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MAR DE MAIO

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Dormir com paralisia do sono


Inês

02.11.17

paralisia-sono.jpg

As minhas primeiras memórias de miúda estão associadas a insónias. Ou demorava horas para adormecer ou acordava a meio da noite e vagueava pela casa. Acabava sempre no escritório a folhear os livros que preenchiam as estantes. Depois passava a noite inteira a ler e ia para a escola, cheia de sono, na manhã seguinte. Anos depois, dormir continua a ser a minha maior fonte de dores de cabeça e cansaço. Durmo melhor do que há uns anos atrás mas não há coisa que inveje mais nos outros do que alguém me dizer que deita a cabeça na almofada e adormece logo. Quem me dera.

 

A paralisia do sono
Quando estava no secundário, comecei a acordar a meio da noite, no escuro do quarto. Tentava gritar e não conseguia. Tentava mexer-me e não conseguia. Os sonhos que outrora existiam somente na minha cabeça, começavam a tomar forma à minha volta. Conseguia ver um ou mais vultos a rodear a minha cama. Às vezes, um deles aproximava-se e sentava-se. Passado uns minutos (que pareciam uma eternidade) acordava e tinha sempre dúvidas se tinha sido um sonho ou realidade. Já dizia Dumbledore que não é porque algo acontece apenas na nossa cabeça que deixa de ser real. Demorei meses a perceber que tinha episódios de paralisia do sono.


Isto acontece quando, durante a fase do sono REM, o cérebo acorda mas a mensagem não é transmitida ao resto do corpo, que continua paralisado. Esta paralisia dos músculos serve para evitar movimentos bruscos enquanto sonhamos ou temos pesadelos. Assim, na paralisia do sono a pessoa acorda e continua a sonhar, mas o corpo está completamente paralisado.

 

Ao longo dos anos, passei por estes episódios umas dezenas ou mesmo centenas de vezes. Tantas que já lhes perdi a conta. É um fenómeno que tem tanto de assustador como de fascinante. O mais curioso é que estes episódios estão descritos há centenas de anos e ao longo do tempo e de diferentes culturas e países, quase todas as pessoas que têm paralisia do sono, vêem um ou mais vultos ao seu redor que, por vezes, se sentam em cima delas. Se temos sonhos tão diferentes, porquê que na paralisia do sono sonhamos com o mesmo? Não sei e até agora parece não haver uma boa explicação para isso.

 

Procurar soluções
Ao longo dos anos li tantos artigos, vi tantos documentários e fiz tantos estudos online sobre paralisia do sono que podia escrever um livro. Estava curiosa mas principalmente queria encontrar soluções, dormir melhor e viver melhor.

 

Estas são algumas coisas que descobri e que resultam para mim:
- Antes de dormir: ter uma rotina. Deitar todos os dias à mesma hora (o ideal é ser por volta das 22h; hora a que o organismo tem uma quebra natural de energia). Não levar o computador ou telemóvel para a cama. Fazer coisas relaxantes a começar uma hora antes de ir dormir como beber chá de camomila, tomar um duche de água bem quente e reler um livro na cama (já sei a história, por isso, não me vou sentir tentada a ler pela noite dentro).

- Durante a noite: dormir de barriga para baixo ou de lado, e nunca de barriga para cima. Há vários estudos que mostram que os episódios de paralisia do sono são mais frequentes quando se dorme de barriga para cima.

- De manhã: ter sempre o despertador longe da cama para não adormecer. Ter alguma coisa que nos dê vontade de levantar logo. No meu caso, é ir beber café com leite (que adoro) e a perspetiva de ouvir música no carro.

Dormir bem, ou seja, não demorar uma eternidade para adormecer e acordar só quando o despertador toca diminui muito os episódios de paralisia do sono. Neste momento, há meses que não tenho um episódio destes (e é a primeira vez desde os 15 anos que o posso dizer). Continuo a ter insónias, mas com menos frequência e que duram muito menos tempo.

 

Se tiverem sugestões de formas para dormir melhor, agradeço :)

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