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MAR DE MAIO

Livros, viagens e tudo o que nos acrescenta

15
Set16

Os 20's

Os 20s e a passagem do tempo.jpg

Deve ser culpa de Setembro. Um mês que nos lembra que o Verão acaba, como tudo o que é bom e vale a pena, e que a vida se renova. O certo é que ando a pensar na passagem do tempo. Nem por acaso, há umas semanas li este texto no The Fresh Exchange e estas palavras têm andado a ecoar na minha cabeça:

I began to realize that your 20’s are the most critical in defining your path for your life. Sure you can switch your path at any point, but in your 20’s the risks are lowest so it is the time to shift things, try things, and fail a lot. Your 20’s you can be broke and stupid. In your 20’s you can travel the cheapest. In your 20’s you can try everything. What I realized is that your 20’s are about exploration and finding the bounds of life and the life you want to live. When you try a lot of things whether it be jobs, dating, travel, food, places to live, or some combo of it all, you are able to figure out clearly and with a lot of confidence exactly the life you want and need. (...)

If you are a 20-something and you are feeling this pressure to adult so very hard by your families, your friends, and by the world don’t fall into a rut of living a life you don’t want because you felt the pressure to settle in and get your ducks in a row. Don’t miss out on living and spending your 20’s developing yourself, finding confidence in yourself, learning who you are in this big ole world, and even more importantly learning who you aren’t. Do all you can to spend your 20’s developing the path you know you are meant to be on and that brings you joy.

Não podia concordar mais com o texto. Quando o li, tive aquela sensação boa de que alguém pôs em palavras aquilo que penso, muito melhor do que eu o teria feito. A verdade é que, felizmente, já perdi a conta às pessoas que conheci que aproveitaram os 20's para mudar de percurso, passar algum tempo a viajar ou a fazer voluntariado numa ONG, ou simplesmente a fazer alguma coisa que não tem absolutamente nada a ver com a sua área de estudos, só pelo gosto de experimentar. Da minha parte, inspiro-me em cada uma dessas pessoas e tenho aproveitado os últimos anos para experimentar (quase) tudo aquilo que me deixa a pensar "E porque não?".

 

Talvez quando chegar aos 30 (ou então nem aí) possa dizer que sei o que quero. Mas para já, andar à procura de respostas só me tem dado mais perguntas.

19
Abr16

As causas e a culpa

causas.jpg

Recentemente vi um episódio do «The middle» que estava tão bem feito que não resisti a escrever sobre isto. Uma das personagens, a Sue, que está na faculdade namora com um defensor de causas. Ou seja, um jovem que se preocupa com todos os problemas do mundo e que passa a vida a falar sobre… isso mesmo, todos os problemas do mundo. A Sue acaba por ser contagiada. Fala com a mãe sobre essas causas, mas ela tem zero interesse em ouvi-la.

 

 

Ler mais )

 

21
Mar16

As semanas da nossa vida

Weeks-block-YOU.png

É uma experiência estranha olhar para esta tabela do Wait but why e ver a nossa vida toda reduzida em semanas. Principalmente se pensarmos que somos bem capazes de não viver até aos 90 anos e que até já usámos uma certa quantidade de quadrados.

 

Os dias passam depressa e de forma quase imprevisível. As semanas, por outro lado, são mais fáceis de controlar. Há que pensar se as estamos a fazer valer a pena, a usá-las para sermos felizes ou para investir em algo que nos fará mais felizes no futuro.

 

É certo que também haverá sempre semanas boas e menos boas, mais fáceis e mais difíceis. Mas também é certo que há sempre alguma coisa que podemos fazer para uma semana valer a pena. Às vezes, basta um encontro com alguém que não vemos há muito tempo, fazer ou apenas começar uma coisa que andamos a adiar faz tempo, estudar alguma coisa de que gostamos ou aproveitar aqueles 20 segundos de coragem que nos assolam de vez em quando para nos atirarmos de cabeça para algo completamente fora da nossa zona de conforto.

 

Sim, há muitas maneiras de fazer uma semana valer a pena, mesmo quando parece que está tudo contra nós. A única certeza é mesmo de que o tempo, bem ou mal aproveitado, nunca nos é restituído. Por isso, é viver e pronto.

22
Set15

Tudo aqui na Terra

DSCF4237

Na África do Sul, conheci um rapaz que estava perto, muito perto de concretizar o sonho de ir para Marte. Contou, entre conversas à volta de uma fogueira, que estava na fase final do Mars One.

 

Mars One é um projecto que pretende enviar, em 2026, um grupo de pessoas a Marte para criar e estabelecer a primeira colónia de seres humanos no planeta (sim, isso mesmo). Os cem selecionados vão passar por dez anos de preparação. Destes, 24 vão ser escolhidos para a viagem. Sem regresso ao planeta Terra.

 

Apesar de admirar o facto de ele fazer aquilo que quer e seguir os seus sonhos, é-me muito difícil imaginar como é que alguém pode decidir abandonar tudo. Por tudo leia-se a família, os amigos, o seu país e, aquilo que me faz mais confusão, o planeta azul.

 

Os vídeos do Mars One mostram este projecto como a maior aventura espacial, a seguir à ida do Homem à lua. É recorrente, nos vídeos dos candidatos, afirmarem que querem fazer parte dela, deixar uma marca para as gerações futuras, fazer as pessoas voltarem a ficar entusiasmadas com o espaço. A mim, parece-me tudo muito assustador e… surreal. Assusta-me a ideia de que a colonização de outro planeta é vista como a salvação última da espécie humana. Assusta-me pensar que estamos mesmo a chegar a isto.

E deixem-me que vos diga que, pelas imagens, Marte deixa muito a desejar como sítio para viver. É um planeta desértico e hostil.

 

Apesar disso, confesso que a ideia de, daqui a uns bons anos, assistir à chegada de pessoas a Marte me deixa um bocadinho entusiasmada. Mas dispenso, de boa vontade, viver ou mesmo visitar, outro planeta. Tenho tudo o que preciso aqui, na Terra. Por tudo leia-se a família, os amigos, o mar, cadernos e canetas para escrever e uma boa quantidade de países e culturas para visitar. Passo bem sem Marte.

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