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MAR DE MAIO

Livros, viagens e tudo o que nos acrescenta

16
Ago17

A feira da bagageira na Ericeira

Feira da bagageira na Ericeira

No fim-de-semana passado a Ericeira encheu-se de carros atolados de artigos em segunda mão para a feira da bagageira. Esta feira tem passado por vários locais da região de Lisboa e qualquer pessoa se pode inscrever para vender artigos que tenha em casa, como velharias, livros, mobília, roupa, brinquedos, enfim, de tudo um pouco. Os vendedores transportam os artigos na bagageira do carro (daí o nome da feira) e vendem-nos a preços simpáticos.

 

Esta frase na página do facebook da feira resume bem as vantagens da feira:

A Feira da Bagageira promove a protecção do ambiente, evitando excessos de produção, contribuindo para a sustentabilidade do planeta e do orçamento mensal lá de casa.

 

27
Jul17

The big sick: A história real que vale a pena ver

kumail-nanjiani-emily-v-gordon-the-big-sick.jpg

Esta história tem tanto de improvável como de cómica. Apesar de ser dramática. E um bocadinho existencial. Eu explico. Kumail, um comediante paquistanês a viver nos Estados Unidos apaixona-se por Emily, uma estudante de psicologia. Há um pormenor. Kumail é muçulmano e a mãe está determinada a vê-lo casar com uma rapariga da mesma religião. Emily fica doente e entra em coma. Durante esse período, Kumail conhece pela primeira vez os pais de Emily e é a relação que estabelece com eles que torna esta história extraordinária.

 

Não, esperem, o que a torna extraordinária é a história ser real. Emily e Kumail escreveram juntos o guião deste filme sobre a sua história de amor e Kumail, hoje um comediante genial, entra no filme fazendo… dele próprio.

 

“The big sick” (da Amazon) é um daqueles (raros) filmes originais, com diálogos inteligentes e personagens complexas. Fez-me rir (muito) e chorar (pouco) e é um dos melhores filmes que vi em largos meses. Se gostaram de What if (ou The f word) vão certamente gostar deste filme, que segue o mesmo género de comédia romântica alternativa.

 

Além disso, este filme é importante também porque tem um protagonista muçulmano a representar uma pessoa absolutamente normal numa produção norte-americana. Como Aziz Ansari (da série Master of none) disse numa entrevista:

If every time you see a Muslim person, it’s the f*cking guy from 24 or Homeland, yeah, it’s going to shape your opinion of all these people. If every time you saw a Muslim person on TV, and it’s my dad, you’ll be like, ‘These goofy people! They’re probably gonna ask me for a bite of my sandwich.’

Se ainda não ficaram convencidos, vejam o trailer.

20
Jul17

O castelo de vidro de Jeannette Walls

Fiquei curiosa com este livro quando vi o trailer do filme, a estrear em Portugal depois do Verão. Mais ainda quando, no início do trailer, começa a tocar “Sleep on the floor” dos The Lumineers. Uma das minhas músicas preferidas. Como se não bastasse, ainda conta com Brie Larson e Naomi Watts e o realizador é Destin Daniel Cretton, que também fez Short term 12.

castelo-de-vidro.JPG

O livro conta a história da família de Jeannette Walls desde a sua infância até à vida adulta. Os pais são nómadas e viajam de cidade em cidade com os quatros filhos. O pai é alcoólico, a mãe é artista e ambos renegam a responsabilidade de educar os filhos que ficam quase sempre entregues a si próprios.

 

Perguntei-me se o fogo viera para me tentar apanhar. Perguntei-me se todo o fogo estaria relacionado, da mesma maneira que o pai dizia que todos os humanos estavam relacionados (...) Não tinha resposta para estas perguntas, o que sabia era que vivia num mundo que, a qualquer momento, podia desatar a arder.

 

Jeannette é jornalista e isso nota-se na sua escrita, limita-se a contar aquilo que aconteceu de forma crua. Há alguns apontamentos sobre como se sentiu ou o que pensou na altura, mas são raros. No fim de contas, este livro é uma mão cheia de histórias de uma família disfuncional.

 

Qual é o papel que a nossa infância tem no resto da nossa vida? Até que ponto somos influenciados pelas atitudes dos nossos pais? Estariam aqueles miúdos melhor se tivessem sido entregues aos serviços sociais? Deixar as conclusões para o leitor é o triunfo deste livro. Nada nos é imposto. As histórias são estas e somos livres de sentir e de pensar o que quisermos. Somos livres de gostar dos pais destes miúdos ou de os detestar, de nos indignar-mos com a sua irresponsabilidade, de rirmos e de chorarmos.

 

Este livro é, para mim, sobre a forma como achamos que conhecemos as pessoas que nos são próximas, mas com o tempo vamos percebendo que não é assim tão simples. As personagens são reais, humanas e complexas. Tanto se desfazem como se compõem, numa teia de eventos que não tem de fazer sentido. Afinal, esta é uma história real, da primeira à última página.

 

À medida que a história avança, a vontade é acelerar a leitura para saber como termina. O final é como tudo o resto neste livro - cru. Levanta muitas perguntas e não tem respostas para nós. Talvez elas não existam. Talvez a busca incessante pela ordem só nos faça ficarmos mais perdidos no caos. Enfim, leiam o livro e decidam por vocês. O filme (só) chega depois do Verão mas, se fizer justiça ao trailer (e ao livro) será um dos melhores filmes deste ano.

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