. E isso mostra o quanto o problema é grave e difícil de resolver.

 

Na prática, não parece assim tão difícil. Não andar de avião. Nem de carro. Não comer carne vermelha. Comprar produtos locais. Mudar o menos possível de computador. Usar painéis solares. Mas é, porque implica mudarmos completamente de estilo de vida. Por um lado, não estamos dispostos a isso. Por outro, enquanto não houver um movimento conjunto da sociedade para aplicar tudo isto, continuamos todos a fazer (quase) nada.

 

Mas sim, há sempre coisas que podemos (e devemos) fazer. É quase impossível vivermos abaixo da nossa quota parte de emissões de carbono por ano. Mas podemos diminui-las. Não abdico do meu computador, nem de andar de avião, mas posso deixar de comer carne de vaca (já deixei), comprar mais produtos localmente e diminuir a minha pegada aí, por exemplo. Pelo menos, já estou a pensar no assunto e a fazer alguma coisa, mesmo que ainda seja (muito) pouco.

 

O documentário está disponível no Youtube, para quem não quiser ficar indiferente.

08
Set16

Carrie, Stephen King

Carrie de Stephen King.JPG

Carrie White has a gift - the gift of telekinesis.

To be invited to Prom Night by Tommy Ross is a dream come true for Carrie - the first step towards social acceptance by her high school colleagues.

But events will take a decidedly macabre turn on that horrifying and endless night as she is forced to exercise her terrible gift on the town that mocks and loathes her...

 

Eu não ia escrever sobre Carrie. Acabei este livro há algumas semanas atrás e terminei-o com a sensação de que não tinha gostado. Foi o primeiro livro que li de Stephen King. Gostei da escrita, das diferentes formas que os capítulos tomam (entrevistas, narrativa e excertos de livros sobre Carrie White). Não achei o livro assustador, mas achei-o demasiado... triste. Carrie sofre bullying pelos colegas de liceu. E isso, associado ao seu contexto familiar e ao desfecho da história tornam este livro triste.

 

Eu não ia escrever sobre Carrie. Mas entretanto vi a série da netflix Stranger things. A história desta série passa-se nos anos 80 e é inspirada em vários filmes do final dos anos 70 e anos 80, como Shark (1975), Star Wars (1978), E.T. (1982) e, sim, Carrie (1976). Vi o primeiro episódio à experiência e é tudo tão estranho e fascinante que tive mesmo de ver a temporada inteira em poucos dias. E vale muito a pena, recomendo vivamente.

Ora, uma das personagens da série - Jane - é inspirada em Carrie White e fez-me repensar o livro de Stephen King.

 

Acho que o meu problema com o livro foi uma questão de expectativas. Esperava uma história de terror e de suspense para me entreter. O que encontrei foi uma história séria e, para mim, triste. A história é marcante, e importante também, apesar dos traços de ficção científica. Se, à primeira vista, isso me deixou de pé atrás com o livro, agora acho que o torna ainda melhor.

21
Ago15

A família Bélier

A história:

Paula é uma adolescente francesa que enfrenta os problemas comuns da idade. Mas a sua família tem algo de diferente: pai, mãe e irmão são surdos-mudos. Paula é responsável por traduzir a língua gestual dos pais nos negócios da quinta de família, nas conversas com os vizinhos, nas idas ao médico… Um dia integra o coro da escola e descobre o talento para o canto, podendo vir a integrar uma escola de prestígio em Paris. Mas, como deixar para trás os pais e o irmão? Como seguir a música, quando a sua família nem a pode ouvir cantar?

Quando estava na África do Sul conheci uma rapariga francesa. Entre as muitas conversas à beira da fogueira, o músico Michel Sardou acabou por se tornar assunto. Não conhecia. Alguém acabou por fazer referência ao filme da família Bélier e vi-o no avião, de regresso a Lisboa.

 

Para dizer a verdade, não percebo nada de cinema. Não sei criticar os diálogos, a fotografia, a banda sonora… Discordo, quase sempre, das críticas que leio nas revistas e na internet.

Sei que gostei muito deste filme e que o vou, de certeza, voltar a ver. E revejo tão poucos filmes que este tem de ser digno de referência.

 

Para começar, os filmes centram-se quase sempre nas cidades e este é um filme rural, com vacas e campo. O núcleo familiar tem uma dinâmica cómica e a determinação do pai de Paula em se tornar presidente de câmara, apesar de surdo-mudo, encaixa bem na capacidade de vencer os obstáculos que atravessa todo o filme. A música de Michel Sardou é, de facto, fabulosa e a cena final com a música alterada é perfeita.

Não é um grande filme mas, no meio de tantos filmes norte-americanos semelhantes entre si, é uma boa forma de passar uma hora e meia à frente de um ecrã.

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