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MAR DE MAIO

Livros, viagens e tudo o que nos acrescenta

Dormir com paralisia do sono


Inês

02.11.17

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As minhas primeiras memórias de miúda estão associadas a insónias. Ou demorava horas para adormecer ou acordava a meio da noite e vagueava pela casa. Acabava sempre no escritório a folhear os livros que preenchiam as estantes. Depois passava a noite inteira a ler e ia para a escola, cheia de sono, na manhã seguinte. Anos depois, dormir continua a ser a minha maior fonte de dores de cabeça e cansaço. Durmo melhor do que há uns anos atrás mas não há coisa que inveje mais nos outros do que alguém me dizer que deita a cabeça na almofada e adormece logo. Quem me dera.

 

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Uma manhã com Jodi Cobb


Inês

13.06.17

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Fui ao National Geographic Summit para ouvir Jane Goodall. Sabia que havia dois oradores antes dela, mas não pesquisei nada sobre eles. A primeira pessoa a subir ao palco foi Jodi Cobb. Jodi é fotógrafa da National Geographic há algumas décadas. Fala como quem tem o maior prazer em partilhar a sua história. E tem graça, muita graça. Vai mostrando fotografias das reportagens mais marcantes da sua carreira. Foi a primeira mulher fotógrafa a ser contratada pela National Geographic, a primeira a fotografar a China, a retratar a vida secreta das geishas no Japão, a primeira a fotografar as mulheres na Arábia Saudita (após obter autorização dos maridos), a primeira a fotografar diversas tribos em lugares recônditos.

Tornei-me fotógrafa porque queria mudar o mundo. Mas isso revelou-se mais difícil do que eu pensava.

 

Algures na passagem das fotografias, há uma imagem de Donald Trump. Foi tirada há muitos anos atrás quando era ele quem mandava nos concursos miss Universo. Trump está a entrar numa sala e as modelos reviram os olhos. A plateia ri-se.

 

Jodi passa para a fotografia seguinte e começa a falar de temas mais difíceis, quase impossíveis, como o tráfico humano. Jodi correu o mundo durante meses numa reportagem sobre o tráfico de pessoas. Quando regressou aos Estados Unidos percebeu que o tráfico humano também estava ali, junto à fronteira com o México, onde americanos atraem jovens mexicanas a passar a fronteira em promessa de trabalho, mas acabam como escravas sexuais. E nos campos agrícolas, onde muitos mexicanos acabam escravos dos seus patrões para saldar dívidas que nunca conseguirão pagar.

 

Às tantas penso que não é possível. Não é possível que uma pessoa que esteve meses a fio a retratar temas tão difíceis, tão desumanos, a entrevistar traficantes de pessoas, a viver com medo de represálias e a chorar todos os dias seja capaz de contar estas histórias, as suas histórias, com leveza e com graça. Mas Jodi Cobb é assim.

 

É verdade, fui ao National Geographic Summit para ouvir Jane Goodall mas saí fascinada com a graça e a resiliência da Jodi Cobb. Enfim, se não tirarem nada deste texto, fiquem com a frase que acompanhou Jodi ao longo de toda a sua vida.

O que posso fazer agora que nunca fiz antes?

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instagram de Jodi Cobb.

 

vídeo sobre a sua presença no Nat Geo Summit em Lisboa.

Uma manhã com Jane Goodall


Inês

06.06.17

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Há dois anos li um livro de Jane Goodall, de título “Reasons for hope”. Foi a minha introdução a Jane Goodall. Já conhecia partes da sua história, mas este livro é muito mais do que isso:

How healing it was to be back at Gombe again, and by myself with the chimpanzees and their forest. I had left the busy, materialistic world so full of greed and selfishness and, for a little while, could feel myself, as in the early days, a part of nature. I felt very much in tune with the chimpanzees, for I was spending time with them not to observe, but simple because I needed their company, undemanding and free of pity.

 

Há umas semanas fui ouvir Jane Goodall ao National Geographic Summit. O Tivoli estava cheio e nunca ouvi tanto silêncio num teatro com tanta gente. Jane tinha 27 anos quando viajou três semanas num barco rumo à Tanzânia para visitar uma amiga e acabou no meio da floresta do Gombé a estudar chimpanzés. Anos mais tarde percebeu que os chimpanzés podiam desaparecer e começou a viajar pelo mundo para alertar as pessoas para a sua conservação. Jane tem 83 anos. Fala com a paciência de quem conta a mesma história pela centésima vez, com o mesmo propósito e a mesma paixão de há tantos anos atrás.

 

Jane fala da sua infância no Reino Unido, de África, do que aprendeu com os chimpanzés e de como se desiludiu também, por afinal poderem ser tão violentos como os seres humanos. No final, Jane mostra um vídeo (este) onde é abraçada por um chimpanzé reabilitado e devolvido à natureza. Fala dos estragos que temos causado no planeta mas não quer terminar de forma negativa. No fim, Jane volta ao livro e partilha as suas razões para (ainda) acreditar no ser humano.

Each one of us matters, has a role to play, and makes a difference. Each one of us must take responsibility for our own lives, and above all, show respect and love for living things around us.

 

Voltei a pensar por estes dias naquela manhã passada no Tivoli. Pensei em Jane Goodall, para quem a decisão dos Estados Unidos de sair do acordo de Paris deve ser um duro golpe. Jane dedicou uma vida inteira a caminhar no sentido oposto (e para alguém com 83 anos é mesmo uma vida inteira!) Pensei no ambiente de admiração e de inspiração que se viveu no Tivoli naquela manhã que foi, certamente, uma das melhores experiências da minha vida.

We still have a long way to go. But we are moving in the right direction. If only we can overcome cruelty, to human and animal, with love and compassion we shall stand at the threshold of a new era in human moral and spiritual evolution—and realize, at last, our most unique quality: humanity.

__

TED talk de Jane Goodall.

 

post no Brain Pickings sobre o livro "Reasons for hope".

 

Um post sobre o documentário "Before the flood" de Leonardo DiCaprio.

Tudo aqui na Terra


Inês

22.09.15

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Na África do Sul, conheci um rapaz que estava perto, muito perto de concretizar o sonho de ir para Marte. Contou, entre conversas à volta de uma fogueira, que estava na fase final do Mars One.

 

Mars One é um projecto que pretende enviar, em 2026, um grupo de pessoas a Marte para criar e estabelecer a primeira colónia de seres humanos no planeta (sim, isso mesmo). Os cem selecionados vão passar por dez anos de preparação. Destes, 24 vão ser escolhidos para a viagem. Sem regresso ao planeta Terra.

 

Apesar de admirar o facto de ele fazer aquilo que quer e seguir os seus sonhos, é-me muito difícil imaginar como é que alguém pode decidir abandonar tudo. Por tudo leia-se a família, os amigos, o seu país e, aquilo que me faz mais confusão, o planeta azul.

 

Os vídeos do Mars One mostram este projecto como a maior aventura espacial, a seguir à ida do Homem à lua. É recorrente, nos vídeos dos candidatos, afirmarem que querem fazer parte dela, deixar uma marca para as gerações futuras, fazer as pessoas voltarem a ficar entusiasmadas com o espaço. A mim, parece-me tudo muito assustador e… surreal. Assusta-me a ideia de que a colonização de outro planeta é vista como a salvação última da espécie humana. Assusta-me pensar que estamos mesmo a chegar a isto.

E deixem-me que vos diga que, pelas imagens, Marte deixa muito a desejar como sítio para viver. É um planeta desértico e hostil.

 

Apesar disso, confesso que a ideia de, daqui a uns bons anos, assistir à chegada de pessoas a Marte me deixa um bocadinho entusiasmada. Mas dispenso, de boa vontade, viver ou mesmo visitar, outro planeta. Tenho tudo o que preciso aqui, na Terra. Por tudo leia-se a família, os amigos, o mar, cadernos e canetas para escrever e uma boa quantidade de países e culturas para visitar. Passo bem sem Marte.

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