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MAR DE MAIO

Livros, viagens e tudo o que nos acrescenta

29
Abr15

O desconforto que é escrever

Eu escrevo muito, sempre escrevi, pelo que o blog surgiu como uma extensão natural da minha escrita. Um bocadinho estranha, talvez, e desconfortável até. Escrever implica alguma vulnerabilidade, mesmo que não escrevamos sobre nós (a escrita é sempre sobre nós), mas sendo um blog um espaço público, a vulnerabilidade é maior.

ostriches.jpg

Vi esta quote da Ann Patchett no Brain Pickings e tive aquela sensação (dos filmes, dos livros e também das quotes) de que alguém me leu o pensamento e escreveu para mim:

Forgiveness. The ability to forgive oneself. Stop here for a few breaths and think about this because it is the key to making art, and very possibly the key to finding any semblance of happiness in life.

[…]

I believe, more than anything, that this grief of constantly having to face down our own inadequacies is what keeps people from being writers. Forgiveness, therefore, is key. I can’t write the book I want to write, but I can and will write the book I am capable of writing. Again and again throughout the course of my life I will forgive myself.

É isto mesmo. Não consigo escrever o blog que quero, mas vou escrevendo o blog que sou capaz de escrever até, quem sabe, este work in progress me levar ao blog que quero escrever (ou não).

14
Abr15

Casa de Anne Frank

amsterdam.JPG

Faz hoje 70 anos que Anne Frank morreu e eu ia escrever um texto sobre a minha visita à casa onde Anne e a família se esconderam, em Amesterdão. Foi há quase um ano. Segundo descobri, lembro-me de muito pouco.

 

Havia demasiadas pessoas a ocupar o pouco espaço disponível, uma estante com livros a servir de passagem secreta para o anexo, umas escadas de madeira íngremes, divisões pequenas, desprovidas de mobília e muito escuras. Não absorvi nada. Não podia ser, pensei. Não sei o que foi a guerra. Não sei o que foi o Holocausto. Já ouvi falar sobre isso, já li sobre isso, e não consigo sequer imaginar.

 

Apetecia-me voltar para trás e regressar noutro dia, noutro ano. Mas segui em frente e fiz o mesmo que toda a gente, vi tudo com atenção, li os papéis e as legendas das entrevistas que passavam nos televisores.

Um clarão de luz vindo do sótão fez-me respirar de alívio. O único sítio da casa onde se podia ver se era dia ou noite, ver o sol, a lua, as estrelas, a única ligação directa ao mundo lá fora era feita por uma janela no teto do sótão.

 

Cheguei à última sala e, num ecrã gigante, a frase "All her would-haves are our opportunities" prendeu-me os olhos e começou a ecoar na minha cabeça (ainda por estes dias me lembro, tantas vezes, desta frase de Emma Thompson):

"All her would-haves are our opportunities"

"All her would-haves are our opportunities"

"All her would-haves are our opportunities", uma e outra vez.

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