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MAR DE MAIO

Livros, viagens e tudo o que nos acrescenta

04
Set15

Guia de Voluntariado Internacional

Há dois anos estive um mês a fazer voluntariado num centro de reabilitação de tartarugas marinhas na Grécia. Foi, sem sombra de dúvida e até hoje, o melhor mês da minha vida. Pela experiência, pelo país, pelas pessoas que conheci. Quem já participou num projecto assim sabe que o voluntariado internacional é uma experiência extraordinária. Que nos dá muito mais do que aquilo que nós possamos dar com o nosso tempo e o nosso trabalho. Entretanto, já estive na Holanda a fazer voluntariado com focas e já voltei à Grécia para um Youth Exchange.

Centro de tartarugas marinhas.png

 Centro de reabilitação de tartarugas marinhas, Grécia 

 

Fazer uma viagem é ir. Fazer voluntariado fora é ir e ficar. É fazer parte do dia-a-dia de uma comunidade local, viver a cultura e o ambiente. O objectivo é fazer o bem, deixar aquele projecto, aquela comunidade, melhor do que quando ali chegámos.

 

02
Set15

O que vejo e não esqueço

Tinha voltado há dias da África do Sul, quando vi este livro à venda. Lembrei-me da vila pobre, muito pobre, que visitei, das casas tão pequenas para tanta gente. Lembrei-me da lenda do “tocolacho” que ouvi, repetida de boca em boca. Reza a história que “tocolacho” é um monstro de forma humana e muito pequeno que entra nas casas das pessoas durante a noite e mata as crianças pequenas da família. A história tem uma explicação simples e cruel. Como as casas não têm aquecimento e o Inverno é muito frio, as pessoas acendem fogueiras que ficam acesas pela noite dentro. O oxigénio sobe, o dióxido de carbono desce e como, normalmente, as crianças dormem no chão, são as que morrem mais rapidamente.

 

Muita gente acredita nesta história mas ninguém se atreve a dizer que já viu o “tocolacho”. Não me esqueci disto porque nem consigo imaginar a dor destas mães a irem dormir todas as noites com medo que os filhos não estejam vivos no dia seguinte…

 

Mas voltando ao livro. Trouxe-o logo para casa. “O que vejo e não esqueço” conta as viagens de Catarina Furtado enquanto Embaixadora de Boa Vontade do Fundo das Nações Unidas para a População, a países como a Índia, Timor, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Moçambique, Haiti, entre outros.

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 «O que vejo e não esqueço» de Catarina Furtado. Participação especial: Pucky.

 

Confesso que achei que algumas partes do livro têm demasiada informação e acabam por se tornar ligeiramente confusas. Por outro lado, gostei muito das partes que se centram na história de determinadas personagens destas viagens. Personagens não, pessoas reais. Que vivem nestes sítios. Que vivem estas vidas. Que têm uma história para contar, que merece ser ouvida. E para ouvir estas histórias, vale absolutamente a pena ler o livro.

 

Deixo as duas passagens de que mais gostei:

 

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