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MAR DE MAIO

Livros, viagens e tudo o que nos acrescenta

O que mede a importância da nossa vida?


Inês

18.10.17

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Há umas semanas li um artigo no "The New York Times" que se chamava "You'll never be famous – and it's ok". Ao contrário do que esperava, o artigo não fala sobre aquela ideia tão americana da fama fácil (estilo Kardashians) mas foca-se mais na pressão imposta pela sociedade para se fazer alguma coisa extraordinária e ser-se reconhecido por isso. Começar uma rede social, terminar uma crise humanitária, descobrir a cura para uma doença, enfim, tudo isso.

 

O autor conta a história de dois personagens (um casal) de um livro que vivem completamente focados nos seus sonhos. Assim que li esta história lembrei-me a frase de Dumbledore em Harry Potter, quando ele diz que não serve de nada trabalharmos para os nossos sonhos, se nos esquecermos de viver. Bom, mas na história os sonhos desvanescem com o tempo e acabam por não se concretizar. No final, enquanto ele vive amargurado com esse resultado, ela decide viver com isso (ou apesar disso):

Rather than succumb to the despair of thwarted dreams, she embraces her life as it is and contributes to those around her as she can.

 

 

Pela mesma altura, fui apanhada de surpresa por uma mensagem a informar da morte de alguém que nunca conheci pessoalmente mas de quem gostava muito. E dei por mim a pensar na forma como as pessoas nos marcam, tantas vezes sem o saberem. Essa pessoa, com quem só falei por skype, teve muita importância na minha paixão desmesurada por tartarugas marinhas e em duas das minhas experiências de voluntariado fora de Portugal. Ensinou-me mais do que muitos dos meus professores da faculdade, por decidir tomar decisões comigo em vez de me dizer o que fazer. Teve uma vida extraordinária? Eu acho que sim. O obituário não terá aparecido no jornal, mas foi uma espécie de amigo e mentor para centenas de voluntários por esse mundo fora, que foram à Grécia à procura de alguma coisa que não sabiam o que era.

 

A conclusão para este texto é a mesma do de Emily Esfahani Smith para o The New York Times. Todas as vidas podem ser significativas, é uma questão de não nos perdemos demasiado nos "e se's" e de não nos deixarmos amargurar pelos momentos em que tudo parece perdido. Acreditem, não está. Uma vida boa é quase sempre, também, uma vida simples.

good life is a life of goodness — and that’s something anyone can aspire to, no matter their dreams or circumstances.

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