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MAR DE MAIO

Livros, viagens e tudo o que nos acrescenta

MAR DE MAIO

24
Out16

Não era para mim

não era para mim.jpg

If a book is tedious to you, don’t read it; that book was not written for you.

 

A frase é de Jorge Luís Borges (vi aqui) e faz-me cada vez mais sentido. Nos últimos tempos tenho pegado em livros, começado a ler livros e largado livros. O último foi "O Apocalipse dos Trabalhadores" de Valter Hugo Mãe. É o primeiro livro que leio do escritor. Gostei da escrita, mas não me interessei pelas personagens nem pela história. Não faz mal, não foi escrito para mim. Parei a meio.

 

Ler o livro certo na altura certa resulta sempre nas melhores experiências de leitura. Já perdi a conta aos livros que começei a ler e não gostei, só para voltar a tentar meses ou anos mais tarde e adorar (aconteceu-me com este, por exemplo). Um livro que não nos entusiasma numa determinada altura pode tornar-se num dos melhores que já lemos, se acertarmos no tempo certo para o fazer.

 

"Não era para mim" vai passar a ser a minha resposta quando me perguntarem sobre filmes, livros, músicas aos quais reconheço qualidade mas que, ainda assim, não me acrescentaram nada.

 

Quanto aos livros, cada vez concordo mais com as palavras de Doris Lessing sobre a melhor forma de ler:

There is only one way to read, which is to browse in libraries and bookshops, picking up books that attract you, reading only those, dropping them when they bore you, skipping the parts that drag — and never, never reading anything because you feel you ought, or because it is part of a trend or a movement. Remember that the book which bores you when you are twenty or thirty will open doors for you when you are forty or fifty — and vice-versa. Don’t read a book out of its right time for you.

07
Out16

Balada da praia dos cães

Balada da praia dos cães.JPG

Já escrevi aqui sobre um livro do José Cardoso Pires – «De profundis, valsa lenta» - por sinal, um dos meus livros preferidos. Por isso, não é de estranhar que a «Balada da praia dos cães» esteja há anos na minha lista de livros para ler. Já mal me lembrava que o livro existia quando o vi, entre tantos outros de autores portugueses, a 2 euros numa feira na Ericeira. Estava em bom estado e a edição era de 1984 (!).

 

Não sabia nada sobre a história. Poucas páginas depois de começar o livro estava confusa. Fui pesquisar. Ora, o livro começa com a descoberta de um cadáver numa praia no início dos anos 60. Mais tarde, descobrimos que se trata do major Luís Dantas, um militar preso por tentativa de golpe militar contra o regime de Salazar que escapara da prisão. O livro é baseado em acontecimentos verídicos e acho que saber isso ajuda a compreender melhor a história, que segue a investigação deste assassinato.

 

Terminei o livro em poucos dias. Gostei muito. As personagens estão muito bem construídas e o texto vai intercalando entre as memórias de Mena – amante do major – a investigação da polícia judiciária e o processo em si. Livros bons são aqueles que nos transportam para a história que nos contam e este faz isso muito bem. A realidade mistura-se com a ficção, a liberdade que temos hoje com a censura dos anos 60 e a casa da Vereda ganha contornos reais, assim como as personagens que nela se movimentam.

 

Certo é que ler o livro certo na altura certa faz toda a diferença. E este foi um desses acasos em que o livro certo apareceu no tempo certo.

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